quinta-feira, dezembro 04, 2008
Família
Eu sou uma desterrada. É verdade, hoje penso que já não pertenço bem a lado nenhum. Ou, pela positiva, sou uma cidadã do mundo. O que quero dizer é que a minha família alargada (à excepção dos meus pais) se encontra a 300Kms de distância. Por isso, sim, no meu caso, é altura de falar com tios e primos que não vejo há meses. E isso é bom!
Mas não é do Natal que queria falar. Queria falar de família, e do conceito de família.
A minha mãe é uma entre 13 irmãos. Juntamente com as duas irmãs mais velhas, foi criada por uma tia, que não tinha filhos. Naquela altura distribuíam-se os filhos pela família... :)
O meu tio mais novo nasceu quando eu tinha 4 anos, por isso, nunca lhe chamei tio.
Enquanto vivi por perto, as minhas referências na infância sempre foram na casa daquela tia que criou a minha mãe e que vejo mais como uma avó, e com as minhas duas tias e os filhos destas, os meus primos.
Ir a casa da minha avó biológica era uma aventura, porque havia tantos tios e tias - alguns com a minha idade - e tantas outras pessoas, que nunca foi simples perceber as ligações entre eles. Sim, porque para além de tudo isto a minha avó também é uma entre nem sei bem quantos irmãos.
O grande problema é que, entretanto, mudei de casa e vim viver para Lisboa. Quando ia de férias, o meu local era a casa da praia da minha avó paterna e pouco mais. E fomos todos crescendo.
Hoje, esses 12 irmãos da minha mãe têm filhos. Alguns desses filhos, têm filhos. E eu juro que não sei o nome de quase nenhum.
No outro dia, fui almoçar a Olhão, com uma amiga, o meu marido e a minha filha. Acabámos num parque infantil, onde ela rapidamente fez amizade com algumas crianças. Qual o meu espanto quando surgem 3 tios meus, que me conheceram e me dizem que as crianças com quem a minha filha brinca, são os primos dela????
Foi divertido, conversámos, tirámos fotos, os miúdos ficaram excitadíssimos. Senti uma coisa que nunca tinha sentido antes... falta de raízes.
Sempre me habituei a considerar família os meus pais, os meus avós e primos paternos, a minha tia-avó, as tias que cresceram com a minha mãe e os seus filhos. Mais tarde, a família próxima do meu marido. E os meus amigos íntimos.
Naquele dia apercebi-me que existe uma família gigantesca que eu mal conheço, histórias que não vivi. Não é importante no dia a dia. Naquela tarde, porém, houve uma sensação estranha.
O que é, afinal, a família? O "sangue chama ao sangue"? Ou é tudo construído? Fiquei na dúvida...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Cruzamentos
Considero-me muito mais do que isso, o trabalho é uma parte de minha vida, à qual não quero dar demasiado ênfase, até porque tenho outros trabalhos, e ainda outros propósitos, para além de interesses pessoais, vida familiar, social, e por aí além.
Quando trabalho, gosto de me entregar, de me dedicar. E gosto, nos outros momentos, de me entregar ao resto.
Não gosto... quando começo a pensar no trabalho, em casa. Detesto sonhar com o trabalho.
E vou fazer qualquer coisa em relação a isso...
terça-feira, dezembro 02, 2008
domingo, novembro 30, 2008
Desculpas de miúdas...
Hoje acordei com esta história na cabeça...Estávamos em pleno Agosto e eu devia ter uns 12 ou 13 anos. Naquele ano andávamos todos juntos, dois rapazes e quatro raparigas. Para além da praia, durante o dia, e das idas até à gelataria, à noite, adorávamos fazer longos passeios.
Um deles era ir até à "Barrinha", não a nova, criada artificialmente há uns anos, mas a antiga, que ainda ficava a uns bons quilómetros da minha casa.
Adorávamos! Levantávamo-nos, mal o sol despontava, vestíamos o biquini, a t-shirt por cima, um chapéu, e lá íamos, ao longo de umas belas horas, rindo, conversando,dando um mergulho quando o calor começava a aumentar.
Chegados lá, o espectáculo sobrepunha-se a tudo o resto. O Oceano e a Ria, num encontro selvagem e intenso. Nada mais. Ali, a pegada humana era praticamente nula.
Sentávamo-nos na areia, a descansar o corpo e alimentar a mente. Por vezes, íamos ao banho. Outras, os rapazes acabavam por encontrar zonas com muito berbigão e o problema era encontrar alguma coisa para o guardar.
Finalmente regressávamos,exaustos, mesmo na hora do calor e, sobretudo, famintos. Cada um seguia para sua casa e voltávamos a encontrar-nos bem mais à tarde, para ir novamente à praia, ou jogar às cartas.
No dia anterior ao passeio, percebi, entre conversas, que nenhuma delas estava com vontade de ir e o motivo era o mesmo que o meu. Menstruação. Caminhar durante horas, ao calor, naquelas condições, não era o mais adequado. Mas tínhamos vergonha de dizer aos rapazes, apesar de não nos lembrarmos de nenhuma desculpa plausível. Finalmente, resolvemos dizer a verdade, e porque não?
A conversa foi simples. Fomos ter com eles, meio encabuladas e dissemos que não podíamos ir no dia seguinte.
- Porquê?
- Estamos com o período. Ir ao sol até à Barrinha não faz sentido, não nos sentimos confortáveis.
Eles olharam os dois para nós,um ar estupefacto,e depois um para o outro. E a reacção foi exactamente a mesma.
- Vocês são mesmo estúpidas!
- Se não queriam ir, diziam que não queriam ir!
- Agora arranjarem essas desculpas de miúdas é mesmo mau.
- Deixem estar, vamos sozinhos.
E, rodando nos calcanhares, foram-se embora furiosos e deixaram-nos abismadas a olhar para eles!
Foto:http://flickr.com/photos/74448686@N00/2756745817
sexta-feira, novembro 28, 2008
Encruzilhada - para a A.
Com isto, não quero dizer que não apareçam novas oportunidades e escolhas. Quero apenas dizer que amanhã as circunstâncias não serão iguais a hoje.
Eu sei que não está fácil, que te sentes dentro de um espaço pequeno, sem portas nem janelas, e a cada brecha de luz gritam-te aos ouvidos "Tens de fazer aquilo que está certo", "tens de pensar nos outros", "tens de fazer sacrifícios, toda a gente tem".
Ouve, aquilo que, mesmo sem consciência, te estão a dizer é "não abanes muito porque assim está bem - para nós!", "tens de fazer aquilo que está certo - para nós!", tens de fazer sacrifícios para que nós não o tenhamos de fazer!".
