quinta-feira, novembro 29, 2007
Vidas
Ela não fez qualquer comentário e resolveu a dissonância dentro dela começando a tratar-me por "a noiva do N.". Depois disso, vi-a mais 4 ou 5 vezes. Sempre amável e, depois de puxar conversa, com uma lágrima no olho, fruto de uma vida que não correu como esperava.
Não casou com o homem que mais amou, depois do marido falecer começou a passar dificuldades, para além do filho toxicodependente que ela se recusava a abandonar e a quem dava todo o (pouco) dinheiro que tinha. Se não a mãe a ficar com ele, quem mais o fará? A saudade dos netos é que a desgastava.
Criou o N. como uma mãe, e por isso ele lhe chamava carinhosamente Avó Isabel. Achamos que ela finalmente está em paz. Provavelmente, esta era a única forma de o conseguir, pois o cansaço da vida que levava estava de facto a matá-la. E conseguiu fazê-lo.
Gosto de pensar que ela olhou para a sua vida e viu momentos de ternura, de amor, alegria. Que não se arrependeu das suas escolhas. Que encontrou um sentido. Dói menos.
Foi amada e não será esquecida.
segunda-feira, novembro 26, 2007
O outro lado da moeda (again)
Levanto-me e, ao chegar à cozinha, a aberrante visão de uma montanha de louça para lavar!!!
"Porra!"
Enfureço-me. Discuto com o N, não para o culpar (ele nem esteve em casa ontem), mas para extravasar. Chamo o L. e dou-lhe uma descompostura das grandes. Se eu cozinho, eu não lavo a louça e este TEM de ser lavada. Entendidos? Ele começa a lavar a louça.
Saio porta fora a pensar porque é que uma pessoa acorda bem-disposta a uma segunda-feira de manhã para ter de encarar coisas destas.
Estranhamente, vem uma resposta diferente das habituais.
"Porque TENS uma família. Porque cresces dentro desse ninho, com as bençãos e responsabilidades próprias desse estado. Porque ela é a portadora dos teus maiores desafios e é por isso que se chama Família. Os teus maiores desafios estão ao teu lado, para mais facilmente os poderes ver e ultrapassar."
Resposta estranha e sábia. Algo mudou por aqui. Ainda não sei definir, mas sinto-me novamente bem-disposta. E a louça ficou lavada.
domingo, novembro 25, 2007
True Love
Foi aos 17 a primeira vez que os pais o deixaram sair à noite. E era uma noite especial,o baile do liceu.Entusiasmado, ansioso, feliz,vestiu a sua melhor roupa e caminhou até à noite mágica.
A primeira vez que saía, nada podia ser desperdiçado. E ali estava ela. A razão da sua existência. A rapariga mais bonita da escola. Olhava-a de soslaio, envergonhado, enamorado, sonhador.
"Black magic woman", a música que tanto gostava, nos Top's, na altura. Encheu-se de coragem e convidou-a para dançar. Era uma noite mágica. Ela aceitou dançar com ele.
Senti-la nos braços, ao som da sua música preferida. Cheirar o seu cabelo, sentir a maciez da sua face. Existem instantes que duram para sempre. E ainda assim são curtos demais.
A música acabou e levou-lhe a sua amada. Ele não era popular, tinha uma bicicleta. Outros tinham motas, ou carros.
E 40 anos se passaram.
Um dia, algum tempo depois do seu divórcio,trabalhava no escritório quando, na rádio, se ouve o som de "Black Magic Woman". Parou o que estava a fazer. Cada acorde trazia a sensação de a ter nos braços,o coração afogueado, o cheiro do seu pescoço. O amor puro e forte que sentia por aquela rapariga. A emoção do primeiro amor.
Resolveu ligar-lhe. Conseguiu o número através do liceu. Falaram duas horas e meia ao telefone. Combinaram encontrar-se. E, desde esse encontro, nunca mais se separaram.
Ele viaja muito a trabalho e ela acompanha-o. Quando não o faz, o reencontro é cheio de abraços, beijos e risos.
Quando olho para eles, não me é difícil ver um menino de 17 anos completamente apaixonado pela rapariga mais bonita da escola. E o olhar de admiração e amor que ela lhe oferece aquece o coração de qualquer um. Vê-los é uma prova de que tudo é possível.
sábado, novembro 24, 2007
Coaching
Fizemos um jantar, onde só puderam estar algumas pessoas, mas com a feliz coincidência de poderem estar presentes os formadores, que não vivem no país. Senti uma alegria imensa por, naquele grupo, não existir o factor tempo (coisa que só sinto num número especial de amigos). Era como nunca nos tivéssemos afastado. Foram 5 horas de intensa alegria, conversas interessantes um verdadeiro e profundo afecto por todos.
E ouvir o Manfred, um ser humano magnífico, com um coração do tamanho do mundo. E sua simplicidade, sabedoria e alegria. Uma daquelas pessoas que, sem dúvida, causa aquele desejo... "quando for grande,quero ser como ele!"
Nele, é fácil recordar a filosofia do coaching.
