segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Maria

Maria era a mais velha de uma família de 13 irmãos. Como - quase! - todas as famílias com muitos e muitos filhos, viviam com muitas dificuldades financeiras, pouca comida na mesa e trabalho de manhã até à noite.

A mãe de Maria acabou por pedir à cunhada, que não podia ter filhos, que educasse as três filhas mais velhas. E foi assim que Maria teve um crescimento mais abastado, num época em que ter comida na mesa era um luxo. Cresceu alegre, segura e bonita.

E um dia conheceu Raul. Maria descende de uma família com história de grandes paixões, e quem a conheceu na época conta que o amor dela e de Raul estava escrito nas estrelas. Não se largaram desde o primeiro momento. Entrelaçavam os dedos, trocavam olhares, aproveitavam o mínimo descuido da tia de Maria, severa com os namorados, para dar um apaixonado beijo.

E, como todos os amores perfeitos, casaram, numa festa onde ainda sobram muitas fotos, tiradas a preto e branco, e nas quais se pode ver o olhar da noiva e sonhar com um amor assim.

As dificuldades não começaram logo. Maria seguiu a profissão da sua mãe de criação, tornando-se costureira e Raul trabalhava como mecânico. Antes de darem conta, tiveram uma menina que lhes encheu os corações de mais alegria.

Um dia, um acidente fez com que Raul perdesse a sensibilidade na mão direita, terminando por aí, aquela que tinha sido desde sempre a sua profissão. Desempregado, viu-se sem meios de ajudar nas contas e acabaram por ter de deixar a modesta casinha onde viviam e regressar a casa da tia de Maria. Por esta altura, a jovem já esperava o segundo filho.
Viver numa casa que não era a deles, com as opiniões insidiosas da tia de Maria, que, sem se dar conta, se envolvia das discussões do casal, as dificuldades monetárias e as saídas nocturnas de Raul, que começara a beber mais do que era esperado, levou ao fim de um casamento que todos garantiam ser eterno.

Na noite em que Raul saiu de casa para não voltar, Maria fechou-se no quarto, de onde saiu somente três dias depois, e nunca mais falou do ex-marido.

Os anos passaram e ambos reconstruíram as suas vidas. Clara e Rodrigo começaram a visitar o pai numa altura em que este já tinha outro emprego, outra mulher e outro filho. Apesar de ausente, dava-lhes uma nota a cada um, à saída, e dizia, num tom baixo:
- Abraço à vossa mãe.

Maria nunca enviou qualquer recado a Raul. Quando o seu nome era balbuciado, mudava de cor e afastava-se para que não a vissem. Conheceu Jorge, com quem acabou por se casar, e teve duas filhas. A mais nova tinha dois meses, quando lhe diagnosticaram leucemia.

Clara tinha vinte anos, Rodrigo catorze, Sara tinha cinco e Bárbara era um bebé. E foi, acima de tudo, pelas filhas mais novas, que Maria lutou. Com todas as suas forças. Tentou todos os tratamentos que conhecia e que as suas escassas posses lho permitiam. Nada resultou. Bárbara acabara de fazer um ano, quando Maria soube que partiria em breve. Tentou assegurar-se de que as meninas ficavam bem e pediu para ver as duas irmãs com quem tinha sido criada.

Quando Raul entrou na igreja, o silêncio foi total. Há mais de doze anos que a família da defunta não o via e, graças aos comentários da tia de Maria, que nunca lhe perdoara a partida, as pessoas conheciam-no como um homem egoísta, que nunca ligara à mulher e que mal via os filhos. Raul reconhecia veracidade em algumas dessas frases. Não todas.

Sem olhar para os presentes, aproximou-se do caixão, sentou-se ao seu lado e fez um suave festa no rosto da ex-mulher. Sorriu. Pegou-lhe na mão e levou-a aos lábios, castamente. E, deixando cair o rosto, lançou-se num choro soluçante e compulsivo, que demorou a controlar.
- Era a mulher da minha vida. - ouviram-lhe sussurrar. - Aquela que eu mais amei, a que ocupará o meu coração para todo o sempre.

