Tudo começou quando a Lídia e o Zé - obviamente nomes fictícios - "a modos que" se enamoraram ciberneticamente, o que já deve ter acontecido a milhões de pessoas, pelo que vim a perceber depois.
O enamoramento durou pouco, pois cada um deles era muito mais do que o seu blog e, como diria um grande professor meu, as desilusões chegam somente porque um dia nos iludimos. O trabalho foi todo nosso e raramente o outro tem a ver com o assunto. Adiante.
Porque eu conhecia uma dessas pessoas e alguém conhecia a outra, gerou-se uma bola de neve tão grande, que dei por mim a conhecer e a falar com pessoas que, de outro modo, jamais teria conhecido. Enfim, hoje em dia conheço muitas das pessoas que me lêem.
Não que me arrependa disso, pelo contrário. Apesar de algumas pessoas terem sido meras passagens, outras são pessoas com quem já não me dou - e nem tenho intenção de o fazer - pois, correndo o risco da repetição, aquilo que num blog pode ter muito a ver connosco, no geral, pode revelar-se um verdadeiro fiasco! Como, aliás, em todo o lado!
Mas a verdade é que conheci pessoas fantásticas, fiz amigos e tenho muito carinho por algumas delas. No entanto, nesse processo, o intuito deste blog perdeu-se.
Porque é que eu criei o Pequenos Pormenores? Porque aqui me sentia livre. Porque sou tantas coisas diferentes, algumas delas tão paradoxais, e sinto necessidade de as ser, sem culpa, sem crítica, sem filtros. Senti, durante muito tempo, essa possibilidade, por aqui. Apesar de lido por outros, este blog era só meu.
Agora, é igual a pensar na roupa que visto quando vou trabalhar, ou na prenda que quero comprar para determinada pessoa, ou na postura que devo ter para uma entrevista de emprego. Há sempre uma imagem que alguém tem de nós - completamente errada, provavelmente, pois somos sempre muito mais do que isso! - mas que tememos quebrar! Mesmo que digamos vezes e vezes sem conta que isso não importa. Õ próprio facto das pessoas nos conhecerem faz com que se preocupem connosco. E isso não é mau. Mas não nos permite libertarmo-nos, se sabemos que vamos preocupar alguém.
Perdi certezas, na vida, e isso, para mim, foi uma bênção! Mas já não sei colocar as minhas incertezas neste espaço. Criei outros blogs, com outros nicks, mas não é a mesma coisa. Nunca foi minha intenção esconder quem sou. Apenas sentir-me livre!
É uma crise - bloguista! ;) - e uma oportunidade, obviamente! Ser (mais) quem sou. Recriar-me, porque me dá na gana! Passar à zona desconfortável.
Talvez o faça. Hoje. Daqui a um mês. Nunca. Não sei.
De qualquer forma, este blog está em crise existencial...
:)
Excelente fim de semana para todos!
Mostrar mensagens com a etiqueta coisas que sou eu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta coisas que sou eu. Mostrar todas as mensagens
sábado, março 06, 2010
sexta-feira, maio 29, 2009
Leitura em dia
Chamam-lhe leitura juvenil.Eu confesso, adoro!!!! Adoro fantástico, fantasia e grande parte de ficção científica. Também gosto de outros livros, claro. Mas há escritores de fantástico que me tocam.
Esta senhora é um deles. Com uma escrita de uma delicadeza deslumbrante e um universo de criaturas encantadas, profecias antigas, demandas corajosas, povos feitos de galhos e folhas, seres antigos que se escondem no musgo e grande inspiração celta, cria-nos histórias inesquecíveis.
Ganhou um prémio há uns anos atrás com a Trilogia de Sevenwaters, três histórias magníficas. Voltou agora com uma continuação desse universo. E eu mergulhei nele com alegria.
Etiquetas:
coisas que sou eu,
Juliet Marillier,
livros
sexta-feira, maio 22, 2009
Casa Branca
Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
...porque me fez tanto sentido...
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
...porque me fez tanto sentido...
Etiquetas:
coisas que sou eu,
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, abril 21, 2009
Saudades
Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Forbela Espanca
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Forbela Espanca
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Ódio?
Ódio por Ele? Não ... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto,
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Com um soturno e enorme Campo Santo!
Nunca mais o amar já é bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda!
Ódio por Ele? Não... não vale a pena ...
Florbela Espanca.
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto,
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Com um soturno e enorme Campo Santo!
Nunca mais o amar já é bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda!
Ódio por Ele? Não... não vale a pena ...
Florbela Espanca.
quinta-feira, dezembro 18, 2008
Para ti...
Perguntei-te, um dia, porque raios os homens que conheço tendem a levar as suas conquistas aos mesmos locais que já levaram outras... a meu ver, muito do género técnica de engate, se funcionou com esta, há-de funcionar com aquela... surpreendeste-me, ao responderes que eles procuram colocar sempre a nova namorada em todos os lugares por onde andou a outra, "apagando os rastos", como forma de provar que a nova pessoa é a verdadeira, a única...