O cliente tem as respostas.O coach, as perguntas.
quinta-feira, novembro 22, 2007
New Shopping in town
Já tinha visto coisas equivalentes, mas ainda assim, fiquei boquiaberta. A febre do Natal faz mal aos comerciantes,definitivamente. É que abriram um Centro Comercial que está, literalmente, em obras. Os elevadores ainda não funcionam, 80% das lojas está fechada, o chão está sujo de cimento, tinta e sabe Deus que mais. Polícia ali à volta,porque,com as obras na estrada, e os camiões de mercadoria à mistura, o trânsito está um caos.
No meio da minha incredulidade e sentido crítico, recordei que há um equilíbrio em tudo, só temos que o procurar.
:) Ali estava o outro lado da moeda, o lado positivo da coisa. Uma FNAC linda, enorme e cheia de coisas maravilhosas, mesmo pertinho da minha casa!!!!!
Isto de olharmos para o lado bom tem que se lhe diga!!!!!
quarta-feira, novembro 21, 2007
Prémio Inesperado!!!! :)
Surpresa boa!!!! No dia em que decido mudar 99% das coisas na minha vida, recebo um prémio da Solitude, sobre uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever!!!! O universo é rápido a dar respostas...Agora, há que seguir as regras indicadas:
2. Atribuir o prémio a 7 blogs que considere "até não são mau blogs" ... para mim são fantásticos, e uma companhia diária!
segunda-feira, novembro 19, 2007
Animais de Palco
Uma banda de animais.Uma girafa e um macaco apaixonados. Um leão e uma hipopótamo muito especiais. Uma gata muito sexy.
O amor, a salvação do planeta e muita música.
Finalmente fomos ao teatro com a princesa. Adorou. Os olhos brilharam do início ao fim. Batia palmas com todo o corpo, cantou com os "bichos". Quase chorou quando as personagens se zangaram.
- "Mamã, amanhã vai ser tudo "difente"!
À noite, pediu-me a história dos animais e perguntou-me se podíamos comprar o filme....
É tão fácil fazê-los felizes...
Para dizer a verdade, fez-me feliz a mim também. Valeu a pena ver a peça. Muito humor, inteligência, e a versão mais sexy de todos os tempos da canção "Ao passar a ribeirinha".
A não perder mesmo!
sexta-feira, novembro 16, 2007
Espiritualidade humana
Considero-me um ser espiritual, desde que se entenda que não acredito numa espiritualidade que não abarque a minha humanidade.
Procuro o melhor de mim, um ser mais sábio que me habite e me indique quais os caminhos a seguir, quais as respostas reais aos desafios que me são colocados. Mas gosto de ser humana. Gosto de ter um corpo, um rosto. Gosto de sentir a água na pele, quando tomo duche, gosto do sol que me aquece. Gosto de vivenciar emoções, confesso que não só as boas. Procuro intensidade em quase tudo.
E não, não gosto de me sentir só, desamparada, culpada ou inútil. Mas isso também sou eu, em alguns momentos, e não acredito que essa parte de nós esteja fora de Deus, tenha essa palavra o significado que tiver, para cada um.
Por isso não quero, não quero que o melhor de mim seja apenas o sorriso, a compreensão maior, a sabedoria que não abraça as lágrimas. Não quero que o exemplo de quem sou seja apenas aquilo que faço "bem", perfeito, sem mácula. Quero que o exemplo de mim seja a minha humanidade, as entregas em que dou luz e alegria, e aquelas em que me escondo, me enrolo sobre mim mesma e peço ajuda. Porque ainda assim, faço aquilo que consigo. Porque ainda assim, é o melhor de mim, naquele instante. E isso é tão espiritual como outra coisa qualquer.
segunda-feira, novembro 12, 2007
1º livro, página 161, 5ª Frase Completa
"As etiquetas nos cestos ou caixas com um exemplar, uma figura ou uma fotografia podem ajudar as crianças mais velhas a arrumar os brinquedos naqueles dias em que esvaziaram todas as caixas."
Educação de Bebés em Infantários, Jacalyn Post e Mary Hohmann.
Formação a quanto obrigas.
Passo o desafio à Joana, à Carol e à Sayuri.
1º) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2º) Abra-o na página 161;
3º) Procurar a 5ª frase completa;
4º) Postar essa frase no seu blog;
5º) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6º) Repassar para outros 5 blogs.
Gosto...
domingo, novembro 11, 2007
Mãe leoa
Ontem chegámos lá e não havia bilhetes. Comprámos os últimos para hoje.
Bolinha de Sabão, o nome da peça. A filhota estava excitadíssima, era a sua estreia no teatro. A mãe e o pai não lhe ficavam atrás.
Mas havia uma corrida de atletismo. Até aqui, tudo bem. O problema é que, na manhã de Domingo, para quem mora onde eu moro, não se saiu de casa. Três saídas diferentes, cortadas todas ao trânsito, deixando os carros a andar em círculos e sem poder sair. Se fomos avisados com antecedência? Não. Mesmo que fossemos, o que nos diriam? "Não saiam de casa no domingo, porque não há saídas possíveis para automóveis?"
