Ou melhor, o desatar laços.
Falávamos ambas sobre o quão estranhas relações nos trás a vida. Não que sejam melhores ou piores do que as dos demais. Não somos assim tão diferentes.
A diferença (ou não) está nos laços. Nos laços que nunca desatamos, que deixamos mergulhados no fundo da alma e que nos consomem, ou nos prendem a voz, os movimentos, o estar. Nos laços que trazemos atados a nós, muitas vezes (suspeito eu) por livre vontade, como se fossem pedaços de pele, de fígado, de feridas que não queremos cortar.
Nas memórias que não suportamos deitar fora, ou não teremos sido nós as mais abençoadas, as mais felizes, as mais privilegiadas crianças do mundo????
No meu caso então, a coisa é estranha. Pois não são os ódios que me consomem. Não são as "pessoas más" da minha vida, os inimigos, os que traíram ou rejeitaram que me prendem. Nesses, a raiva passa com as estações, com os ventos e as chuvadas que tudo lavam. E seguem o seu percurso, sem que os meus pensamentos, por mais simples que sejam, os incomodem.
São os outros, os amores. Os amigos que o são há tanto que se tornaram família, e a quem amo, apesar de já nada terem em comum comigo. Para quem não olharia duas vezes, se os conhecesse hoje.
São os amores que o não são mais, mas que o foram um dia. E porquê, questiona-se a minha alma, porquê não amar de formas diferentes quem amei antes. Onde havia partilha, companheiro, paixão, porque não ficou o afecto e a cumplicidade de quem já se deu?
São as marés que não voltam, os luares que me encheram de luz, as músicas que me nutriram...
Os laços que não desatamos porque nos tornariam mais pobres, ou seriamos pura e simplesmente mais livres?
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quarta-feira, outubro 13, 2010
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Efémero 2
Eu fazia anos naquele fim de semana. O meu amigo peruano vinha cá dar um workshop fabuloso e dei a mim mesma esse presente. Fazer o workshop. Porque fazia anos e resisti à pressão da família para passar o aniversário em casa, em prole daquilo que realmente queria fazer, senti aqueles dias como verdadeiramente especiais.
Vi-o assim que entrei na sala. Olhei para ele e reconheci-o, apesar de nunca ter visto aquele homem antes. Ele olhou para mim e teve exactamente a mesma sensação. Tive a certeza disso. Uma certeza arrepiante. Sincronisticamente, os lugares eram marcados e ficámos de frente um para o outro, na sala em U.
Impossível não olharmos. Porém, o verdadeiro interesse que eu tinha no trabalho do O., fez-me distrair daquela situação ao longo da manhã.
A hora do almoço chegou e ele veio direito a mim. Num gesto muito mais louco (ou mais corajoso) que o meu, perguntou-me:
- Qual é o teu nome?
- Lita.
- Olá, eu sou o P. É um prazer imenso reencontrar-te nesta vida!
Aquilo deu-me vontade de rir, apesar de saber que ele falava a sério. Tão sério que não conseguiu ficar perto de mim muito tempo e desapareceu, com uma má desculpa. Ainda assim, admirei a sua atitude.
Foi um fim de semana extasiante. Porque estava com duas das minhas amigas muito significativas, porque me redescobri, de uma forma completamente luminosa, porque as sincronicidades não terminavam.
O O. pediu que escrevêssemos um pequeno texto para a pessoa mais significativa do grupo, naquele fim de semana.
Escrevo para ele. Nada de especial, algumas palavras, apenas, que justificassem aquela energia estranha. A intensidade, as memórias que eu não tinha, mas que poderiam,perfeitamente, existir.
Vou dar-lhe o bilhete e percebo que escreveu um para mim.
Assim que o abre e o lê, as lágrimas descem-lhe pelo rosto. Abro o meu.
"Desculpa. Desculpa tanto. Não estava preparado para te ver, hoje. Não estou ainda curado, não o suficiente para conseguir viver sem magoar, sem ser magoado. Ainda assim agradeço..."
Não tentei perceber mais do que aquilo que me quis dar. Havia uma ferida, algures. E eu não fazia parte disso. Sorri-lhe. Tirámos uma foto juntos. Ele ficou com ela.
