segunda-feira, junho 18, 2007

O administrativo




Como é hábito em trabalho social, somos praticamente só mulheres a trabalhar. Muitas mulheres a trabalhar. Muito trabalho. Faz-se sempre um bocadinho de tudo. Muita confusão. Para três espaços físicos, uma administrativa - quase à beira de um esgotamento nervoso.
Enchemo-nos de coragem - e porque não pedir mais uma administrativa?
Depois de várias tentativas, a direcção aceitou. Mas... tinha de haver um mas!!!! Seria um homem. Um administrativo.
E começaram as buscas. Muitos currículos de mulheres, poucos de homens. Currículos excelentes... mas não eram homens.
Quando parecíamos prestes a ultrapassar as dificuldades... mais um mas! Não podia ser um homem qualquer. Teria de ser licenciado em gestão.
Vejamos... um homem, licenciado em gestão, que quisesse trabalhar como administrativo num local de trabalho comunitário e só com mulheres.... não vos parece canja?
Novas buscas. Dias de buscas... semanas... meses!!!
Chegaram dois candidatos. Recém licenciados, à procura do primeiro emprego, portanto.
Mais uma directriz. Estágio profissional. Estágio profissional de gestão para trabalhar como administrativo. AH!!!! A coordenadora de estágio seria uma Educadora de Infância, claro!!!!
Bem, os rapazes lá vieram à entrevista. ELES ficaram de pensar e dar uma resposta se viriam à segunda entrevista.
Um deles veio. Perguntou logo onde seria o seu gabinete. Acrescentou que teria muito trabalho e não poderia atender telefones, nem abrir a porta aos utentes. (????) Com certeza, foi a resposta da Direcção.
NOTA: Ele não sabia que ia ser administrativo.
Ficou mais uma vez de pensar. Se aceitar, vamos ter na instituição um gestor a fazer um estágio profissional sob a coordenação de uma Educadora de Infância. E, claro, ele não faz trabalho de administrativo.
ISTO FAZ ALGUMA LÓGICA PARA ALGUÉM?????

quarta-feira, junho 13, 2007

Sol!!!!

Acordei com um sol luminoso, o céu azul a lembrar-me um Verão prestes a rebentar... soube bem um despertar cheio de luz e promessas sussurrantes de alegria.

Pouco depois surgiu o vento, e as núvens... se calhar não é hoje, ainda, que o calor chega...

Não importa, o sol ficou dentro de mim!!!! Um dia luminoso para ti!

quarta-feira, junho 06, 2007

O Tao do Pooh

Uma pequena maravilha que nos fala dos princípios do Taoismo de uma forma leve, clara e simples e divertida, como só este ursinho poderia ser.
Aqui fica uma canção do Pooh, para nos deliciar:


How can you get very far
if you don't know who you are?
How can you do what you ought
if you don't know what you have got?
And if you don't know which to do
Of all the things in front of you
Then what you will have when you are through
Is just a mess without a clue
Of all the best that can come true
If you know what and which and who

quinta-feira, maio 31, 2007

:(


Sad Lita, today....



... como se pode ter o que se quer, se não se sabe bem se se quer mesmo?????

sexta-feira, maio 11, 2007

Os dias em que não apetece...

... não é que goste particularmente deles.
Surgem do nada. Ou na verdade, sinto-os caminhar na minha direcção antes de chegarem. Correm-me no sangue, sussurram-me na brisa fresca da manhã, avisam-me no cansaço seguido das rotinas.

Mas não lhes ligo, porque tenho a mania que sou forte e que dias destes não me incomodam. Porque penso que posso controlar o meu sentir, o pulsar da vida em mim, e ainda assim viver na íntegra.

Chegam então de rompante... acordo mergulhada neles como insecto numa teia de aranha. Invadida.

Os dias em que não apetece sair da cama.
Não apetece ser forte.
Não apetece seguir sem destino, trabalhar sem motivação, acreditar sem fé.
Não apetece continuar a viver segundo o que pensamos acreditar, e manter o que é seguro, constante, confortável.

Os dias em que - ainda que dentro da segurança dos lençois - nos atrevemos a mergulhar no frágil, inconstante, intemporal e intenso sentido da existência.

quinta-feira, abril 19, 2007

O convite



"Não me interessa qual o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.

Não me interessa que idade tens. Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.

Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te fechaste com medo de outros sofrimentos!

Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues não ter fé e, ainda assim, ser digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, "Sim"!

Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até aos ossos, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.

Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da tua companhia nos momentos vazios"


(O Convite, de Oriah Mountain Dreamer)
Vale a pena ler...

sexta-feira, março 30, 2007

Fields of Gold - Eva Cassidy

Uma versão mágica de uma música perfeita...

sexta-feira, março 16, 2007

...