Abraçou os filhos e voltou a partir. Clara e Rodrigo deram as mãos. Não trocaram uma palavra, mas de alguma forma confortaram-se um ao outro. A mãe de ambos não estivera só, no sentimento que dedicara ao pai. Eram frutos de amor, muito amor. Nem sempre o amor e uma cabana funciona, mas a verdade é que, mesmo quando se desiste, nem sempre o amor vai embora.

sábado, fevereiro 06, 2010

Rui

O Rui tinha 9 anos quando apanhou uma bactéria rara que lhe afectou a vista. A princípio, ninguém notou. Só quando a professora mandou chamar os pais da criança, alegando que o seu melhor aluno mal conseguia distinguir aquilo que se escrevia no quadro, é que lhe foi diagnosticada uma falha na visão, com tendência a aumentar, e sem tratamento conhecido.

O segundo de 4 irmãos, num casal divorciado, a mãe com pouquíssimas posses e o pai praticamente ausente, o acompanhamento que teve foi aquele que se poderia obter pelo estado. Consultas no hospital com meses de espera, médicos de família no Centro de saúde e uma visão que diminuía a uma velocidade alucinante.

A largura das lentes aumentava, mas de pouco servia para Rui. Ainda assim, manteve, o mais possível, a sua vida normal. Para amigos e família, continuava a ser o Rui de sempre e, não raramente, era fácil passar por cima do seu "problema" e esquecer que ele não lia a legendas dos filmes, no cinema, não via realmente os belos olhos da vizinha da frente, nem lia os livros da escola.

Como era bom aluno, os professores deram-lhe todo o apoio e o Rui conseguiu um feito digno de orgulho. Acabou o décimo segundo ano, pois memorizava tudo o que ouvia e escrevia com letras gigantes, que os seus mentores corrigiam com paciência.

A determinada altura o Rui sentiu-se diferente e revoltou-se. Mudou-se para o sótão, onde passava noites acordado. Como resultado, aprendeu, sozinho, a tocar guitarra, e a filosofar sobre a vida.

A família do Rui tinha amigos nos Estados Unidos. A comunidade portuguesa que lá habitava uniu-se e juntou dinheiro para o levar lá, onde foi visto por especialistas. De pouco adiantou, pois o estado da doença era demasiado avançado. Soube-se, porém, que o Rui estava estável. Via muito pouco, mas provavelmente ficaria assim.

Quando regressou, o Rui estava diferente. Mais calmo, mais maduro. Ficara impressionado com o altruísmo das pessoas que o haviam recebido, que tanto lhe tinham dado. E queria fazer o mesmo. Nesse mesmo ano, ingressou numa Associação para Invisuais e começou lá a trabalhar. E conheceu aqueles que seriam os seus melhores amigos. Aprendeu braille. E percebeu que, para aqueles que não vêem o mundo como nós, os sentimentos são mais intensos, mais fortes, as palavras mais verdadeiras, as inflexões de voz mais perturbadoras.

O Rui tinha dois amigos. O Paulo e o Francisco, ambos cegos. Andava com eles para todo o lado, faziam férias juntos, brincavam uns com os outros. As pessoas de quem se sentia mais próximo. E havia a Patrícia. Conhecera-a na Associação, uma rapariga que lhe tocara o coração desde o primeiro dia, com a sua voz doce, a gargalhada cristalina, as confidências que lhe fizera. Conhecia-lhe o rosto, porque o vira bem próximo, sabia bem como era bonita. Mas não precisava de o ter feito. A alma da Patrícia era a coisa mais bela que habitava o seu ser. Estava completamente apaixonado.

Sonhava com o dia em que se iria declarar, com o primeiro beijo, com o entrelaçar de mãos. Sonhava com ela desde que acordava até fechar os olhos. E nunca o contara a ninguém.