As nossas escolhas têm um preço. Podem chamar-lhe sacrifício, eu prefiro chamar-lhe preço. Há um preço a pagar pela tua liberdade. A eterna dúvida sobre se terá sido o melhor, menos dinheiro, uma casa mais pequena, muitos ajustes e o olhar de crítica dos outros sobre ti. A seu tempo, novas oportunidades, novas pessoas, novos desafios.
Há, também um preço, para ficares aí. Esse ninguém notará. Porque será interno. A desistência de todas as coisas que não viveste e que sentes que queres viver. O definhar, que eu já sinto em ti, a morte lenta de quem não acredita ter o direito de viver. Mas algum conforto, o orgulho dos outros por teres sido "uma boa menina". E, a seu tempo, novamente, novas oportunidades e novos desafios.
Nenhum é, realmente, melhor ou pior do que outro. O peso de cada escolha, está apenas no teu coração. Para mim, amiga, não importa o que escolhas. Dar-te-ei a mão.
terça-feira, novembro 25, 2008
segunda-feira, novembro 24, 2008
Desafio
A Carol desafiou-me e cá vai:1.Colocar uma foto minha.
4-Como descreves a tua última relação: So destructive
8-Como é a tua vida? Sweet Sensation
9-O que pedirias se apenas tivesses um desejo? Plenty more
10-Escreve uma frase sábia: Love Is All Is Alright
sexta-feira, novembro 21, 2008
Misturas
A melhor amiga, aquela que acompanha em silêncio, para observar e comentar, "não é que seja necessário, mas sinto-me sempre mais confortável se fores, és uma espécie de segurança interna... como se a segurança interna viesse de fora!". Parecia meio aborrecida, mas não sabia se realmente o estava, afinal anti-social, era o que sempre fora, se bem que ultimamente parecia bastante melhor. Continuaria, ainda, a não gostar deles?
E ela deambulava, praticamente sem rumo, ao longo da mesa, como desejava saber de todos, mostrar-lhes o quanto os amava, a importância que tinham tido na sua vida. As companheiras, e namorados, que viessem, queria conhecê-las, também. Até a ela. Mesmo a ela.
Contava, ouvia, queria absorver o máximo daquelas duas horas que não teriam significado nenhum para os outros, ou teriam? Mais do que uma vez lhe tinham demonstrado de que partilhavam, ainda, as mesmas memórias, os mesmos sentimentos, apesar da forma diferente de os comunicar?
Um deles perguntara: "Então, continuas a ajudar pessoas a entrar para a universidade em 3 meses?" E ela respondera "Cala-te, não falo contigo.", assim meio atabalhoadamente, porque não era a hora, nem o momento. Porque não dava para dizer ali "não me apetece falar de trabalho, nem de divergências. Eu não sou, nunca fui do teu partido político, nem percebo as tuas visões, mas não é por isso que deixava de te pedir boleia, de te abraçar quando estava triste ou de ser a tua parceira de matrecos. O que é que importa o que é que eu faço se eu estou aqui e quero saber se és feliz?"
O casal preferido, que ela tanto amava e que acaba, através de uma meia piada, por descobrir que a mulher desconfia de segredos existentes entre o marido e ela,"Bolas, claro que existem segredos, conheci-o muito antes de ti, temos histórias em comum, conhecemos instantes um do outro, nenhum daqueles que tu estás a imaginar, mas, ainda assim, não tos direi. Não significa que não te ame."
A amiga de infância, de quem nunca se sentira realmente próxima, porque não eram feitas da mesma matéria, mas nadaram juntas, gritaram, brincaram, riram das mesmas piadas, abriram a pista tantas noites, ao som de "Roxanne", enquanto a prima canadiense descompensava de alegria. Por isso, chamava-lhe maninha e o seu coração alegrava-se com a sua presença. Apesar de tudo.
O ex-alcoolatra, que era apenas um gajo fixe quando o conhecera, mas cujo coração puro lhe fazia desconfiar que poderia não "sobreviver" à Selva que era existir para mostrar e não para ser. Agora, amargo, calado, doente, mas um sorriso. Ainda assim, viera. E isso dizia tanto.
O ex-amante, que a olhava de soslaio, sem o dar a entender, aquele idiota que nunca tinha dito as palavras que ela ansiara durante anos ouvir, e que não eram "amo-te" (bem, essas também eram), mas sim a mensagem de reconhecimento, "estive aqui, partilhei isto contigo". "Idiota, se não foi importante, porque é que estás tão desconfortável? Eu estive lá, sabias?"
Não eram os "seus amigos" actuais. Não viam o mundo como ela, nem sentiam as coisas, ou falavam das ideias, não liam os livros, não vibravam na sua energia. E, apesar de tudo isso, amava-os de todo o coração. Era ali que queria estar. Não eram as condições ideias, mas eram as que tinha.
O seu amor, que, ainda inconscientemente, sabia de tudo isto. E mantinha-se, tão calmo quanto a melhor amiga, observando, esperando, sabendo que o nervoso dela acalmaria no final da noite e que, talvez não logo, porque as memórias demoram tempo a reencontrar o seu lugar, mas logo que pudesse regressaria aos seus braços. Ela também sabia disso.
quinta-feira, novembro 20, 2008
Tareia energética
Tenho o hábito de tentar ver os outros pontos de vista, e o hábito ainda mais idiota de acreditar que os outros também o querem ver... wrong....
Adoptei o puro e duro "não quero ouvir, não quero saber"! Quem não gostar, que beba uma água das pedras...
quarta-feira, novembro 19, 2008
Galinha doméstica
Devia ter uns 6, 7 anos. Vivia, com os meus pais, na casa do meu bisavô, que ainda era vivo na altura, e com os meus avós paternos. Sim, é verdade, a casa era verdadeiramente grande. Grande e com um imenso jardim à frente e um quintal interior. Penso que a minha infância teve muito a ganhar com isso, tal como a imaginação, que não parou de crescer até hoje.
Para além da minha gata, tinha um coelho (já nem me lembro porquê) e um porquinho da índio, que o meu colega da terceira classe, o Nuno Gouveia, me ofereceu, também não sei muito bem porquê. Imagino que seria para se livrar das dezenas de crias que os porquinhos das índia costumam ter.
E a minha avó tinha galinhas. Poucas, mas tinha.
Ainda não sei a resposta, mas estaria, sem dúvida naquele quintal. Os animais começaram a adoecer e apareciam mortos de um dia para o outro. Ninguém o conseguia explicar. Morreu o coelho, o porquinho da índia e, por fim, as galinhas. Sobrou uma, branca e com aquele característico ar de estúpida, que as galinhas têm (perdoam-me o raio dos bichos que não têm culpa). Foi então que a minha avó, vendo a galinha doente e a caminho do mesmo destino que todos os outros, resolve salvar o animal.