Existe um momento, ao por-do-sol, em que a estrela brilhante parece tocar no mar; se fecharmos os olhos podemos ouvir o som do fogo a arrefecer nas águas.

Ouvi esta história muitas vezes e, se bem que tivesse presente a ilusão da coisa, muitas tardes de Verão fechei os olhos, no momento-chave, e juro quase ter ouvido esse impressionante som. Depois sentava-me na praia, escrevendo palavras que esperava não serem vistas por mais ninguém, mas que tinham de sair de alguma forma.

Noutros dias, dava passeios à beira-mar, maravilhando-me com a cor... o laranja vivo da areia, os tons roza e cinza do céu. Era um momento de plena harmonia e equilíbrio, estivesse eu só ou acompanhada.

Foi só quando os meus passeios começaram a ser nocturnos e a Lua o foco da minha deambulação à beira-mar, que as coisas se confundiram.
O mar, escuro e não definido, o som das ondas a bater na areia... os pontinhos brilhantes que vemos, quando raspamos a areia molhada, como estrelas minúsculas a brilhar aos nossos pés.

O cheiro a maré, a algas, à noite misteriosa. O vento quente que me invadia, enquanto procurava a tua essência, que nunca surgiu.

- Não se sabe bem qual é um e qual é outro. - ouvi dizer uma vez.

E nunca mais me esqueci...

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Relatividade


No outro dia, fazendo um editorial de um site, dei por mim a reflectir sobre o que é que 32 anos de vida me tinham ensinado.


E lembrei-me dos meus anos de curso. Da forma como no 2º e 3º ano sentia que sabia imenso, qua era claramente superior, pelo menos naquela matéria, do que "os outros". E de como no final do curso me sentia uma tonta, uma perfeita ignorante, uma incapaz, e de como desejei começar o curso do principio, para ler todos os livros, para ir a todas as aulas, para me dar a ilusão patética de que tinha feito tudo o que havia para fazer....

A minha vida, estranhamente, faz o mesmo percurso.

Na adolescência, e nos anos que se seguiram, sentia-me tão cheia de mim. Com tantos conceitos, ideias feitas, certezas do que estava certo e do que estava errado. E, se para os outros a concepção de certo fosse diferente da minha.... obviamente que o erro era deles. :)

O que me dava uma mórbida sensação de insegurança sempre que o mundo parecia sair dos limites do mundinho pequeno e cheio de certezas que eu tinha construído para mim.

Então, e porque a vida me leva sempre para onde eu disse anteriormente "nunca farei", como para me fazer render à evidência da minha própria arrogância, os anos foram-me fazendo perder certezas.

Perder certezas!!!! Foi talvez a maior aprendizagem da minha vida, até agora. Conhecer os outros lados dos "outros". Perceber que ninguém é maioritariamente mau ou bom. Que toda a gente tem a sua razão para fazer o que faz. De alguma forma, isso faz-me sentir mais inteira, hoje.
E na maioria das vezes, não há problema. Pura e simplesmente está certo. Ser fiel à alma.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Desafio




Se tivesses todo o dinheiro e tempo do mundo, e tudo 0 que fizesses estivesse "condenado" ao sucesso, o que farias com a tua vida?

Perguntas de retórica


Porque é que quando passamos pelos outros na rua perguntamos "Tudo bem?" e continuamos a andar, em vez de um simples "Olá"?

O que aconteceria se, quando ligamos para a linha de apoio ao cliente de qualquer rede de telemóveis do mercado e nos perguntam o nome, e se estamos bem, começássemos a desabafar todos os nossos problemas?

Será que se sonharmos uma série de vezes com determinada pessoa, podemos dizer que é a "pessoa dos nossos sonhos"?

domingo, janeiro 14, 2007

Parafraseando...


O ano começa, mas eu ainda estou em silêncio...
Por isso, deixo aqui outras palavras.


Supremo Enleio

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vida foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás-de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás-de encontrar ainda...

Florbela Espanca

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Às vezes esqueço-me...

...do quão pequenina sou neste universo.
Do som das minhas músicas preferidas. Da liberdade de correr na praia, de abrir os braços e inspirar profundamente, de caminhar sem destino e sem pressa.
Do conforto de uma lareira quentinha, de um bom livro numa tarde de chuva, de ficar enroscada num corpo quente, depois de fazer amor.
Do sabor de um beijo, do chocolate amargo, do café, da frescura de um gelado.
Da alegria que me dá o sorriso da minha filha, da sensação do seu corpinho nos meus braços.
Da paz interior em que fico, depois de chorar até não ter mais lágrimas.
Da sensação de amar. De ser amada.
Não me esqueço propriamente destas coisas, mas de AGRADECER por elas. Pela oportunidade de viver num planeta onde estes momentos também são possíveis. Não apenas aqueles que o jornal das 20h nos proporciona.
Que 2007 entre em abundância para todos....

quarta-feira, novembro 29, 2006

Mórbido

Ontem, na rádio, ouvi uma daquelas frases que, supostamente são para nos pôr a pensar. O problema foi que a frase me soou tão mórbida que só me fez rir.
É digna de blog. Aqui vai:

"Quando te sentires verdadeiramente num buraco, pensa que, pelo menos, ainda não te estão a mandar terra para cima."