Naquele tarde, sozinho no parque com o Paulo,estava prestes a contar-lhe o seu segredo. Mas viu o amigo triste e preferiu saber quais as suas angustias.
- Estou apaixonado pela Patrícia. - contou o Paulo, gelando a alma do amigo, sem ter como o saber. - Não sei o que faça, preciso de um conselho.

E o Rui aconselhou-o a falar com ela, dizer-lhe o que sentia. Quem sabe não fosse correspondido. E no seu coração, decidiu esconder os seus sentimentos até essa história se resolver.

Quando o Rui me contou esta história, numa noite tardia, entre os acordes da sua viola e o som da minha voz, a Patrícia e o Paulo viviam os primeiros dias de namoro, numa felicidade insaciável, e tinham-no acompanhado até minha casa.

- Como estás, como te sentes? - perguntei.
- Sabes, prima, as duas pessoas que eu mais amo no mundo estão felizes, apaixonadas e tenho ambas junto de mim. Jamais seria capaz de estragar isso. Nunca seria capaz de lhes ensombrar a a felicidade. Acredites ou não, estou tão feliz por eles como se fosse eu no seu lugar.

E eu soube que o meu primo, cuja história de coragem continua até hoje, cumprira o seu desejo de fazer o que pudesse pelos outros.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

:(


It's rainning again...

sexta-feira, janeiro 29, 2010

A saga da máquina de lavar

Este ano estava decidida a passar um dia de aniversário tranquilo e divertido. Na verdade, de tranquilo teve muito pouco, mas digamos que foi... diferente! :)

Na semana passada a minha máquina de lavar morreu. Ou pelo menos, assim pensava eu. Fui ligá-la e a bicha deu um estouro e não funcionou mais. Como já andava a dar-me imensos problemas e já tinha uns anitos, resolvi que estava na hora de desembolsar e comprar um equipamento novo. No domingo de manhã lá andei e encontrei na Box uma máquina de lavar e secar. Ficaram de me vir entregar na terça, entre as 18h e as 22h, e de levar a velha.

Como eu fazia anos na quarta e o maridão até tinha tirado o dia para namorarmos, a coisa pareceu-me perfeita. Na terça fui para casa antes das 18h e esperei pela entrega. E continuei a esperar. E esperar. E esperar...

Eram 21h50 quando liguei para o Apoio ao cliente. E não me atenderam. Da loja, diziam que nada podiam fazer, pois só a linha de apoio ao cliente tinha os contactos das carrinhas de entrega. Às 22h30 desisti e fui deitar-me. Com a espera, a minha filhota, que se costuma deitar cedo, andava a aproveitar a "folga". Como habitualmente, depois de a deitar e contar a história, devo ter adormecido antes dela.

Era exactamente meia-noite quando o N. me veio dar os parabéns. E nesse momento a campainha tocou.

"Não acredito." - foi o primeiro pensamento. Mas era real. Eis que chegam dois homens com a máquina, desculpando-se pelo atraso. Acabei por colocar o pragmatismo à frente das horas e deixei-os entrar.

Comecei a achar menos piada à coisa quando me disseram que não iriam poder levar a máquina velha, porque já iam fora de horas e não iam ao armazém, mas que no dia seguinte alguém viria buscar a máquina. Mas também agi de forma zen.

Depois reparam que a máquina nova não funciona. E descobrem que, afinal, é a tomada de electricidade que avariou. E o óbvio surge. A minha máquina velha não tinha morrido. A tomada é que tinha...

A esta altura do campeonato já não sabia se chorar ou rir. Mas a máquina era antiga, já deitava água e eu tinha gasto uma pipa de massa na nova. Por isso, resolvi esquecer o assunto.

Os homens saem e o N. começa a ler o manual da máquina. A certa altura diz-me:
- Porque é que isto não tem programas de secagem?