De facto,há coisas que não entendo.
E enquanto regressávamos a pé para casa - com o carro estacionado num local qualquer, às 11h25, com a miúda a chorar desalmadamente por não ter ido ao "teato", eu rezava para que ninguém se dirigisse a mim,porque as garras estavam, definitivamente de fora. Naquele momento, se eu apanhasse um político, um polícia - ou mesmo um atleta - tinha-lhe arrancado os olhos à dentada.
quinta-feira, novembro 08, 2007
...
Não senti frustração, nem fiquei irritada, nem me senti traída por mim mesma. É verdade quando disse que regressei de olhos abertos.
Ainda assim, e por te ter sonhado antes de te conhecer, e sonhar-te ainda, quando já és um desconhecido, houve um suave embalo na minha alma... conforto ou desalento?
Já não sinto a tempestade do teu ser na minha presença. Às vezes, porém, na suave brisa do vento, ainda te consigo inspirar. Curioso...
terça-feira, novembro 06, 2007
segunda-feira, novembro 05, 2007
Silêncio, se faz favor!!!!
Permiti-me isso, a não elaboração mental (à qual, modestia à parte, sou muito boa!!!!). Abandonei por umas horas as explicações que me dizem tudo, me enquadram cada instante da existência, sem no entanto mostrar nada, pois o que se sente não tem explicação.
Fácil? É fácil abandonar a cana com a qual se apanha mais peixes? Não foi.
Ainda assim, silenciei-me com intenção.
E não sei se regressei mais inteira. Julgo que sim. Sei que regressei com os olhos abertos. Não me tinha apercebido, sequer, que os tinha fechados....
sexta-feira, novembro 02, 2007
Retiro
segunda-feira, outubro 29, 2007
O Poço das Sombras
Eu sei, eu sei... mas pura e simplesmente não consigo resistir. Saiu ainda há pouco, mais um daqueles livros que me leva para fora do tempo e do espaço, me faz esquecer do mundo lá fora e me acende uma pequena e (des)conhecida chama.
Memórias de fada? Alma de adolescente?
Talvez, mas faz-me sonhar e sorrir... e eu não resisto a nenhuma das duas coisas.... :)
sexta-feira, outubro 26, 2007
O elo quebrado
Se era fácil? Não. Ele tivera sempre o dom de viver perigosamente. Onde havia sarilhos, ele seguia o rumo.
Ela não. Era mais calma, serena. Abria-lhe os braços e escondia-o do mundo, quando tudo parecia dolorosamente insano.
Ela conhecia-lhe os pesadelos nocturnos, os pensamentos mais obscuros. Sabia ler-lhe as entrelinhas, os silêncios profundos, as fugas à realidade. Estava com ele. Amava-o. Sabia que o amor era construído assim, entre risos e lágrimas, entre sonhos conjuntos, degrau a degrau.
Existia um elo. Invisível para os outros? Talvez, mas ela sentia-o em cada instante em que os seus olhos pousavam nele.
Um dia ele partiu. Outro amor, outra aventura, outro perigo. Ela ficou. Só, destroçada. Irreconhecível.
Levantou-se. Mudou de casa. Mudou de vida. Ainda o sentia na pele, no bater do seu coração. Esperava que ele regressasse, como nos dias em que lhe abria os braços. Existia um elo invisível. Conheciam-se há 20 anos. Conheciam-se.
Ela fez anos. Passara os últimos 11 aniversários junto a ele. Só a ele. Existia um elo que era só dos dois. O telemóvel foi dando os apitos das habituais mensagens de parabéns. Agarrava cada uma delas como uma esperança, que se convertia em desilusão. O dia passou.
Despertou no dia seguinte com um "bip". Agarrou o telemóvel. Mensagem dele.
"Preciso que vás ao tribunal. Há lá qualquer coisa marcada, mas não consigo perceber o que é. Agradeço imenso. Adeus."
Fechou os olhos, rindo, para não chorar. Às vezes, não existia absolutamente nada.
Quase perfeito...
Passear pela Baixa de Lisboa.
Comprar um livro.
Ir ver o rio.
Ouvir-me.
Receber um elogio.
Ir beber um copo à noite, mesmo que seja a meio da semana.
Dormir depois de uma conversa intemporal.
Levantar-me com um sorriso.
Passar a manhã na Serra de Sintra, respirar a vida, re-criar-me.
Almoçar a salada mais deliciosa do mundo...
Encontrar uma amiga que não via há muito.
Deitar-me cansada e feliz.
...
E voltar hoje para o trabalho....
terça-feira, outubro 23, 2007
Parabéns!!!
Assim foi contigo. Tínhamos... quê? 12 anos? Faltámos à aula de educação musical porque tu estavas a chorar... e desde então nunca mais deixámos de chorar ou rir juntas...
Iniciámos uma conversa, nesse dia, e tenho a sensação de que quando nos encontramos pura e simplesmente a retomamos, ainda que por carta, telefone, ainda que não nos tenhamos visto nos últimos meses. Acho que os melhores amigos se reconhecem assim... :)
De qualquer modo, sei que foi um ano difícil... sei que perdeste tudo... sei que te tentas reerguer com uma dignidade que causaria inveja a muitos. A mim causa-me admiração e alegria por partilhar contigo esta história.