LOL

segunda-feira, novembro 20, 2006

Existências...


Há acontecimentos na vida que, em questão de segundos, tornam todas as nossas prioridades simples, óbvias e inequivocas.
Passamos dias e semanas, e anos e repensar as nossas escolhas, a tentar perceber o que é que é importante. Algumas coisas são mais importantes que outras, é claro. Mas no dia a dia, nem sempre as tratamos como se fossem assim tão importantes. Elas estão lá.
Então, um dia, numa questão de segundos, olhamos para o lado e a nossa filha de dois anos - que estava ali AGORA mesmo - não está ali. É um sábado de Novembro e, estupidamente, estou dentro de um Centro Comercial.

Não há descrição para os minutos que que passam a seguir.

Para a correria de um lado para o outro, para a mente a tentar lutar contra si propria, para não imaginar os piores cenários possíveis. Para o instante em que pedimos a protecção de Deus, do Anjo da Guarda, ou seja lá de quem for. Para o momento em que vejo a minha vida a passar-me diante dos meus olhos e percebo que nada tem sentido sem a presença desta serzinho que tanto mudou a minha existência.

Para o momento em que me dizem que foi encontrada e em que ela chega de mãos dadas com o segurança, a comer a sua bolacha, super descontraída e me abraça porque acha que estou preocupada.
A sua visão do mundo é tão segura que não se assustou, achou normal o "sinhô" ter ido buscá-la, diz que estava à minha procura. Confirmou as suas crenças de segurança no mundo.
Eu apertei-a nos braços, tentei sair dali o mais rapidamente possível e de repente todos os meus problemas existenciais pareciam nada perante a grandiosa oportunidade que a vida me deu de ter esta criança, de partilhar com ela...

Tudo aconteceu em menos de 10 minutos e sinto que perdi vários anos de vida. E que não tenciono perder mais nada.

segunda-feira, outubro 30, 2006

...

Bateste novamente à porta, hoje. Não acordei, talvez porque uma parte de mim queria ver se estavas bem, se a tua rudeza ainda combinava com o teu encanto.

É estranho, quando surges assim do inesperado, do incontrolável. Ainda não percebi se é agradável ou assustador.
Abri com cuidado, não fosses tu entrar de rompante, levando atrás tudo aquilo que me esforcei tanto por guardar.
Sorriste, pediste licença, sentaste-te em cima da antiga arca da minha avó.
Quiseste um café.
- Mas... tu não bebes café!!!
Sorriste de novo.
- Estou no teu sonho, posso fazer tudo aquilo que te agradar. Como saborear um café contigo.
Bebemos o café em silêncio, olhos nos olhos. O aroma da bebida somado à cor dos teus olhos... o que poderia haver para dizer???

Depois despediste-te e, à porta, olhaste-me de novo.
- Volto quando me quiseres aqui.
- Acho que não vou querer, sabes?
De novo o sorriso.
- Volto então, quando me apetecer...

terça-feira, outubro 03, 2006

Letting go...



O Leão e o Rio

"Depois de atravessar grandes chuvas, o leão foi confrontado com o ter de atravessar o rio que o cercara. Nadar não fazia parte da sua natureza, mas era forçado a fazê-lo se queria sobreviver. O leão rugiu e investiu contra as águas do rio que quase o afogaram antes de ele recuar. Foram muitas as vezes em que tentou a travessia deste modo, mas em todas elas fracassou. Exausto, o leão deitou-se e foi quando se acalmou que ouviu o rio dizer:
- Nunca lutes contra o que não existe.
Cautelosamente, o leão olhou à sua volta e perguntou:
- O que é que não existe?
- O teu inimigo - respondeu o rio. - Tal como tu és um leão, eu sou apenas um rio.
O leão então sentou-se muito tranquilo, a estudar o curso do rio. Passado algum tempo, dirigiu-se ao ponto em que a corrente fluia para a margem e, a deixar-se levar por ela, flutuou até ao outro lado."

in "Não leve a sua vida tão a sério"

quinta-feira, setembro 07, 2006

Minh'alma de sonhar-te anda perdida...


Desde há meses que as relações à minha volta andam a ruir. Depois voltam à homeostase... e continuam a ruir...
Na verdade, isso acontece desde que me conheço por gente, somente há meses comecei a ter algum "interesse científico" na coisa.