Não consigo, ainda, perceber a profundidade da coisa... apesar de explicar muitas interrogações da minha vida.
Posso dizer-te, e tu sabes, que eu não sou assim. Não gosto de repetir lugares. Na verdade, não gosto, sequer, de repetir emoções! Não posso, não quero apagar pessoas, sentimentos, instantes que me construíram, pela positiva ou pela negativa.
E se evoco esses sentimentos na escrita, não significa que determinada pessoa habite em mim... não dessa forma, ela habita, porque eu nunca amei ninguém da mesma forma, porque as minhas memórias são únicas e eu tenciono retê-las e vivenciá-las sempre que me apeteça! Mas isso não te diminuí, não te apaga, pois o meu presente és TU! Tu és aquilo que existe em mim.
Isto é o que eu sou! Quero manter-me inteira!
Não consigo, ainda, perceber a profundidade da coisa... apesar de explicar muitas interrogações da minha vida.
Posso dizer-te, e tu sabes, que eu não sou assim. Não gosto de repetir lugares. Na verdade, não gosto, sequer, de repetir emoções! Não posso, não quero apagar pessoas, sentimentos, instantes que me construíram, pela positiva ou pela negativa.
E se evoco esses sentimentos na escrita, não significa que determinada pessoa habite em mim... não dessa forma, ela habita, porque eu nunca amei ninguém da mesma forma, porque as minhas memórias são únicas e eu tenciono retê-las e vivenciá-las sempre que me apeteça! Mas isso não te diminuí, não te apaga, pois o meu presente és TU! Tu és aquilo que existe em mim.
Isto é o que eu sou! Quero manter-me inteira!
sábado, dezembro 13, 2008
Amazing Grace
Porque há coisas que não se devem esquecer. Obrigada pela partilha, Vera! A minha amizade. Bem hajas!
segunda-feira, novembro 03, 2008
Fantasmas de mim
Assim que passo a ponte, o volante guina-se suavemente para a direita, como se não fosse eu a autora do acto. Vou devagar. A meu lado, descalça, caminhando pela estrada, que em dias mais quentes queima a planta dos pés, o fantasma dela segue serenamente.
Coincidentemente, os lugares estão ambos vazios. Havia um tempo em que ela tinha de colocar grades vazias, para permitir que as pessoas chegassem ao quiosque.
O silêncio reina, quando desligo a chave. Olho para o pátio. Agora ela saí pela porta da frente, observando a estrada. O olhar atravessa-me, procura um vislumbre da natureza, por entre os dois prédios da frente. Houve um tempo em que eram apenas casas com telhados pontiagudos.
Senta-se no sofá laranja, e suspira, antes de abrir o caderno de capa preta, para rabiscar coisas que não consigo ler, mas sei o que são.
Desvio o olhar. Subo a passadeira, achando que não me seguirá. Mas ali está ela, sentada, no lado esquerdo, ainda a escrever. Desço para a praia, e inspiro a brisa salgada, as baterias a carregarem a uma velocidade vertiginosa, as emoções a aflorarem entre um misto de euforia, saudosismo e identificação. As lágrimas surgem, mas não descem, ficam suspensas entre quem fui e quem sou, reconhecendo que a matéria é a mesma, mas que a forma é totalmente diferente.
Sento-me, os dedos enterram-se nos grãos de areia e ela continua por ali. Mergulha sozinha e nada até quase não ser vista, apanha conchas, grita como uma louca, de braços abertos, chora desalmadamente deitada a meu lado, raspa a areia à luz das estrelas, só para a ver reluzir, embala-se nos sonhos mais profundos. Se sabe que ali estou, finge não me ver. Mas não sei ao certo se o sabe...
Quando regresso, continua ali, sentada no banco, olhando um por do sol que eu não vejo, esperando as estrelas e os sonhos. Deixo-a lá.
"És apenas um fantasma." - murmuro.
Sou bloqueada por uns braços que me olham com comoção, como se o fantasma fosse eu.
- Lita! - diz a vizinha Inácia. - O meu coração deu um salto quando te vi subir a passadeira. Nem queria acreditar que eras tu.
Abraço-a, enquanto o nome carinhoso me ecoa por todo o corpo, o conforto da infância, a segurança das ligações eternas, as noites dos jogos, as fogueiras, as escapadelas pela janela e a dança. As intermináveis noites de dança "em frente à água".
Não és um fantasma. És feita da mesma matéria que eu, tal como esta areia, esta brisa salgada, a estrada demasiado estreita para tantos carros, mas que não deixa de ser concorrida por causa disso. Eu é que te abandonei, porque doía demasiado. Ainda dói um bocadinho. Mas és parte de mim. E eu quero-me inteira.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