Sei que o sabes, minha amiga, mas as pessoas têm o estranho hábito de poupar nas palavras e nas emoções. Por isso, o quero dizer... GOSTO MUITO DE TI!!!!!!!
Parabéns e que os 32 sejam o princípio de uma nova e esplendorosa vida!
segunda-feira, outubro 22, 2007
Cansaço
Ando a sentir isso demasiadas vezes....
sexta-feira, outubro 19, 2007
Sobras
Indefinições
Ao longo dos anos apercebi-me, porém (e talvez seja defeito de profissão) de que nada é definitivo, muito menos as definições. Nada é absolutamente bom, ou absolutamente mau. Não existem escolhas certas ou erradas,mas sim pesos na balança de cada um de nós, que pendem para um lado ou para outro.
Apercebi-me de que as coisas que pedimos nem sempre estão alinhadas com as que queremos. E mesmo as que queremos, podem ser fruto do anseio do coração do adulto, ou da carência profunda da criança em nós. Tão ténue é a linha da separação. Julgo-me tantas vezes por não a conseguir discernir.
Faço o que posso para respeitar a alma em mim. Permito-a sentir, expressar-se, ainda que, por vezes, sem voz. Hoje,não me apetecia fazer isso. Apetecia-me não me preocupar com os anseios ou as carências, as ilusões ou as mentiras. Viver como se não existisse amanhã. Será que me daria ao trabalho de pensar tanto?
quinta-feira, outubro 18, 2007
Às vezes...
Às vezes queria abrir a boca para deixar sair o chorrilho de palavras não ditas, emoções não assumidas, gritos presos no fundo de mim.
Mas não chega.
Às vezes precisava que o outro me ouvisse, mais do que qualquer outra coisa. Precisava de ser validade pela presença de quem me dissesse: "Estou aqui. Também lá estive. Foi real."
Precisava que as minhas fantasias tivessem ecoado em alguém. Que o sonho fosse partilhado, para poder deixá-lo partir...
O sacana do Neptuno anda aí, tenho a certeza!!!!!!
O "poblema"
- Se precisares de alguma coisa, estou mesmo aqui ao lado.
30 segundos depois.
- Mamã, se eu tiver um "poblema", posso ir para a tua cama?
- ... Sim, podes. Até amanhã.
30 segundos depois.
- Mãe... tenho um "poblema". Ainda não consegui dormir nada.
Sem comentários.
quarta-feira, outubro 17, 2007
O pescador
- O ti Vicente tem mão d'ouro, para onde manda a cana, é onde eles fazem a festa.
Aqueles homens, enfiados nos gorros de lã, camisas de xadrez em flanela e botas de borracha até ao joelho, pareciam-lhe mais fortes do que os herois dos quadradinhos. Todos os dias enfrentavam o gigante azul, em busca de sustento para a família. Onde existiria maior nobreza?
Foi numa tarde ventosa de Novembro que o barco encalhou na rocha e se virou, jogando os homens ao Mar e, juntamente com eles, o pequeno Vicente, que decidira acompanhá-los.
Não houve perdas, nem feridos. No entanto, os segundos sentidos como anos, passados a esbracejar, para depois vir ao de cima e encontrar o barco virado sobre a sua cabeça, enclausurando-o na mais completa escuridão, encheram de terror o pequeno, que se convenceu de que morrera, antes dos braços fortes do ti Vicente o resgatarem da água e do pesadelo.
A partir desse dia jurou que não morreria no mar e não mais se aproximou deste, dos barcos de pesca ou das camisolas do padrinho. Ouvia as histórias dos homens,mas longe da praia.
A pesca era agora um sonho longínquo, como aqueles dos colegas de escola, que queriam ser astronautas, sabendo de antemão que não passariam do 6º ano.
Passaram-se os anos e Vicente tornou-se um homem. Saiu da escola e foi trabalhar com o pai, na loja de ferragens,seguindo as pisadas dos dois irmãos mais velhos. Era um bom trabalho, honesto, simples, sem a instabilidade da pesca ou dos mares de Inverno. Então, porque é que o seu coração, às vezes, parecia tão vazio que quase não o sentia?
Visitou o ti Vicente, que já não ia ao Mar há muito, num Verão quente e seco, daqueles em que a chuva viaja para longe sem bilhete de regresso. E o pedido do velhinho comoveu-o.
- Leva-me a ver o Mar, filho. Sabes que sozinho já não consigo.
Vicente agarrou no padrinho cambaleante, envolveu-o nos seus braços fortes e, em curtos passos, caminharam até à rocha,de onde se via o Mar.
Foi um instante em que ele olhou para cima, seguindo o voo das gaivotas. Baixou a cabeça e o ti Vicente desaparecera. Caíra, atirara-se, voara? Debruçou-se e viu o velhote esbracejando, a cabeça surgindo entre a espuma branca, numa busca desesperada de ar.