E dirijo-me à dita cuja, que afinal não era a máquina que eu tinha comprado, nem sequer na marca. Com as confusões, nem me lembrei de olhar para a máquina.

E foi por isso que comecei o meu dia de aniversário a ligar para o Apoio ao cliente, que desta vez acabou por me atender à terceira tentativa. E por volta das 20h, finalmente recuperei a máquina que eu comprei e ver-me livre das outras duas. No intervalo entre os episódios até consegui almoçar fora, namorar e rir-me bastante.

Nota interessante: sempre que falei com os senhores das carrinhas de transporte eles intitulavam-se: aqui é da Worten. O que seria natural, se eu não tivesse comprado a máquina na Box. :)

sábado, janeiro 23, 2010

Chuva

Pela primeira vez na vida começo a entender - na pele - o conceito de depressão sazonal.
Adoro o Verão, mas o Inverno nunca ficou atrás. Recordo-me das tardes chuvosas
e do vento a cantar na minha janela, onde me sentava a ler tranquilamente.
No final do Verão, quando as férias chegam ao fim e o Outono parece anunciar-se, dou por mim com saudades das camisolas de gola alta, dos edredons, do chá quente com mel e dos fins de semana fechados em casa, com uma manta no sofá, e um bom filme para ver.
No entanto, este ano - provavelmente porque estive presa em casa 1435 anos, sinto-me impaciente, irritável nestes dias de chuva. Sobretudo porque, durante os - poucos - dias de sol que se fizeram sentir, fartei-me de passear com a pipoca bebé, tive uma energia que não sentia, já, há muito e cantarolei o dia todo.
Ontem, apareceu a chuva novamente.Não foi grande coisa, verdade, mas regressei à minha letargia. E hoje, olho a janela e suspiro. Este ano, estou mesmo farta da chuva.
Preciso do Sol, das flores coloridas, dos pássaros a esvoaçar a minha janela. Nem é do calor, propriamente. É mesmo do Sol.
Um brinde aos dias luminosos!

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Descubra o erro!

Segundo a google:
Lisboa
5°C
máx: 16º min: 14°

??????????????????????????????????????

domingo, janeiro 03, 2010

Música ao Domingo!

Mudei o dia para vos "dar música"!

Bom descanso!

sábado, janeiro 02, 2010

Depois de 7 semanas e 1 dia...

... dormimos, finalmente, 8 horas seguidas!!!!!!!!!!!!!!!!!!
:)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Happy New Year


Comprometi-me a colocar um post no dia 1, na esperança de que o tempo e a vontade me tragam aqui muitas e muitas vezes, ao longo deste ano.
Dei por mim, muitas e muitas vezes, a desejar a chegada do novo ano, uma nova energia e a saída daquele que foi um dos anos mais estranhos da minha vida. Exactamente há um ano atrás via-me feliz pela chegada de 2009, antecipando mil e uma mudanças. Elas vieram, é .um facto. E, como habitualmente, não apareceram como eram esperadas. E os desafios mantiveram-se.
Ainda assim, fazendo um balanço, percebo que o saldo é positivo. Aprendi muitas coisas, saí de 2009 mais inteira, bastante mais inteira do que quando entrei. Aprendi (mais uma vez de muitas que vieram e muitas que virão) a valorizar as minhas bençãos.
E tive um presente incalculável. A minha Luana.
Venho para vos desejar o mesmo que pedi para mim.
Muito amor, da família, dos amigos, dos conhecidos, dos amores... e muito amor próprio.
Muita saúde.
Muita prosperidade, em todas as áreas da vossa vida.
Muitos sonhos, porque os sonhos são para se realizar.
Muita, mas mesmo muita alegria.
Muita inspiração.
Muita vida!
Viva 2010!
E, já agora,assim a modos que por piada... qual a probabilidade de se passar a meia-noite a amamentar??????????????? ;)

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Desejos...


... de um Natal mágico para todos!!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Via formal...