Era engraçada, a minha avó. Como boa aquariana, as coisas que pareciam estranhas aos outros, para ela eram absolutamente normais. Imagino que o facto de ter sido criada por ela formatou alguma coisa em mim.
Como tal, pega na galinha e leva-a, a ela e a mim, para a nossa casa na praia. Uma casinha em madeira, pequena, com um belo pátio e, claro está, na praia. :)
E esse foi o Verão em que tive uma galinha como animal de estimação. A minha avó fez-lhe uma casa, com caixas de papelão, onde ela dormia a noite toda. De resto, andava solta pela casa, cacarejando com a alegria de passar férias na praia! Afinal não era assim tão estúpido, o bicho. Tinha o cuidado de fazer as necessidades apenas no pátio e nunca dentro de casa. Durante o dia, dormia estrategicamente num dos lados do sofá cor de laranja que estava no pátio, sempre do lado onde batia o sol. Melhorou, engordou e começou a achar que era pessoa.
Ao almoço, tentava esvoaçar para cima da mesa, especialmente na hora da fruta, pois gostava particularmente de uvas. Hoje, quando me lembrei disso, também me lembrei de que naquela altura nada daquilo me pareceu estranho, que se alguém fez comentários sobre a galinha doméstica, não me recordo, que os meus amigos brincavam com a galinha como se fosse um cão. Ainda não tinha padrões limitados para aquilo que poderia ser um "animal doméstico politicamente correcto".
Percebi depois, no meio de algum horror, porque é que não se deve adoptar uma galinha como animal doméstico. De facto o bicho ficou bom e isso foi comemorado com um arroz de cabidela que não consegui comer e não consigo comer até hoje.
Foi quando decidi ficar-me apenas pelos gatos.
terça-feira, novembro 18, 2008
Noite
Acordei pelos pequenos toques, que raramente me despertam. Acordei com a preocupação de me dirigir até ela, colocar-lhe a mão na testa e verificar se ainda está com febre. Acordei porque "mamã, tenho sede", ou porque "me dói a barriga", ou porque "não consigo dormir."
Às vezes a noite prega-me partidas, com algumas horas de vigília. Nessas alturas, reflicto sobre tudo e mais alguma coisa, levanto-me para comer, inevitavelmente, acendo o candeeiro e pego no livro da cabeceira. O sono chega por si mesmo. Não é trágico.
Esta noite, porém, a insónia carregava preocupações a mais, pensamentos a mais, frio a mais. Era pesada. Devia ter acendido a luz. O livro estava mesmo ali, a 60 páginas de terminar. Não me devia ter permitido carregar a noite, ao longo do dia...
segunda-feira, novembro 17, 2008
Interrogações
Esse texto chamava-se "a frase da minha vida". Estranhamente, é através dele que mais pessoas passam por aqui. Descobri,um destes dias, 86 buscas no google - que tinham chegado ao meu blog - com o tema "a frase da minha vida".
Eu escrevi um texto sobre frases que, para mim, eram significativas, pois estavam presentes na minha existência como um padrão. Imagino que cada um terá as suas. No entanto, pergunto-me: porque é que hei-de ir procurar "a frase da minha vida" à Internet?????
Mistérios...
domingo, novembro 16, 2008
sábado, novembro 15, 2008
Enleios
Com a miúda meio adoentada, vi-me restringida a um quarto de criança, um portátil, no qual não consegui elaborar uma frase decente a tarde inteira, e a M.
Fomos cordiais uma para a outra e eu tentei ocupar-me, enquanto ela lia uma história à minha filha. Os olhares trocados deixam questões sem resposta. Não com respostas que poderão não ser ditas, ou que precisam de tempo. Mesmo sem resposta. Ela continua a temer-me, a olhar-me como se eu a desnudasse facilmente. Eu continuo a não ter menor noção daquilo que sinto em relação a ela, às suas atitudes, às suas escolhas, ao facto de frequentar a minha casa e falar do meu marido, como se o conhecesse melhor do que eu. Por vezes, pergunto-me se o fará de propósito. Se necessitará de demarcar um espaço no qual, pensa, eu não tenho entrada.
Confesso que essa parte me irrita. Não o espaço que ela partilha com ele, mas a sua necessidade de o expor sempre que pode.
Do outro lado, a evidência de que, num universo paralelo, aquela mulher poderia ter sido minha amiga. Temos as mesmas raízes, histórias parecidas, gostos comuns. Falamos dos mesmos livros, dos mesmos filmes, de uma espiritualidade similar. Uma vez ela chamou-me irmã... e eu emocionei-me. De verdade.
No entanto, ela ainda odeia a vida que viveu, anda de espada em punho e percorre as suas estradas tendo o mundo e os seus habitantes como inimigos. É ai que somos totalmente opostas.
Eu amo as minhas experiências, as minhas memórias, os meus sonhos, as minhas pessoas - as que conheci e as que se cruzarão comigo. Eu reconheço, também, a minha mão, nos traços que desenharam a minha história. Ela culpa tudo e todos pelo que não lhe sorri.
Neste momento está apaixonada. Talvez o amor a adoce. E nesse percurso talvez eu tenha tempo de a conhecer melhor e perceber a confusão enublada de sentimentos que me evoca.
Coisas que todas as mulheres casadas devem pensar, pelo menos, uma vez na vida
sexta-feira, novembro 14, 2008
Limpezas
quinta-feira, novembro 13, 2008
Eu, ele e a Marta - take1
Em adolescente, era bastante fechada, no que dizia respeito a emoções, histórias passadas e tudo o mais. A Marta "apaixonou-se" por esse mistério à minha volta, dizia que iria descobrir de onde eu vinha, o que escondia, "por que razão os meus olhos desafiavam o horizonte". Foi assim que nos tornámos amigas. Ela tinha, de facto, ideias muito próprias, muito "à frente" e era difícil acompanhá-la. Hoje em dia, por vezes, penso nela e percebo o que deveria sentir, naqueles tempos.
Ele conheci um pouco mais tarde. Foi o meu primeiro namorado a sério. Ao contrário da Marta - e por inúmeros outros motivos - não é uma pessoa de quem me lembre, hoje em dia. Mas naquela altura, tinha 17 anos, estava apaixonada e achava que iria ficar com ele para sempre. Não achamos sempre? :)
Como quase toda a gente que conheço, fizemos a viagem de finalistas a Benidorm. Éramos meio loucos. Bebíamos muito. Muito inconscientes.
E foi numa noite dessas, num passeio na praia, sentada num banco a conversar com um colega, que olhei para o lado e, um pouco mais à frente, dei de caras com Ele e a Marta a beijarem-se!
