sexta-feira, abril 10, 2009

Milagres

Sexta-feira santa. Para que serviam os feriados, a não ser para um dia a mais de descanso? Além disso, era estudante, estava de férias. Havia apenas menos bares abertos, era a diferença, pensou com apatia. Já não eram tempos de milagres.

Caminhava com os amigos, meio absorta nos pensamentos e a atenção centrada em quem passava. Não conseguia livrar-se disso. Não conseguia livrar-se de o procurar. Mesmo que achasse que não valia a pena. Mesmo que os sinais que ele lhe dava fossem sempre dúbios.

Entraram na estreita rua e encostaram-se à parede, a cerveja na mão, o bar demasiado cheio para lhes apetecer entrar. As horas e a conversa iam passando e estavam quase a ir embora quando ele apareceu com amigos, virando a esquina. O coração dela começou a bater mais rápido. Sorriu. Sorria sempre, quando o via.

Os amigos dela queriam ir para outro bar, mas não foi capaz de ir com eles. Pensassem o que quisessem, dali não sairia. Não agora. Não sabia bem o que procurava, mas junto dele sentia-se estupidamente feliz. E nessa noite a alma dela ficou leve e sentiu-se capaz de qualquer coisa. Dizia-lhe piadas, metia-se nas conversas dele... e ele estava a gostar.

De repente, toda a gente se tinha ido embora. Excepto ele. Constrangidos, resolveram ir ter com os amigos dela. Sentaram-se, bebendo a cerveja, rindo das piadas de ambos, enquanto os amigos dançavam e a chamavam. Ela não saía dali. Não o largaria. Não sabia porquê, mas era como se ele estivesse ali só por ela, só para ela.

A amiga que a trouxera avisou que iam embora. Virou-se para se despedir dele.
- Vais-te já embora? - a pergunta séria pedia que não fosse.
- Tenho de ir. - respondeu. - A não ser que me queiras servir de táxi e levar-me a casa.
Obviamente, queria ficar. Mas sabia que ele tinha de se levantar cedo.
Ele brincou um pouco, e no fim, disse:
- Fica. Eu levo-te a casa.
Nem esperou que insistisse. Ficou. Desta vez, foi ele que se tornou mais confiante e super divertido. E ela mais tímida. Não sabia explicar o porquê disso, mas aquela noite parecia-lhe diferente.

Quando se meteram no carro, para ir, era já madrugada. Foram em silêncio, ela absorvida pela condução dele, ele perdido nos próprios pensamentos. Parou perto da praia.
- Vou ver o mar! - saiu disparado e ela seguiu-o, estranhando o gesto.
Sentaram-se na areia, contemplando o maravilhosos espectáculo à sua frente. Uma deslumbrante Lua Cheia que iluminava todo o mar, tornando-o num espelho de prata. Era lindo!

Teria sido a paisagem? Um truque da Lua? De repente, ele agarrou-lhe as mãos. Deu-se conta de que não conseguia olhá-lo nos olhos. "Porquê?", era a pergunta. Nunca tinha acontecido.
Resolvi descobrir e levantou o olhar, encontrando aquele olhar tão especial. Foi quando ele a beijou, suavemente. A magia envolveu-a, enquanto as mãos se erguiam para o puxar para si. As emoções que a atravessaram eram impossíveis de explicar. Sentia-se a mulher mais feliz do mundo.

Viu-lhe o desejo nos olhos. Um brilho diferente, parecia o efeito de uma droga. Nunca esqueceria aquele brilho. Ele parecia tão lindo,tão jovem... Ela tremia dos pés à cabeça, questionando-se se tudo não passaria de um sonho.

- Tens frio? - perguntou ele. Confirmou. Na verdade, tremia, mas não era do frio.
- Vamos para um sítio mais quente? - propôs.

Levou-a para sua casa. Nessa noite, caminharam abraçados, de mãos dadas, aos beijos... tudo o que nunca tinha acontecido. Era tudo o que ela desejara e fez-la sentir-se, verdadeiramente, especial.
Abraçou-a, beijou-a, murmurou-lhe palavras doces. E enquanto se perdia nos braços dele, recordou que talvez não fosse apenas uma sexta feira santa. Talvez os milagres continuassem a acontecer...

18 comentários:

MoonDreamer disse...

Talvez os milagres sejam isso mesmo... quando o inesperado acontece! :)

Rapariga do Batom Vermelho disse...

Gostei! O milagre do Amor...:)

Lita disse...

MoonDreamer, talvez o sejam. :)

Rapariga do Batom Vermelho, o verdadeiro milagre, não é? :)

Zabour disse...

Para que servem os milagres se não forem inesperados?

Bjokas

lilipat2008 disse...

Os milagres às vezes acontecem mesmo...:)

bjitos

izzie disse...

Há momentos em que tudo pode acontecer... até milagres ;)
Ai esse "estupidamente" aí rpó meio... LOOOL

Abraço,

Lita disse...

Zabour, de facto... ;)

lilipat2208, acontecem... mesmo! :)

izzie, é estupidamente um milagre! :D

Ianita disse...

O filme que vi ontem falava mais ou menos disso... as excepções existem. Os milagres acontecem. Só não os podemos esperar sempre. Só não lhes podemos virar as costas quando acontecem.

Adorei!

João disse...

Foi um truque da Lua, foi isso!

E um texto muito bonito.

Lita disse...

Ianita, também acho que os milagres acontecem. :)
Beijos.

João, a Lua tem as suas manhas... ;)

Salto-Alto disse...

Está aqui tão lindamente descrito um dos milagres mais bonitos e que mais nos completam! Parabéns!

No meu mundo mágico disse...

Texto lindoooooooo! Senti-me estupidamente bem a ler!
A felicidade é feita de momentos assim! E milagres acontecem todos os dias, quando menos esperamos!

beijinho grande!

izzie disse...

Ok... só para dizer que a Anita e o João a falar assim... deixam-me cá com um sorriso.
Tudo obra dessa cabeça e desse coração, Sr.ª D. Lita... ;)

Beijo grande,

Lita disse...

NO meu mundo mágico, que bom que gostaste. :)

izzie, :)

Mag disse...

Excelente, Lita.. E verdadeiramente inspirador :)

Lita disse...

Obrigada! :)

Pedro Barata disse...

Muito lindo este texto, Dra. Carla.
Beijinhos

Lita disse...

Obrigada, vizinho!
Beijocas.