O ser humano é um ser curioso, estranho, com um potencial fantástico e uma capacidade de se enganar a si próprio maior do que seria possível imaginar... e no Amor, a coisa não poderia ser mais assim.

O Amor é algo que me fascina (DAH!!!!). O amor, as relações, as dependências, o querer estar sem estar, o não querer estar e estar....
Ontem, a Bisturi e eu falávamos sobre o assunto e chegámos à brilhante conclusão de que estamos sempre a tentar mudar quem o outro é, na esperança de não nos confrontarmos com que acreditamos ser, mas não somos. Utilizando as palavras da minha querida amiga, isso é uma "fricalhice" do caraças. Não estou a falar "dos OUTROS". Eu própria, não poderia ser mais assim.

Temos uma auto-imagem idealizada, de como seria a relação perfeita e do papel perfeito que teríamos nessa relação. Como amaríamos o outro, como ele nos amaria a nós, o que seria suposto acontecer, o que não permitiriamos que acontecesse.
De repente, a relação não é perfeita e o outro não encaixa nada naquilo que tinhamos guardado para ele.
E tentamos desesperadamente mostrar-lhe o quanto é errado ele ser quem é. E quando não o convencemos disso, é terrível termos de confrontar-nos com o facto de nós próprios não amarmos da forma perfeita, permitirmos o que antes não permitíamos, e só nos conseguimos aguentar à bronca dizendo que o culpado é o outro.
Poderíamos sempre ir embora sendo quem somos e procurar outro que fosse quem nós queríamos, não é? Mas não vamos... e se vamos...muitas vezes a alma fica lá, presa naquela forma, naquele instante em que queríamos que o outro fosse quem não era.

Fácil falar... fácil escrever sobre aquilo que o mundo inteiro se dedicou nos últimos séculos. Sim, ao que dizem, o amor romântico é coisa recente.

Há algo em nós que não larga, não larga a forma. Nem sequer é o outro, é a forma como amámos o outro quando acreditámos que ele era quem nós queríamos. É o medo do vazio. É preferível encher essa emoção com infelicidade, parece menos doloroso, paradoxalmente. É mais fácil morrer de amor do que viver desistindo dele.

Será isso Amor? Eu não sei. Dizem que só nos apaixonamos por nós próprios e a paixão morre,quando vimos no outro a sombra que também somos. Uma coisa é certa... é tão fácil perdermo-nos no turbilhão de emoções dessa viagem. É tão fácil não querermos sair de lá.

"Minh'alma de sonhar-te anda perdida,
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és, sequer, razão do meu viver
Pois tu és, já, toda a minha Vida.

Não vejo nada, assim, enlouquecida.
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida.

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa."
Quando me dizem isto, toda a graça
De uma boca divina fala em mim.

E, olhos postos em ti, digo de rastos
"Ah!Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como Deus, Princípio e Fim."

Florbela Espanca

terça-feira, agosto 08, 2006

Sínteses


"Não podemos resolver um problema no mesmo nível de consciência que criou o problema."

Albert Einstein

E, se não estou em erro, também o autor de: "Estupidez é fazer o que sempre fizemos na esperança de obter resultados diferentes."

E faz algum sentido, não?

Diz-se que a síntese é quando se faz o salto de consciência para um degrau acima, fazendo a triangulação entre a tese e a antítese.

À síntese e a novos desafios!!!!

Que os velhos já morreram e ninguém deu por isso...

No início era o verbo...


Se a imagem vale mais que mil palavras, sem dúvida que a escrita materializa a palavra e a torna palpável, leve ou pesada, áspera ou suave ao toque, doce ou amarga.

Escrever pode ser um escape, uma catárse, uma maldição dos sentimentos.
Escrever pode dar um tom mais sépia à nossa rotina cinzenta. Para mim, serve-me como combustível onde me alimento, onde me desgasto.

Posso criar mundos com a palavra escrita, renasço neles sob a forma que me convém, transmuto-me e refaço-me de acordo com o que preciso. Posso dar cor ao pormenor, trazer ao de cima a partícula do momento que o tornou eterno e imortalizá-lo numa folha de papel. É um poder que se manipula, utiliza, se sente.

Mas não se controla.

Há aquelas alturas em que é a escrita que nos surpreende, é ela que acorda em nós pedaços adormecidos de memória, retalhos de sentimentos bolorentos e escondidos...
... como se o seu poder fosse tão imenso que perfurasse directo o tempo e o espaço - tornando-os inexistentes - e acordasse em nós instantes imutáveis de vida.

Sou esmagada por esses instantes, mas não deixo de brindar aos milagres da vida, por nos trazerem sempre de volta à verdade...