Gelei. Houve uma parte de mim que morreu nesse dia. Porque havia coisas nas quais eu ainda acreditava.
Éramos muito jovens, estávamos muito ébrios. Falei com ela, mais tarde. As explicações dela faziam sentido, para o mundo dela. Não para o meu, nessa altura. A relação com ambos reatou-se, mas o fogo foi-se extinguindo.
Com ele, acabou da pior maneira possível. Com ela, fomo-nos afastando. Não fui ao casamento dela, apesar de ter sido convidada.
Nele não penso, porque a pessoa que ele era, não é, de todo, quem eu quero perto de mim. Nela penso, porque nunca chegámos a conversar verdadeiramente sobre o assunto. Nunca lhe disse que não lhe guardo qualquer rancor, que por um lado lhe agradeço, porque foi a primeira a mostrar-me quem ele era e as atitudes dela me ajudaram a crescer, muito. Que gostei muito de a ter conhecido.
Nessa altura, tinha sido apenas uma situação. Não sabia o impacto que o nome Marta teria, ao longo da minha vida.
quarta-feira, novembro 12, 2008
Filtros
Sim, eu mereço!!!!
Assim como a outra amiga, que tem um casamento despedaçado desde, quase, o dia em que se casou - e já passaram 10 anos. Também me dá a visão de uma mulher que está presa a um homem com mentalidade de avô, que a prende em casa, não lhe permite respirar, não a trata com o carinho devido e a quem ela não pode pura e simplesmente largar, porque "a vida não é assim tão simples, tem 3 filhos e não é fácil para uma mulher sozinha, etc." Também a essa eu apoio, e ouço, e nem sequer entendo como é que ela permite que determinadas coisas aconteçam.
Mas vem o momento em que ela arrisca e pede um tempo, ele vai e, em menos de um mês, já arranjou outra, ela arrepende-se e ele volta para casa!
Mais uma vez, eu mereço!!!
Se calhar é esse o meu papel, enquanto amiga. Apoiar. Mas sempre com a consciência que as mentiras que contamos a nós mesmos, muitas vezes, servem como desculpa para acusar o outro. Que, provavelmente, nenhuma delas deixa bem claro, à outra parte, o que quer, quais as reais expectativas. Dizem-nas a mim, mas não a eles.
Muitas vezes, o outro age com base nas suas próprias expectativas e nas "mentirinhas" que deixamos que ele acredite, com medo de pagar o preço por aquilo que realmente queremos. E depois sofremos porque ele não faz aquilo que nós realmente queríamos que fizesse, mas não sabe, porque nós não lhe dissemos, com medo que ele não fizesse. (Sim, dito assim parece absurdo, mas existe por aí alguém que não tenha telhados de vidro? Eu não sou.)
A verdade é que as relações são uma dança, se damos um passo à frente, antes de ser a nossa vez, podemos pisar o outro. E se damos demasiados passos atrás, sem perceber que também temos de andar para a frente, corremos o risco de tropeçar nos próprios pés. Há uma fluidez nos compromissos daquilo que eu quero e do que o outro quer. Que são construídos lentamente. Mas também há momentos em que, se gostamos de salsa, não podemos continuar a dizer que não nos importamos de dançar tango. Até porque o outro pode gostar da dançarina de tango, mas nunca será suficiente, porque não conhece a dançarina de salsa, que é o que realmente somos.
terça-feira, novembro 11, 2008
Vendida...
Meia Estação
Porque somos simpáticos, mas por vezes damos respostas tortas, ou somos sisudos e podemos soltar uma gargalhada fresca e sonora, do nada. Porque nunca gostei nada de rótulos, mas vivo num mundo virado para a catalogação geral.
Porque tudo o que é fora do nosso mundo é chamado de estranho e por vezes temos vontade de ser extravagantes (sinónimo para fazer coisas não consideradas normais no nosso mundo).
E porque o dia só tem valor porque existiu uma noite, só sabemos o que é estar alegres porque, um dia, já sentimos tristeza, porque só sofremos de amor porque esse amor já nos invadiu a alma com um sorriso...
Porque me aborreço, ou não gosto, ou não ligo, mas a verdade é que gosto da tua humanidade. Sem ela, não serias especial. Não serias tu!!!
Aceito-te! E não é com conformismo. Aceito-te mesmo! Abro-te os braços...
segunda-feira, novembro 10, 2008
domingo, novembro 09, 2008
O homem do condomínio (para a K.)
Um homem. Duas identidades. Uma missão.
Como qualquer super-herói, este não é excepção e vive duas vidas distintas. Por um lado, o menino mimado que não conseguiu sair de casa dos pais, apesar de ter 365 anos e alguns cabelos grisalhos. Ainda gosta da comidinha da mamã, que fica acordada até ele chegar, o que faz com que tente não dormir fora para não sobressaltar a senhora. Independente, sim, pensa nisso, mas talvez um dia.
Não se enganem, no fundo, esta é a desculpa que esconde o verdadeiro motivo pois... ele é o Homem do Condomínio.
"tam, tam... tam, tam, tam, tam..."
Não tem horas para dormir. Não tem horas para chegar. Amigos? Muitos, mas raramente o vêem. Namorada? Ah... não tem tempo para relações.
Se uma lâmpada se funde, ele está a caminho. As contas não foram pagas? Não temam... a mão que tudo resolve não pára.
Telemóveis? Perde-os no vão de escadas, depois de reuniões intermináveis em que nada mais importa que não a Resolução dos Problemas!!!! Ele é o Homem do Condomínio!
"tam, tam... tam, tam, tam, tam..."
Tenta ir às festas de aniversário, que são muitas. Afinal, tem de provar aos outros que tem uma vida normal, e qualquer pessoa pode ser um futuro cliente. Simpático? Sempre. Apresentável? Todos os dias. Disponível?.... Amigos, este homem tem uma missão e todas as prioridades vão para os moradores porque... ele é o Homem do Condomínio!
"tam, tam... tam, tam, tam, tam..."
Um dia pode parar. Um dia talvez pense em família. Talvez em casa própria. Mas por agora, terá de continuar a ser o menino da mamã, incompreendido por todos e disponível só para alguns.
Ele é o ...
Homem do Condomínio!!!!
"tam, tam... tam, tam, tam, tam..."
sexta-feira, novembro 07, 2008
Birra
Quero que os desafios adormeçam por dois ou três dias.
Quero não ter nada para fazer e poder sentar-me para ler o dia todo.
Quero ir dançar!
Quero matar saudades das pessoas de quem gosto e não vejo há tanto tempo.
Quero ir para casa!!!!!!
E agora, que já me atirei ao céu a espernear, vou tentar trabalhar um pouco, que hoje isto não está fácil!
quinta-feira, novembro 06, 2008
Lita...