Nunca mais o vi. Podia ser maluco, ou talvez seja eu a louca. Podia ser um manipulador, como já mo referiram. Não é importante. Sei que o reconheci, de algum lugar. Quem já não teve experiências dessas? E que as mensagens que passámos um ao outro, naquelas 48 horas foram importantes para os dois.
A minha amiga S. comentou que achava que o P. lhe fazia lembrar o S. Francisco de Assis. Eu ri-me. Ele fazia-me lembrar tudo, menos um santo!
Vi-o assim que entrei na sala. Olhei para ele e reconheci-o, apesar de nunca ter visto aquele homem antes. Ele olhou para mim e teve exactamente a mesma sensação. Tive a certeza disso. Uma certeza arrepiante. Sincronisticamente, os lugares eram marcados e ficámos de frente um para o outro, na sala em U.
Impossível não olharmos. Porém, o verdadeiro interesse que eu tinha no trabalho do O., fez-me distrair daquela situação ao longo da manhã.
A hora do almoço chegou e ele veio direito a mim. Num gesto muito mais louco (ou mais corajoso) que o meu, perguntou-me:
- Qual é o teu nome?
- Lita.
- Olá, eu sou o P. É um prazer imenso reencontrar-te nesta vida!
Aquilo deu-me vontade de rir, apesar de saber que ele falava a sério. Tão sério que não conseguiu ficar perto de mim muito tempo e desapareceu, com uma má desculpa. Ainda assim, admirei a sua atitude.
Foi um fim de semana extasiante. Porque estava com duas das minhas amigas muito significativas, porque me redescobri, de uma forma completamente luminosa, porque as sincronicidades não terminavam.
O O. pediu que escrevêssemos um pequeno texto para a pessoa mais significativa do grupo, naquele fim de semana.
Escrevo para ele. Nada de especial, algumas palavras, apenas, que justificassem aquela energia estranha. A intensidade, as memórias que eu não tinha, mas que poderiam,perfeitamente, existir.
Vou dar-lhe o bilhete e percebo que escreveu um para mim.
Assim que o abre e o lê, as lágrimas descem-lhe pelo rosto. Abro o meu.
"Desculpa. Desculpa tanto. Não estava preparado para te ver, hoje. Não estou ainda curado, não o suficiente para conseguir viver sem magoar, sem ser magoado. Ainda assim agradeço..."
Não tentei perceber mais do que aquilo que me quis dar. Havia uma ferida, algures. E eu não fazia parte disso. Sorri-lhe. Tirámos uma foto juntos. Ele ficou com ela.
Nunca mais o vi. Podia ser maluco, ou talvez seja eu a louca. Podia ser um manipulador, como já mo referiram. Não é importante. Sei que o reconheci, de algum lugar. Quem já não teve experiências dessas? E que as mensagens que passámos um ao outro, naquelas 48 horas foram importantes para os dois.
A minha amiga S. comentou que achava que o P. lhe fazia lembrar o S. Francisco de Assis. Eu ri-me. Ele fazia-me lembrar tudo, menos um santo!
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das almas que nunca voltam,
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pedaços
domingo, junho 01, 2008
Perdidos e Achados
Procura-se pedaço de alma perdido.
Quando saiu de casa, dava indícios de ténues perturbações, não diagnosticadas ainda, pelo que se desconfia de personalidade borderline, ou mulitipla.
Bastante instável desde criança, procurava sempre zonas próximas do mar, ou locais serenos o suficiente para escrever.
Geralmente bem disposta, capacidade de argumentação rápida, mas auto-confiança frágil.
Se houver quem a tenha visto, é favor informar este blog.
Obrigada
Quando saiu de casa, dava indícios de ténues perturbações, não diagnosticadas ainda, pelo que se desconfia de personalidade borderline, ou mulitipla.
Bastante instável desde criança, procurava sempre zonas próximas do mar, ou locais serenos o suficiente para escrever.
Geralmente bem disposta, capacidade de argumentação rápida, mas auto-confiança frágil.
Se houver quem a tenha visto, é favor informar este blog.
Obrigada
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