Vicente jogou-se de cabeça, sem se preocupar com nada que não aquele velho ti Vicente, que lhe iluminara a infância.
Ajudou-o o chegar à areia. Vinham os dois sorrindo. Teria o velho feito de propósito? Vicente não o poderia saber? Aquele mergulho, porém, trouxera de volta os seus sonhos.
Hoje sinto-me assim...
segunda-feira, outubro 15, 2007
terça-feira, outubro 09, 2007
Revolvio
Porque fue suficiente
hablarle con los ojos desde allí.
Si en ese mismo instante
su vida era tranquila y feliz,
la vino a revolver con bollitos y miel
Mareas en la tierra,
el cielo iba cubriéndose de gris.
Porque salió el torrente,
el miedo y las ganas de sentir.
Y quiso saborear la masa de su pan.
Revolvió su calor con su voz,
con leche y azúcar se lo dio a beber.
Bordeó el corazón la razón con unos besos de ron y miel.
Horneó con su aliento su pelo,
y caramelo parecía al terminar.
Y quiso saborear la masa de su pan.
Escríbele canciones,
envíale tu voz donde él esté.
Vagando por su almohada
le vino a visitar en sueños él.
La vino a revolver y se dejo hacer.
Estampidas en la tierra,
el cielo iba tiñéndose marfil.
Porque brotó el torrente,
el verbo y las ganas de sentir.
Y pudo saborear la masa de su pan
Él revolvió su calor con su voz,
con leche y azúcar se lo dio a beber.
Bordeó el corazón la razón con unos besos de ron y miel.
Horneó con su aliento su pelo,
y caramelo parecía al terminar.
Y pudo saborear la masa de su pan
Vida
Dito assim, até parece simples, não é? :)
quinta-feira, outubro 04, 2007
Ai, Portugal, Portugal...
Mas quando temos a filha pequena doente, acordamos de madrugada para marcar a estúpida consulta no Centro de Saúde (se é uma urgência,porque raio temos de nos levantar de madrugada para marcar a consulta ao longo do dia? É uma urgência!!!!!) e nos dizem que, como não sabem se o médico vem ou não (ele tem o hábito de faltar ao trabalho sem avisar!!!!????) não marcam consultas, até porque não há outros médicos para urgências....
- Ligue por volta das 13h30 e já sabemos se ele veio ou não. Depois,se houver vaga, marca.
???? O que raios é isto?
E pedem-nos para ir ao Centro de Saúde antes de ir ao hospital....
O mais triste é que um telefonema para a pediatra (aquela a quem pagamos 70 euros por consulta) resolveu a coisa em 10 minutos. Consulta marcada, conselhos dados, problema resolvido.
O que nos vale é que o sistema de saúde em Portugal continua em grande!!!!! Para quê pensar nos milhares de pessoas que não têm 70 euros para pagar e ficam com as crianças doentes,ou rumam para o hospital para esperar horas até serem atendidas, pois não tinham a cartinha do Centro de Saúde????
segunda-feira, outubro 01, 2007
Ser Criança
Para quem, como eu, alega um aproveitar intenso do presente, um auto-conhecimento consciente como forma consistente de atravessar esta existência, tenho em casa um ser com 3 anos de existência que é uma verdadeira mestra do AQUI e do AGORA.Depois de uma noite de febre, acordámos para um dia em que - pensava eu – tudo iria melhorar! Então vieram as dores de ouvidos, as fantásticas dores que surgem nos piores momentos e para as quais basicamente NADA ajuda.
Ligar à pediatra, continuar o antibiótico,não esquecer o benuron. Enfim, encher a criança de porcaria e a mãe de preocupação.
A diferença é que, enquanto a mãe mal consegue respirar o tempo todo, perante a sensação de impotência, a preocupação e a ansiedade, há um momento, a meio de toda esta “tragédia”, em que as dores acalmam e começa a dar no Canal Panda (canal exclusivo cá da casa) a música do “Viky, o pequeno golfinho” – não, não precisam de saber qual é!!!!.
- Mãe, podes dar-me os meus sapatos?
- Porquê, meu amor?
- Quero dançar!!!
E eu fui calçar-lhe os sapatos, fitando-a atónita enquanto ela cantava e dançava até a música acabar. Em seguida, voltou a deitar-se no sofá, tranquila. Não há dores, não há stress.
De facto, ser criança é um estado de graça. Elas SABEM aproveitar a vida.
quarta-feira, setembro 26, 2007
The Police
segunda-feira, setembro 24, 2007
A caixa

Soube imediatamente o que tinha nas mãos, quando agarrei aquela caixa antiga e gasta pelo tempo, perdida entre albuns de fotografias repletos de teias de aranha e pó, no velho sotão revestido a madeira da casa grande, como lhe chamávamos.
Não era como eu imaginava, em veludo vermelho, reluzente, como o esplendor do seu conteúdo, contado tantas vezes pela voz da minha avó, cujos olhos cansados regressavam ao brilho dos 17 anos, sempre que falava nessa história.