Ele - Lita?
Eu - Sim?
Ele - Onde vais guardar isto?
Eu - Podes pôr em cima da cama que já arrumo.
Ele - Lita?
Eu - Sim?
Ele - A que horas sais de casa amanhã?
Eu - Ainda não sei... devo ter umas seiscentas horas a mais para gozar...
Ele - Lita?
Eu - Sim?
Ele - Nada. É só para treinar o nome...
...
quarta-feira, novembro 05, 2008
Outro dia...
terça-feira, novembro 04, 2008
Ainda sobre bolachas...
Ontem comprei um pacote de bolachas que acho deliciosas, e ao arrumá-las, começo a ler os ingredientes, que passo a citar:
"Farinha de trigo, recheio de fruta, estabilizador, sumo de maçã, amido, canela, passas, açúcar, gordura vegetal, dextrose, leite em pó gordo, sal, levedantes químicos, aroma."
Até aqui tudo bem, apesar dos nomes assustadores dos ingredientes com que fazem as coisas que comemos. Mas eis que, em baixo, em letras mais cheias aparece:
"PODE CONTER: OVO, AMENDOIM, SOJA, FRUTOS DE CASCA RIJA, SÉSAMO"
????
Pode conter????? Supostamente não contém ou, imagino eu, viria nos ingredientes. Pode conter???? Género, hmmmm, vamos fazer as bolachas num dos recipientes já usados para outra coisa qualquer? Ou, hoje estou aborrecida, vou variar e colocar-lhe nozes? ou, upppps, lá deixei cair 3 ovos lá para dentro? Ou, hmmm, isto hoje ficou um bocado líquido. Pode ser que a soja melhore a massa...?
Pode conter????
Sim, deve haver alguma explicação plausível, até porque não é a primeira vez que me deparo com uma coisa destas. Agora que não me convencem... não me convencem!!!!
segunda-feira, novembro 03, 2008
Bolachas saudáveis
K. - Estas bolachas de chocolate estão a dar-me uma enorme dor de barriga.
Eu - É normal, já comeste quantas?
K. - Quase meio pacote.
Eu - O que é que estás à espera?
K. - Oh! São bolachas de chocolate muito saudáveis!
Eu - Bolachas de chocolate muito saudáveis????!!!!
K. - ... são. Olha, deixa cá ver os ingredientes. ... Têm triguinho... saudável!!!!
Fantasmas de mim
Assim que passo a ponte, o volante guina-se suavemente para a direita, como se não fosse eu a autora do acto. Vou devagar. A meu lado, descalça, caminhando pela estrada, que em dias mais quentes queima a planta dos pés, o fantasma dela segue serenamente.
Coincidentemente, os lugares estão ambos vazios. Havia um tempo em que ela tinha de colocar grades vazias, para permitir que as pessoas chegassem ao quiosque.
O silêncio reina, quando desligo a chave. Olho para o pátio. Agora ela saí pela porta da frente, observando a estrada. O olhar atravessa-me, procura um vislumbre da natureza, por entre os dois prédios da frente. Houve um tempo em que eram apenas casas com telhados pontiagudos.
Senta-se no sofá laranja, e suspira, antes de abrir o caderno de capa preta, para rabiscar coisas que não consigo ler, mas sei o que são.
Desvio o olhar. Subo a passadeira, achando que não me seguirá. Mas ali está ela, sentada, no lado esquerdo, ainda a escrever. Desço para a praia, e inspiro a brisa salgada, as baterias a carregarem a uma velocidade vertiginosa, as emoções a aflorarem entre um misto de euforia, saudosismo e identificação. As lágrimas surgem, mas não descem, ficam suspensas entre quem fui e quem sou, reconhecendo que a matéria é a mesma, mas que a forma é totalmente diferente.
Sento-me, os dedos enterram-se nos grãos de areia e ela continua por ali. Mergulha sozinha e nada até quase não ser vista, apanha conchas, grita como uma louca, de braços abertos, chora desalmadamente deitada a meu lado, raspa a areia à luz das estrelas, só para a ver reluzir, embala-se nos sonhos mais profundos. Se sabe que ali estou, finge não me ver. Mas não sei ao certo se o sabe...
Quando regresso, continua ali, sentada no banco, olhando um por do sol que eu não vejo, esperando as estrelas e os sonhos. Deixo-a lá.
"És apenas um fantasma." - murmuro.
Sou bloqueada por uns braços que me olham com comoção, como se o fantasma fosse eu.
- Lita! - diz a vizinha Inácia. - O meu coração deu um salto quando te vi subir a passadeira. Nem queria acreditar que eras tu.
Abraço-a, enquanto o nome carinhoso me ecoa por todo o corpo, o conforto da infância, a segurança das ligações eternas, as noites dos jogos, as fogueiras, as escapadelas pela janela e a dança. As intermináveis noites de dança "em frente à água".
Não és um fantasma. És feita da mesma matéria que eu, tal como esta areia, esta brisa salgada, a estrada demasiado estreita para tantos carros, mas que não deixa de ser concorrida por causa disso. Eu é que te abandonei, porque doía demasiado. Ainda dói um bocadinho. Mas és parte de mim. E eu quero-me inteira.
Refreshed
Até porque aquilo que se procura já lá não está, ficou algures, preso no tempo e no espaço.
De qualquer modo respira-se.
Amacia a pele, abre sorrisos, faz brilhar os olhos.
E depois regressa-se.
O coração murcho, mas a alma inteira.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Instantes
O vestido, de tecido leve, dançou-lhe nas pernas.
Sentiu-me feminina, bonita.
Há algum tempo que não tinha essa sensação.
Desencontros
Ao vivo, vimo-nos cerca de 4 vezes, imagino, apesar de só me conseguir recordar de 3.
Antes disso, ouvia falar dela com frequência, por intermédio de amigos comuns. A empatia, foi à primeira vista, e total.
Trocámos nºs de telefone e mails.
Em ciberconversas partilhámos sonhos, confidências, desilusões. Criámos projectos que nunca se concretizaram, mas nos quais continuamos a colocar um pouco de energia.
Estranhamente, faz parte daquele círculo de pessoas de quem a minha alma se encontra mais próxima.
Tentámos muitas e muitas vezes encontrarmo-nos. Mas... uma de nós estava doente, a viagem não se concretizava, o trabalho não permitia sair mais cedo.
"Voltaremos a tentar!"
Inesperadamente, consigo um fim de semana para ir lá. Envio-lhe a mensagem surpresa.
- Tomamos café, no sábado, depois do almoço?
Responde-me:
- Este fim de semana vou para aí, ver um concerto. Regresso no domingo.