Pela primeira vez desde que te conheci, o dia passou-me ao lado, no meio de fraldas, horas de amamentação e a confusão em que a minha casa se tornou desde que a pipoca mais nova chegou. De qualquer modo, agradeço a mensagem, a gargalhada que dei à custa dela, e a tua generosidade e bom humor.

Assim, cá vai, desta vez formalmente ;)

PARABÉNS ATRASADOS, PAULINHO!!!!!!

terça-feira, novembro 17, 2009

Luana




Olá!

O meu nome é Luana e nasci numa sexta-feira 13. Uns diriam que é um dia de azar, mas a verdade é que a mamã sempre adorou esses dias e, apesar de ter sido uma cesariana, a verdade é que cá em casa ninguém acredita em coincidências.

Ao que parece, sou escorpião. Dizem as más línguas que é um signo que trás mau feitio, mas não concordo nada. A verdade é que comecei a berrar como se não houvesse amanhã assim que nasci, que não suporto sentir uma pontada de frio na minha delicada pele e que odeio tomar banho, mas parecem-me comportamentos perfeitamente adequados para um bebé, não concordam? Não tenho culpa que a minha irmã mais velha fosse uma santa que pouco chorava em bebé, adorava banho e mudar a fralda... se eu tivesse nascido em Maio, num dia de calor fenomenal também o faria, obviamente! Eu sou assertiva, essa é a verdade. E a mãe concorda comigo. De qualquer modo, numa casa cheia de pessoas de ar, um serzinho de água vai tornar as coisas bem mais interessantes. Aposto!

Sou muito pequenina, não chego a pesar 3 quilos, e tenho 48 centímetros. Por isso, pegam-me como se eu fosse uma boneca e as roupas ficam-me todas largas. Ah, e sou giríssima! Na maternidade ganhei o título de morena linda e acho que combina perfeitamente comigo. Há quem diga que sou a cara da mana quando nasceu. Não me importo nada, porque a minha irmã é um espanto! A minha irmã... vocês nem sabem como ela está orgulhosa pela minha existência. Canta para mim, já me pega ao colo com todo o cuidado e amor e sinto que vamos ser verdadeiramente cúmplices. Se ela fizer o que eu quero, obviamente... tenho de fazer render esta, do escorpião... ;)

A minha mãe está bem, um pouco dorida da cicatriz, claro, e agora às voltas com a subida do leite. Adoro mamar, sabem? E a mãe tem tanto leite que sinto que crescerei mesmo rapidamente! Isto de vir cá para fora tem o seu quê de divertido. É leitinho doce, canções, beijos e festas o tempo inteiro. Se não fosse o frio, diria que é perfeito. Como eu dizia, a minha mamã está bem, vê-se obviamente o quanto me adora, como está orgulhosa e feliz por eu ter nascido. E o meu papá está babado. Os dois estão muito unidos e sinto-me num clima de amor, que ainda está confuso, cada um está a tentar encontrar o seu lugar cá em casa, afinal só chegámos aqui há dois dias e na maternidade era mimo e descanso. Aqui tem sido mais agitado, mas vai correr bem, tenho a certeza.

Os meus pais acham que fui eu que os escolhi e sentem-se gratos e orgulhosos por isso. Eu cá terei as minhas razões, mas não as vou divulgar. Direi apenas que sei que estas pessoas me transmitirão muita coisa, umas que gostarei, outras que nem tanto. Mas com eles aprenderei a tentar ser uma boa pessoa, a amar os outros e amar a vida. Acho que são coisas que contam, não é?

Vou embora, por agora. Vim ocupar o espaço da mãe, porque sei que ela tem aqui pessoas que a lêem, e de quem ela gosta muito. Ao que parece os blogs têm esse efeito, quando os acompanhamos durante um tempo. Ela vai voltar a escrever mais, quando as coisas acalmarem e eu deixar de ser tudo o que importa, juntamente com a mana. Por falar nisso, este post também vai para o blog da mana... que vai deixar de ser só dela. A mana quer partilhar tudo comigo!