Era uma história igual a todas as histórias que fazem as meninas sonhar. Um amor antigo, único, perfeito, que não se concretizara, perdido nas desventuras habituais do coração. E que, antes de se desvanecer,tivera os sumarentes beijos escondidos, bilhetinhos secretos, abraços quentes nas noites de luar e, claro, as rosas vermelhas.
Apertando a caixa, que afinal era em metal, com desenhos antigos de dois amantes, apagados pela ferrugem, eu fechei os olhos, relembrando as palavras da minha avó.
- Com ele partiu o meu coração e a minha juventude. Ficou uma caixa, com um retrato que me fez, 2 cartas de amor, e 6 rosas vermelhas. E a vida continuou.
Cresci com a lembrança daquele amor único, que não era o meu, mas que me arrebatava o coração para a fuga nas noites de luar, como se os beijos escondidos debaixo da janela fossem para mim.
Agora, com aquele tesouro nas mãos, sabia que tudo fora verdade e não mais um devaneio de uma velhota senil que, segundo o meu pai, nada mais fazia que não encher-me a cabeça com ideias aparvalhadas que me paravam o cérebro.
Quis abri-la. Cheirar o perfume do amor, nas rosas vermelhas, e ler cada carta como se a doce carícia das palavras ardentes fossem dirigidas a mim. Olhar o retrato da minha avó, cujos traços haviam sido desenhados pela mão da paixão avassaladora e deleitar-me no encanto das memórias.
Mas não era a minha história. Não eram os meus segredos, as minhas fugas da cama para os braços do meu amante. Não era o meu rosto desenhado. Não eram as minhas rosas.
Eu abriria uma caixa velha e encontraria, provavelmente, um rolo de papeis amarelados e baços, comidos pelas traças e pelos anos. Encontraria um retrato cujos contornos teriam sido esquecidos no papel. E encontraria rosas secas, sem a cor e a frescura do amor.
Abrir a caixa? Não. Mantê-la assim, fechada entre as minhas mãos, de olhos fechados, ouvindo as ternas palavras da minha avó e inspirando o aroma das rosas. Nessa memória,estaria a essência do seu amor.
segunda-feira, setembro 17, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Perspectivas...
- Não posso acreditar que me fez uma maldade dessas, avó Chica!!!! - exclamou zangada.
A anciã, que já era velha quando Clara nascera, encolheu os ombros. Baixou o olhar, embaraçada, enquanto sacudia pó inexistente do avental gasto.
- O que é que queres, filha? O rapaz anda desesperado,não pensa em mais nada senão em ti.
- E por isso encomenda-lhe feitiços!!!! - resmungou a jovem. - Se ele pensa que isso muda alguma coisa...
A avó Chica olhou-a com expressão reprovadora e continuou o seu caminho.
Clara voltou para dentro, ainda furiosa e triste com a situação. Porque é que todos a recriminavam? Não poderia ser ela a dona do seu destino?
... cheiro de caramelo

Era assim o Verão na Ilha de Faro. Nada de silêncio,maresia e paz. Ali, ouviam-se os 718 aviões diários, que levantavam vôo à distância de 3 km, o roncar ensurdecedor dos carros,à hora do almoço, com lisboetas de férias à cata do famoso arroz de lingueirão e os gritos incessantes dos meus amigos, surgindo na porta de entrada, a cada 15 minutos.
Só à noite, quando o resto do mundo se recolhia, ficava eu e a minha avó, o som da novela da televisão a preto e branco e o cheiro do caramelo que serviria de cobertura à tarde de amêndoas. Que saudade da tarte de amêndoas!!!!
quarta-feira, setembro 12, 2007
Filhota....
O meu coração é que se manteve triste o dia todo....
sexta-feira, setembro 07, 2007
Loucura
Abriu os olhos, com as cortinas ainda fechadas e a suave penumbra do quarto a inundar-lhe os sentidos com pequenos pontos luminosos. Olhou para o lado onde, na pequenina mesa de cabeceira redonda, repousavam os poucos comprimidos que restavam, velhos companheiros de viagem. Pegou na caixa de cartão e ficou imóvel, a mão no ar, estática, perante o pensamento que lhe trespassou a mente. Não, nesse dia não os tomaria.Como seria voltar a pensar por si mesma? Sorriu, perante a ideia de se passear pelas ruas da cidade, com as meias de vidro rendadas a surgir por baixo do minúsculo vestido azul, dizendo tudo o que lhe surgia na mente.
Provavelmente, todos se afastariam, franzindo o nariz. Sim, porque ouvir a loucura pela manhã faz, por certo, comichão no nariz. Mas estava plenamente decidido.
Tomou um duche e aprontou-se como se para uma festa. Abriu a janela, permintindo ao vento fazer-lhe festas no cabelo.
As nuvens cinzentas anunciavam um dia instável e escuro. Dia de guarda-chuva, diriam os outros. Sorriu novamente. Ela, se levasse algum, seria um guarda-chuva de chocolate. Nessa manhã, a vida sabia-lhe bem...
quinta-feira, setembro 06, 2007
Palavras a cores?...