É quando eu volto de lá.
Há coisas que não têm de acontecer...
Samhain
...
Esta é também uma boa altura para nos libertarmos de fraquezas, defeitos e vicios, o nome dos quais podem ser escritos em pedaços de papel e queimados no caldeirão. Um costume é acender uma vela laranja à meia noite e deixa-la acesa até ao nascer do sol para dar boa sorte no ano que chega. Velas pretas são também usadas para banir energias negativas. Outro costume, claro, é esvaziar e carvar uma abóbora, e acender uma vela lá dentro, criando assim uma lanterna. "
in http://castelodalua.net/
quinta-feira, outubro 30, 2008
E hoje...
Efémero
O rapaz, alguns anos mais velho, olhava de vez em quando e elas fingiam não perceber. K. acabou por ir comprar os bilhetes, deixando-a sozinha ali e, nesse instante, ele aproximou-se dela, sentando-se.
- Sabes explicar-me onde é que se troca de comboio para ir para Albufeira?
- Para Albufeira não é preciso trocares. - respondeu ela, tentando não rir perante o olhar incrédulo de K., ao mesmo tempo que se questionava se ele usara a pergunta para se aproximar, ou não saberia mesmo nada de comboios no Algarve. - Só trocas em Tunes, caso queiras ir para os lados de Lisboa.
Foi o início de uma conversa que durou mais de uma hora (os comboios eram bastante lentos, na altura!!!). Ele era de Aveiro, tinha duas irmãs, vinha ter com uns amigos que estavam a acampar, perguntou se queriam ir ter com eles um dia destes e elas responderam que não, que tinham casa na Ilha de Faro e passariam lá o Verão. Não era provável que fossem para Albufeira. Não lhe explicaram que tinham apenas 14 anos e que a avó dela ficaria escandalizada com a ideia de irem as duas para Albufeira em busca de um rapaz mais velho que tinham conhecido no comboio.
Ele deu-lhe a morada dele.
- Escreve! - disse. - Vamos continuar a conversa....
Ela guardou a morada com um sorriso. Sabia que não escreveria. Que existiam alguns momentos que tinham valor porque eram assim, efémeros e, por isso, ficariam como pinturas no tempo, nada desgastadas pelas teias da realidade. Não descobriria coisas nele com as quais não se identificava, as cartas não se tornariam cada vez mais pequenas e mais espaçadas no tempo, fazendo com que a amizade, pouco fortalecida, morresse lentamente. Talvez fosse ingenuidade, medo de mergulhar na vida, mas naquela altura não se questionava com essas coisas. Tinha muitas certezas, ela.
Ainda hoje, não sabe bem se essa filosofia está correcta ou era apenas uma fuga. Mas a verdade é que se recorda bem dele...
quarta-feira, outubro 29, 2008
Campanha Solidária - Um presente cheio de Natal
terça-feira, outubro 28, 2008
Fidelidade
Existem sociedades não monogâmicas, e as que o são, na maioria das vezes não o são.
Honestamente - e da parte de alguém que tem verdadeiramente hábitos monogâmicos - isto não vos parece estranho?????
sábado, outubro 25, 2008
Responsabilidade...
Cansei-me das queixas de todos, de como o mundo é cruel, o governo não presta, os clientes estão sempre insatisfeitos, ganha-se mal, trabalha-se muito e, o mais assustador, não se acredita no que se faz. Esta é a parte que me arrepia até ao tutano, a frase que me causa um temor que chega aos ossos.
Viver-se a não acreditar no que se faz! E quantos de nós fazemos isso? É cansativo, tira a energia, e depois precisamos de falar mal, resmungar, olhar com raiva para quem se ri, está feliz, desejando sugar-lhe a energia até que essa pessoa se sinta tão mal quanto nós.
O mundo é cruel? Talvez! O governo não presta? Provavelmente. Os clientes estão sempre insatisfeitos? Tanto quanto nós. Enfim... aquilo que temos de meter na cabeça, ainda que seja à martelada, é que vivemos no mundo que construímos, e quanto menos nos responsabilizarmos por ele, apontando o dedo a tudo o que não presta, menos poder temos, menos mudança nos permitimos fazer.
Pelo menos, peguemos naquilo que temos e vamos fazer o melhor que sabemos com isso. Fazer algo em que não se acredita? Brincar às pessoas grandes!!!! Seremos sempre seres a fazer experiências e a esperar que tudo corra pelo melhor, seja qual for a idade que temos. Arrepia-me pensar em alguém que entre num hospital em perigo de vida e encontre um médico, ou uma enfermeira que não acredita no que faz. Que não trabalha porque o governo não presta ou o mundo é cruel. Que não faz "aquela coisa" porque não é a sua função e não é paga para isso.
Crescer, para mim, é pegar naquilo que me é dado, e cultivar o meu jardim. Com responsabilidade. Sabendo que pode não ser perfeito, mas é meu, tem a minha assinatura e, como tal, mostra quem eu sou. Fazendo o meu melhor. Pelo menos, o melhor que posso dar na altura.
terça-feira, outubro 21, 2008
Filosofia de Rua 2
segunda-feira, outubro 20, 2008
errrrr....
sábado, outubro 18, 2008
Da inveja...
Há algum tempo atrás perdi cerca de 6 kg. Voltei a ter 50kg, o que não é nada de extraordinário, visto eu ter pouco mais de um metro e meio.No entanto, e porque sou baixa, 6Kg fazem diferença e sinto-me bastante mais confortável com o meu corpo, uma vez que sempre fui magra.
Isto não é assim tão importante. O interessante é o que os outros fazem disso. Quem me conhece e está mais interessado na minha pessoa do que no meu peso,sabe que me sinto melhor, elogia-me e não faz mais comentários. Mas eis o que perder peso pode causar em algumas mulheres,e aquilo que eu lhes devia ter respondido, mas não respondi, porque fiquei demasiado estupidificada a olhar para elas:
- Hmmm, andas a tentar competir comigo? - pergunta a gaja que costumo encontrar no café.
"Sim, claro, eu não emagreço para me sentir bem comigo mesma, mas para competir com uma pessoa que mal conheço e que reclamou durante não sei quantos dias com a sopa que comia para a fazer emagrecer. É a minha razão de viver!"
- Ah, estás tão magra!!! Não estás mal, mas antes tinhas um belo rabo, agora nem se nota! - comenta a mulher da sapataria, ao pé da minha casa, a quem costumo dizer bom dia.
"Primeiro que tudo, não sabia que tinhas o hábito de olhar para o meu rabo. Depois, como deves imaginar, satisfazer-te com o meu corpo não é a minha prioridade do momento."