Resta dizer que nasci ao som da música que provavelmente estão a ouvir, pois coloquei-a aí em cima. Acho que isto diz tudo. Para esta família, eu sou uma oração, uma bênção e é isso que sinto cada vez que um deles me pega ao colo. Protecção divina! É bom ser bebé e sentir isso.

Até à próxima! Obrigado pelo apoio, em todos estes meses de gestação!

PS: Obrigada muito pelo apoio, pelas centenas de mensagens de alegria e boas vindas à Luana, por me acompanharem com carinho e, basicamente, por existirem. Sinto-me abençoada! E muito grata. Lita

quinta-feira, novembro 05, 2009

Crazy...


A menos de 3 semanas do fim da gravidez, parece que a demência da prolactina (é um termo novo que aprendi ;) explica o esquecimento e afins das grávidas) está no seu expoente máximo.
Ontem consegui perder duas chaves de casa no curto espaço de atravessar a estrada para ir buscar a pipoca ao infantário. Acabei por encontrar ambas... no fundo da mala.
Vou ao quarto para ir buscar qualquer coisa, supostamente muito interessante, e quando lá chego não faço a mais pequena ideia do que fui lá fazer.
Hoje de manhã peguei no pacote de Ice-Tea, em vez do leite, e despejei-o para o fervedor, na intenção de o aquecer para dar o pequeno almoço à filhota!
É evidente que a família me ouve a rir às gargalhadas e já nem liga. Trocam ambos aquele olhar de quem pensa... "deixa lá, isto está quase a passar!"
De facto, gravidez não é doença... mas é qualquer coisa muito estranha! E, como costumo dizer, é um estado de imensa graça... para quem está de fora a observar!!!!
:D

segunda-feira, novembro 02, 2009

E será que é desta...?














... que chega o OUTONO?

domingo, outubro 25, 2009

Absolutely Brilliant

Isto anda a circular no facebook, mas merece destaque também aqui. Espero que se deliciem, como eu me deliciei. Excelente domingo, o primeiro do horário de Inverno!


sexta-feira, outubro 23, 2009

Hey!

Porque sei que é a tua essência. E esta, então, é intemporal, como nós.

E porque te amo muito, te desejo o melhor. Há amizades que não precisam de palavras, justificações, ou provas. Pura e simplesmente são!

Parabéns, querida Kayla!