Colocava sempre a saia de folhos amarela. Penteava os sedosos caracois e prendia-os com ganchos coloridos. Só depois de se olhar ao espelho subia para o telhado. Sentava-se entre as telhas laranja, com o seu sumo de frutas gelado e ficava a observar o campo verdejante e fresco, cheio de papoilas.Por vezes,a música na igreja fazia-a sorrir,imaginando o casal de noivos a sair ao som dos sinos, juntamente com os alegres convidados, num rebuliço total.
Era uma festa, poder deitar-se ao sol e sentir a pele bronzeada a aquecer e os folhos da sua saia dançando com o vento. Se fechasse os olhos e imaginasse um sonho, ainda assim não seria mais belo do que a sua realidade.
...ou a preto e branco????
A noite começava a surgir e o cinzento escuro e frio da tarde enregelava-lhe os ossos velhos e cansados de uma vida de trabalho duro.Saiu para a rua,com o casaco russo e as botas enlameadas,embrenhando-se na rua alcatroada e suja,iluminada pelo fraco e único candeeiro existente.
Os prédios em obras inacabadas,cheios de lixo e solidão, pareciam caveiras naquela cidade fantasma.
segunda-feira, setembro 03, 2007
O Ludo
Era sempre uma viagem quente. Essa era a minha mais forte lembrança, ao recordar-me daquelas intermináveis viagens ao Ludo.
acabavam inevitavelmente por se deixar cair, logo que avistavam a mais pequena sombra.sábado, setembro 01, 2007
Com um pedaço...
Com um pedaço de nada brinquei.Olhei-o, toquei-o, cheirei. Mole e suave. Odor? Não tinha cheiro, ou seria eu incapaz de o respirar? Senti-me, insegura, menina assustada. Ainda assim, brinquei. Peguei-lhe, num suave embalo de vida e cor.
Moldei-o nas minhas mãos, pintei-o com as cores da minha tela. E, por fim, adormeci, na maciez efémera da minha imaginação.
Despertei mais tarde, acordando para um nada que agora era algo. Modelei-o eu, mas surgia em si mesmo como uma única forma, uma ideia, um universo ao meu redor.
Senti-me fechada num universo que tinha sido construido por mim.
sexta-feira, agosto 31, 2007
Vem!

Vem ver-me, vá! Como podes ver, pela imagem, não é tão mau assim. Tens a Serra mesmo ali, a um piscar de olhos.
Sabes, aqui o céu não é tão escuro e as estrelas não são tão brilhantes. Mas se te aventurasses a sair do teu cantinho seguro verias que, aqui, as pessoas sorriem da mesma maneira e que o aroma do café, pela manhã, trás sempre um trago de boa conversa. Não queres experimentar?
segunda-feira, agosto 27, 2007
Sonho
A beleza é relativa e efémera,mas naquele único segundo não houve inseguranças ou questões de opinião. Olhar para ele era pura contemplação. Poderá um olhar mudar uma vida? Ela não podia saber,mas como a imaginação não aceita limites, acreditou naquele instante, naquele segundo de harmonia, vida, cor.
Mergulhou no olhar verde daquela estranha criatura surgida do mais insólito dos seus sonhos. Viu-se no mar, rodeada de sereias e tritões, de castelos submersos e música celestial. Viu-se a si mesma Senhora do Mar, dona do mais belo vestido existente no reino do amor.
E, por fim, veio à à superfície respirando a brisa leve que a trazia de volta à realidade. Mas o que é que isso importava? Enfeitou-se com o seu mais belo sorriso e deu por si a dançar, diante daqueles maravilhosos olhos verdes.
Escrita Criativa
Estou a gostar! Muito...
Vão ficando aqui alguns textos nascidos dessas pequenas horas.
Se quiserem experimentar, passem por aqui.
quinta-feira, julho 19, 2007
Férias!!!!!
segunda-feira, julho 16, 2007
sexta-feira, julho 13, 2007
5
quarta-feira, julho 11, 2007
Pé descalço!!!!
O que nós, mulheres, não gostamos que nos aconteça....Sair de casa todas apresentadinhas para a consulta que vamos dar.
Ir com alguma antecedência, afinal não quermos que o trânsito nos surpreenda.
Chegar 20 minutos antes, e pensar, com um sorriso, se passeamos um pouco pela baixa de Lisboa, se repensamos a consulta, ou simplesmente nos presenteamos com um belo instante de não fazer nada.
Ao sair do estacionamento subterraneo, pisar a sandália e parti-la! Partir a tira onde se enfia o dedo!!!!
Entrar em pânico, voltar para trás, verificar que o pé não fica preso. Não conseguir arranjar a sandália.
Caminhar ao longo da Rua Augusta, arrastando um pé, até localizar a primeira sapataria onde se possam comprar QUAISQUER sapatos.
Imaginar, no meio da vergonha, que se fosse descalça, provavelmente, daria menos nas vistas.
Enfim, mais um final de tarde calmo e rotineiro!!!!