-Hmmm, que magrinha! Não me digas, andas a dieta!!!! Toma cuidado, olha que já se vêem os ossos do ombro! - a colega invejosa lá do trabalho.
"Chama-se clavícula, burra! E claro que se vêem, a mim e a toda a gente! E não, não ando a dieta,mas se andasse, continuava a ser problema meu!"
Juro que não entendo. As pessoas não têm mais nada para fazer na vida? Preocupem-se consigo mesmos e não se comparem com os outros. Se não têm nada de agradável para dizer... não digam nada!!!!! Ninguém perguntou...
E a dor de cotovelo... cura-se com creme nívea!
sexta-feira, outubro 17, 2008
Um dia...
Esperar
E depois temos de parar... e esperar pela nossa sombra. Porque até tudo o que é importante parece deixar de ter sentido, como se o fio condutor que nos recorda de quem somos tivesse ficado para trás, fosse esticado até ao limite.
Se não houver tempo, consciência e entrega, até aquilo que nos dá prazer fica sem sabor.
Vou sentar-me, aguardar pela sombra, pelo prazer. Arrumar cuidadosamente as minhas gavetas. Ver o que já não preciso, o que é essencial e o que é acessório. Usar o meu saco de energia com amor, sabendo que é precioso.
Ver se ainda me recordo de como se respira.
PS. Enquanto escrevia este texto, olhei duas vezes pela janela, o que não me acontecia há muito. Na primeira vez, apercebi-me de que o prédio da frente já não tem os andaimes habituais, e está pintadinho de fresco, lindo.
Na segunda vez, dois pombos pousaram no parapeito e olharam para mim, como se dissessem, "isso, isso! é mesmo por aí!" :)
Gosto, honestamente, destas confirmações!
quarta-feira, outubro 15, 2008
Filosofia de Rua
Blog Action Day - Pobreza!
Doar não é apenas coisa de quem tem dinheiro, mais tempo! Qualquer um de nós pode doar tempo, roupa, sorrisos... partilhar um conhecimento, uma história.
Não é coisa para se fazer apenas no Natal. Todos os dias há qualquer coisa que podemos fazer. Todos. Não apenas em algum.
Recebi um e-mail, há tempos, de um jovem que propunha criar uma conta em que toda a gente colocasse um euro por mês, e todos os meses, esse dinheiro seria doado a uma instituição.
Li sobre alguém que bebia o primeiro café do dia em casa, e colocava os 0,50€ numa caixa, para doar no final do ano.
Sobre quem escolhia, ao longo dos seus dias, os actos de caridade que mais o inspirassem e fazia um brainstorming de qual o seu poder de acção. Dar roupas, livros, comida.
Sobre quem lia histórias para crianças, como acto de voluntariado.
Sobre quem, no dia em que, inesperadamente, lhe pagam a refeição, guarda esse dinheiro para doar.
Ideias não faltam. E acções? Há um momento em que temos de escolher. Seremos parte do problema, ou poderemos fazer parte da solução?
terça-feira, outubro 14, 2008
Madrugar
Linha de Sintra
A estação de comboio não estava cheia,mas imitava bastante bem.
Sensação estranha, esta. Eu ali, num dia em que tive de me levantar excepcionalmente cedo. Confrontei-me com o frio da madrugada, a noite escura como breu,o céu ainda estrelado e a Lua Cheia, prestes a pôr-se do lado oposto.
Estas pessoas, à minha volta, estão na sua rotina. Levantam-se às 5h30 da manhã, saem de casa às 6h para apanhar o comboio que as levará ao trabalho.
Entro no comboio e é outro choque. Está cheio. Tenho de passar para outra carruagem para encontrar lugar. Sento-me. No banco da frente,um bebé de casaco azul e chucha vermelha pisca na minha direcção. Sorrio-lhe. Abana-se, rindo! É o único, dentro da carruagem,que parece não ter sono.
Saio em Sete Rios e dirijo-me ao Expresso. Mais uma estação cheia,a música altíssima ecoa por todo o lado. Carrie, dos Europe (alguém se lembra?). Agora, para além do frio e do sono, estou a ter um pesadelo!
Definitivamente, hoje, comecei a dar mais valor à minha cama, aos meus horários, à minha vida!
segunda-feira, outubro 13, 2008
Alguém me explique como se eu fosse muito burra...
Como desperdiçar energia... ou mulheres à beira de um ataque de nervos!!!!
Ele - Sim...?
Ela - Estou? Sou a ...
Ele - Estou?.....
(chamada desligada)
Ela olha para o telefone.
"Ligo outra vez? Não, não ligo. Será que ele percebeu que era eu? Ele que ligue. Ou ligo? Será que desligou a chamada? Idiota! Não vou ligar! Deveria ligar? O que vai ele pensar? Não, não ligo. Que gajo mais estúpido!"
Duas horas depois, ela liga.
Ela - Estou?
Ele - Oi! Foste tu que ligaste há bocado?
Ela - Sim, e tu desligaste-me o telefone na cara!
Ele - (rindo) Não, estava dentro de um elevador e perdi a rede. Pensei que ias ligar a seguir.
Ela não diz nada, mas sente que o sol voltou, mesmo às 20h da noite.
...
Shoes obsession day
Não sou fã de sapatos. Gosto de sandálias e de botas. Adoro botas. Por isso, o Outono, no que respeita a calçado, é a estação infernal, para mim.Demasiado calor para botas, demasiado frio para sandálias. Vou alternando entre os dois, um dia de frio, um dia de calor.
Este ano tem sido pior. Muito frio de manhã e à noite, um calor abrasador a meio do dia. A população lisboeta rendeu-se aos ténis.
Finalmente, tomei a decisão de que, provavelmente, seria melhor comprar uns sapatos. Como nem sequer gosto de sapatos, sou o ser humano mais esquisito na face da Terra, no que respeita a escolhê-los. Corri mil e uma sapatarias. Olhei, vi, mexi, saí, regressei, voltei a sair. E, encontrei dois ou três que me satisfaziam, enquanto espero que o tempo me permita o uso confortável das minhas adoradas botas.
A resposta, aos três sapatos, foi a mesma. "São de adulto. Só existem a partir do 36. Não se fabricam abaixo desse número."
E eu questiono-me. Serei a única mulher adulta portuguesa que calça o 34/35? É que, na secção de criança, não existem sapatos de salto!!!!!
sexta-feira, outubro 10, 2008
Mude
(Edson Marques)
Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...outra marca de sabonete, outro creme dental...tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda !
quinta-feira, outubro 09, 2008
Cheiro de Outono
Estou atrasada, mas escolho a caminhada, em vez do metro. O vento gelado do Outono é, de alguma forma estranha, um calmante.
Apresso o passo. A avenida parece mais longa do que o costume.