Escolhas


Há muitos anos atrás, aprendi uma lição valiosa com uma grande amiga. Nessa altura, não a percebi com a consciência com que a entendo agora, mas mexeu comigo.
O D. era meu amigo de infância. Direi mesmo o meu amigo mais antigo, gatinhámos juntos, na rebentação das ondas da nossa praia.
Talvez por isso, habituei-me desde sempre à sua forma de ser. Meio arrogante, um pouco cruel, por vezes agressivo. Mulherengo. Muito instável. Nunca se sabia bem o que esperar dele. Sem dúvida, tinha o seu lado brilhante. Era inteligente, partilhava comigo um amor incondicional pela nossa praia, defendia-me dos outros e sei que nutria verdadeiramente afecto por mim. Por isso, "aturar" as sombras dele parecia-me algo natural, ele era família, e família não se escolhe.
A A. veio passar férias comigo na praia,quando tínhamos 17 anos. Muitas outras amigas já o tinham feito, e o D. a todas mostrara o seu lado sedutor, e pouco depois, o seu lado sombra egoísta. De uma forma ou de outra, as raparigas caiam-lhe todas nas mãos. Nunca percebi muito bem porque é que tantas mulheres interessantes se apaixonavam por aquele trinca espinhas convencido e mal educado, que nem bonito era. Mas acontecia. Ele era charmoso. E tinha um sorriso especial.
Como eu esperava já, o D. de imediato deu em cima da minha amiga. E, como eu esperava, ela cedeu. No entanto, ao contrário das outras, a A. não ficou impávida quando o D. começou a mostrar o seu lado arrogante. Respondia-lhe à letra, discutiu com ele e chegou a afastar-se. As discussões entre os dois aborreciam-me imenso e um dia confrontei-a:
-Mas porque te irritas tanto? - perguntei. - Ele é assim, não há nada a fazer. É a forma dele de ser!
- Isso não me interessa nada! - foi a resposta. - Ele pode ser como quiser, mas eu não tenho de aturar isso. Eu não tenho de levar com a porcaria de alguém, pura e simplesmente porque ela É assim.
Foi a primeira vez que me dei conta de que gostar do D. e aceitá-lo, não implicava aturá-lo. Nunca me tinha dado conta disso.
Guardei essa mensagem no coração, nunca sabendo muito bem como a pôr em prática. A verdade é que sou - dentro daquilo que consigo - uma pessoa politicamente correcta. Distingo - e orgulho-me disso - sinceridade de frontalidade. Porque posso ser sincera sem usar a minha agressividade retorcida para magoar gratuitamente alguém. E raramente faço.
Depois, também acredito que somos nós que atraímos as pessoas para a nossa vida. E que somos espelhos uns dos outros. Que vemos nos outros a nossa própria beleza e rejeitamos neles a nossa sombra. Quanto mais me fui dando conta disso, mais fácil foi para mim aceitar os outros. Perceber que os seus defeitos,também eu os tinha, em alguma coisa, alguma parte da minha vida. Aprender a ser melhor, graças a isso.
No entanto, há um momento para descansar e um momento para lutar. Um momento para passar a mão no pêlo, vezes e vezes sem conta... porque o outro é assim,não tem consciência do que faz... e um momento para dizer "chega!", um momento para dizer que não dá mais para tolerar a intolerância dos outros.
É evidente que os espelhos continuam lá. Claro que atraímos pessoas para a nossa vida porque temos coisas a aprender sobre nós mesmos. E esse trabalho só poderá ser feito por nós. Mas não implica manter lá os outros e tolerar aquilo que o nosso coração já não suporta.
Ontem, ouvi outra lição. A minha amiga Neptuna falava-me de alguém e dizia:
- Se lhe guardo ressentimento? Já não. Se aprendi a aceitá-lo? Sim. Se o quero na minha vida? Não. Porquê? Porque posso escolher.
Essa é a verdade. Aceitar que o outro é como é, aceitar a lição que nos trás, a pergunta "onde é que eu faço ISTO na minha vida?", é importante. Mas não implica envenenar a vida com a presença dessa pessoa. Posso aprender a aceitar. Posso não guardar qualquer emoção negativa. Mas não tenho de tolerar.
Porque posso Escolher!

sábado, outubro 10, 2009

(Re)Começos

A mensagem clara foi "Pára! Estás demasiado confusa, demasiado ocupada, demasiado zangada, demasiado eléctrica, demasiado longe de ti mesma."

Desde o início do ano que sentia que teria que o fazer. A vida é generosamente clara comigo, nessas alturas. Sou eu que adio o inevitável.

Ainda assim não foi fácil. Ser obrigada a parar, fechar-me em casa, não ver ninguém, praticamente, a não ser a minha família. Acabar por me isolar mais, por não já suportar as perguntas dos amigos, diariamente e sempre iguais "estás bem? Estás melhor? Sentes-te feliz?". Parece egoísmo, eu sei, e eu adoro os meus amigos e agradeço a sua preocupação, mas ter as janelas do msn constantemente a piscar com as mesmas perguntas, ou tentar dormir um bocadinho e colocar o telemóvel no silêncio, para acordar e ter 36 chamadas não atendidas, acreditem, é esgotante.

Alguns queixaram-se do meu desaparecimento súbito. Outros entenderam que eu precisava da reclusão e respeitaram-me com serenidade, pois conhecem bastante das minhas "caminhadas no deserto..."