O escritor
O romance que escrevi chama-se “O maior espectáculo do mundo”, publicado pela Oficina do Livro. Vi-o hoje, antes de ir para as livrarias. Já suspeitava que a publicação de um livro seria uma experiência contrária à sua execução. Terminar um livro, acabar o trabalho e publicá-lo é o fim de um processo, é algo que se opõe à luta de pensar, de estruturar, de escrever, de corrigir, de apagar. O objecto com capa, foto, excertos, é outra coisa qualquer, necessária, lógica e inevitável. É certo que quero publicar, que quero que as pessoas leiam, mas sempre que olho para esse objecto apetece-me mudar palavras. Não posso.
Perdi-me nas suas palavras, talvez por já as ter pensado muitas vezes. Quando escrevemos, a alma exprime o que sente e nada mais do que isso é possível (como se fosse pouco!!!!).
Mas, invariavelmente, é um processo, um contínuo... nunca termina, nunca está acabado. Cada vez que releio o que escrevi, sinto a incansável vontade de mudar palavras, acrescentar texto, especificar pormenores. Porque a minha alma já viveu mais um pouco e precisa, novamente, de alimento.
Um contador de estórias desenrola um fio que não tem ponta....
Imagino a alegria e a dor do escritor que edita o seu livro. O orgulho da sua obra finalizada e partilhada com os outros. A dor da alma, por não mais se poder expressar por ali...
terça-feira, julho 10, 2007
A perfeição

segunda-feira, junho 18, 2007
O administrativo

quarta-feira, junho 13, 2007
Sol!!!!
Acordei com um sol luminoso, o céu azul a lembrar-me um Verão prestes a rebentar... soube bem um despertar cheio de luz e promessas sussurrantes de alegria.Pouco depois surgiu o vento, e as núvens... se calhar não é hoje, ainda, que o calor chega...
Não importa, o sol ficou dentro de mim!!!! Um dia luminoso para ti!
quarta-feira, junho 06, 2007
O Tao do Pooh
Aqui fica uma canção do Pooh, para nos deliciar:

quinta-feira, maio 31, 2007
sexta-feira, maio 11, 2007
Os dias em que não apetece...
Surgem do nada. Ou na verdade, sinto-os caminhar na minha direcção antes de chegarem. Correm-me no sangue, sussurram-me na brisa fresca da manhã, avisam-me no cansaço seguido das rotinas.
Mas não lhes ligo, porque tenho a mania que sou forte e que dias destes não me incomodam. Porque penso que posso controlar o meu sentir, o pulsar da vida em mim, e ainda assim viver na íntegra.
Chegam então de rompante... acordo mergulhada neles como insecto numa teia de aranha. Invadida.
Os dias em que não apetece sair da cama.
Não apetece ser forte.
Não apetece seguir sem destino, trabalhar sem motivação, acreditar sem fé.
Não apetece continuar a viver segundo o que pensamos acreditar, e manter o que é seguro, constante, confortável.
Os dias em que - ainda que dentro da segurança dos lençois - nos atrevemos a mergulhar no frágil, inconstante, intemporal e intenso sentido da existência.
quinta-feira, abril 19, 2007
O convite

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues não ter fé e, ainda assim, ser digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, "Sim"!
Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até aos ossos, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.
Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da tua companhia nos momentos vazios"
(O Convite, de Oriah Mountain Dreamer)
sexta-feira, março 30, 2007
sexta-feira, março 16, 2007
...
Ouvi esta história muitas vezes e, se bem que tivesse presente a ilusão da coisa, muitas tardes de Verão fechei os olhos, no momento-chave, e juro quase ter ouvido esse impressionante som. Depois sentava-me na praia, escrevendo palavras que esperava não serem vistas por mais ninguém, mas que tinham de sair de alguma forma.
Noutros dias, dava passeios à beira-mar, maravilhando-me com a cor... o laranja vivo da areia, os tons roza e cinza do céu. Era um momento de plena harmonia e equilíbrio, estivesse eu só ou acompanhada.
Foi só quando os meus passeios começaram a ser nocturnos e a Lua o foco da minha deambulação à beira-mar, que as coisas se confundiram.
O mar, escuro e não definido, o som das ondas a bater na areia... os pontinhos brilhantes que vemos, quando raspamos a areia molhada, como estrelas minúsculas a brilhar aos nossos pés.
O cheiro a maré, a algas, à noite misteriosa. O vento quente que me invadia, enquanto procurava a tua essência, que nunca surgiu.
- Não se sabe bem qual é um e qual é outro. - ouvi dizer uma vez.
E nunca mais me esqueci...
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Relatividade

quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Desafio
Perguntas de retórica

Porque é que quando passamos pelos outros na rua perguntamos "Tudo bem?" e continuamos a andar, em vez de um simples "Olá"?
O que aconteceria se, quando ligamos para a linha de apoio ao cliente de qualquer rede de telemóveis do mercado e nos perguntam o nome, e se estamos bem, começássemos a desabafar todos os nossos problemas?
Será que se sonharmos uma série de vezes com determinada pessoa, podemos dizer que é a "pessoa dos nossos sonhos"?
domingo, janeiro 14, 2007
Parafraseando...