Chego à Praça e procuro a forma mais rápida de a atravessar. Envolve-me o cheiro cinzento, quente, guloso. Abrando subtilmente. É um odor infantil, regressivo. Um cheiro de tardes de chuva, de passeios no parque, de língua queimada. Um cheiro de mãos acinzentadas e calçadas sujas de cascas meio castanhas, ainda. Um cheiro salgado.
Paro e compro o pacote. 12. Saboreio a primeira, como se fosse a primeira vez.
O tempo é sempre relativo. E tudo o mais pode esperar.
A filosofia do Pssst...
Considero-me verdadeiramente leiga neste assunto. Por mais voltas que dê à cabeça (na verdade não perco assim tanto tempo com isso!) não consigo encaixar o como, porquê, ou para quê, de um "Pssst!" de rua, por parte de um desconhecido...Os assobios, dinossauricos, mas de algum infeliz modo fazendo parte da cultura masculina, irritam-me. Mas percebo-os. Apesar de, na maior parte das vezes, não o verbalizarmos em voz alta, nós, mulheres, também gostamos de olhar e admirar um homem que foi favorecido pela natureza. E até o comentamos entre nós.
Os piropos são verdadeiramente secantes. Porém, apesar de raro, quando ouço um piropo original, criativo, divertido e não ordinário, até sou capaz de sorrir. Devia ser esse o objectivo primário deles... digo eu.
Agora o famoso "Pssst!"...???? O que raios é isto? Recorda-me chamar um gato... ou enxotar um gato... ou uma mosca e esvoaçar à volta do nosso nariz, naquelas tardes de Verão escaldantes em que, saberá Deus porquê, o nosso nariz parece o que de mais apetitoso existe para uma mosca...
É um verdadeiro mistério, o "psst!". Qual o objectivo? Que se olhe? Para quê? Qual a mais valia? A realização? O objectivo esotérico máximo subtilmente escondido atrás de um "Psst!"? Se alguém tiver ideias... agradeço.
terça-feira, outubro 07, 2008
O maior espectáculo do mundo
Eu estava apaixonadérrima. Há oito meses que nada mais via à frente do que ele. E, de repente, em plena Lua Cheia, numa noite de Verão, vi-me nos braços dele, a concretização dos meus sonhos mais loucos. Foi tudo perfeito, eu não estava de vestido comprido e saltos altos, mas de calças de ganga elásticas e ténis all star, e não deixei um sapato no caminho, pois os ténis são difíceis de sair do pé e, de qualquer das formas, ele pôs-me em casa de madrugada. Mas não podia ter sido mais perfeito.
O sorriso que me rasgava a face de uma ponta à outra foi diminuindo com o passar dos dias. O meu príncipe não telefonava. A concretização do meu sonho perfeito começou a ser ensombrada pelas dúvidas mais negras que uma adolescente pode ter.
Era sábado da semana seguinte. Eu estava com um amigo num Bar, a jogar matraquilhos, quando ele entrou, acompanhado de uma loura estonteante, com um minúsculo vestido branco justinho e uma pose daquelas que faz lembrar as meninas da Playboy (se calhar até não, mas é a imagem que mantenho dela até hoje). Petrifiquei, com a imagem e o pensamento absurdo "isto acontece nos filmes, não na vida real".
Mas estava a acontecer. Respirei fundo, mantive a pose toda a noite, falei-lhe como se nada estivesse a acontecer e aguentei firme. O idiota ainda teve a grande lata de vir jogar matrecos contra mim... e ganhou!!!! Só quando cheguei a casa desabei num pranto interminável.
Domingo seguinte. Apanho o Intercidades das 18h (que só havia aos domingos e, por causa dos estudantes, tinha mais uma carruagem do que habitual). Tinha comprado o bilhete (com lugar marcado) na sexta feira anterior. Eram 4 carruagens com 116 lugares cada.
Imaginem QUEM tinha lugar marcado ao meu lado???? :)
A loura estonteante, "carinhosamente" apelidada pelas minhas amigas de "Cú de Pato". Sim, porque com razão ou não, as amigas protegem-se sempre umas às outras.
Passei metade da viagem sentada no Bar, enjoada demais para regressar ao meu lugar. E a pensar que nem nos filmes a coisa costuma ser tão sarcástica.
Blogues com sucesso
Pois é.A festa de lançamento do primeiro livro da Joana teve lugar no dia 4 de Outubro, no Onda Jazz, numa simpática festa cheia de gente.
Tive a oportunidade de ir e o privilégio de fazer a apresentação do livro, e da autora.
Uma salva de palmas para ela e um enorme beijinho cheio de desejos de sucesso!!!!
segunda-feira, outubro 06, 2008
Partilhar
Complicadas, as tarefas que me dás. Como se não soubesses que o "essencial é invisível aos olhos".Do que preferes que fale? Do quanto me senti "casada" contigo desde o primeiro momento? De que te escolhi porque te amo? Que sinto orgulho por seres o pai maravilhoso que és? Sim, é tudo verdade.
Mas, ainda assim, eu tenho pouco para dizer. Sou instável, sonhadora, gosto de florear a vida ao sabor das memórias e com um toque de escrita. A minha alma a ninguém pertence e desejo que assim seja sempre.
Mas partilho-a contigo. Não apenas os sorrisos, mas a sombra que me habita. É ao teu lado que acordo sem maquilhagem, confiando que o teu amor consegue ver para além do meu rosto inchado e ensonado. Tal como te vejo a ti.
Já me habituei a desviar-me do caminho quando estás irritado, não porque te evito mas porque sei que precisas de respirar. E a dizer-te quando quero chocolates... ou quando pura e simplesmente quero discutir.
Sei que gostas do silêncio da noite e que preferes que eu vá dormir mais cedo, de vez em quando, para teres um momento só para ti. E que resmungas acerca de mais 80% das coisas do que era, de facto, necessário.
Tal como sabes que não gosto de mudanças repentinas de planos e fazes um enorme esforço para não me enfureceres, mesmo que aches que é uma parvoíce.
E fazes as mais absurdas cenas de ciúmes pelos assuntos mais idiotas, mas depois és o mais fabuloso dos homens e me permites ser quem sou, porque acreditas que o meu amor também consegue ver também mais longe.
Partilhamo-nos, descobrimo-nos, conhecemo-nos, ultrapassamos barreiras, esperamos que as tempestades passem, queremos sempre mais e melhor. Temos muitos pequenos pormenores que são só nossos. Não é fácil e ninguém diz que é para sempre. Mas é nosso, só nosso, a nossa forma de estar, de ser família. E eu não queria de outra maneira.
Diz-me, agora, será esta a declaração de amor que querias?