Não tem sido propriamente fácil. As contracções, a placenta prévia, agora o diabetes gestacional. Sim, ainda estou em casa. Todos os dias luto comigo mesma para viver um momento de cada vez, para não me deixar levar pela insatisfação profunda. Nem sempre consigo.

No entanto, conforme chegou a fase de nicho, de comprar coisinhas para a bebé, de reorganizar a casa e a vida, a semente que adormecia em mim começou, também a despontar. A vontade de mudar coisas, de fazer coisas, de aprender coisas.

Como se o tempo de semente também estivesse a terminar e eu começasse a preparar-me para um novo ciclo. Como mãe e como ser humano. As ideias começam a chegar, a motivação também. A vontade de começar qualquer coisa, aprender mais um pouco de mim e do mundo. E isso faz-me sorrir ao acordar.

Um excelente fim de semana para todos.

quinta-feira, outubro 08, 2009

As pesquisas hilariantes...

Quem me visita por aqui sabe que tenho andado longe... pouco tenho escrito, pouco vos tenho visitado...

Estou de ninho, com outras coisas na mente e neste momento, aguardo ansiosamente a chegada da minha pequenina, daqui a um mês, mais coisa, menos coisa.

No entanto, e porque hoje estive mais presente, lembrei-me de procurar as buscas na net que vieram cá ter. O panorama mantém-se. Ao que parece, tudo o que diz respeito a homens - especialmente bonitos, vêm cá ter. Isto dura há meses, provavelmente desde um post com umas fotos de um grego giraço que foi considerado o homem mais bonito do mundo e que eu postei aqui.

Então vejamos a lista deste mês no que respeita às buscas de um jeitoso:
homem bonito
fotos de homem bonito
fotos de um homem
gajo bonito
homem com pés bonito ??????

E depois a coisa descamba completamente:
homem pau duro - como é que raios uma busca destas vem parar aqui????????????? É um enigma, mas que me valeu umas gargalhadas.

No entanto, o momento zen das buscas foi realmente este:

animal porquinho da índia menstruação
LOOOOOOL

Não só não consigo perceber ONDE, nos meus textos, existe alusão a tal frase... como nem sequer percebo o que é que uma coisa tem a ver com a outra... se alguém tiver teorias, faça favor!!!! Mais umas gargalhadas não nos fazem mal nenhum, certo? :)

Lugares comuns

Ao longo da nossa existência, existem locais, pessoas e momentos que nos marcam. Alguns desses, por um instante, outros para a vida toda.

Os nossos espaços sagrados têm mil e uma formas de ser. Existem locais selvagens, no meio da natureza, cuja presença nos tira o ar, nos quais a nossa alma se reverencia e se reconstroi. Existem outros locais, tão comuns que podemos passar por eles todos os dias, mas que para nós têm um valor inesgotável, que são nossos porque a eles pertencemos.

E existem aqueles que perdem a sua magnitude pura e simplesmente porque não os vemos. Porque aquilo que existe no nosso pequeno universo pessoal é um filme, cuja fita passa incessantemente, interminavelmente, com o mesmo guião. Os ambientes são os mesmos, as palavras as mesmas, as emoções... iguais. Os mesmos passos, cuidadosamente dados, da mesma forma. E as mesmas personagens, embora os actores possam mudar.

Para mim, esses são os verdadeiros lugares comuns, aqueles que parecem belos, lidos num romance épico pela primeira vez, mas que não passam de plágio medíocre, conforme os vamos revivendo, num círculo sem fim. A mim enjoam-me, confesso.

Gosto das minhas pessoas, cada uma com as suas especificidades, com memórias próprias e únicas, com locais só para elas e músicas que mas evocam como se as revivesse nesse instante. Respeito as minhas pessoas, os meus locais, as minhas memórias. E não quereria apagá-los, colocando outro actor a fazer o mesmo papel.