sexta-feira, dezembro 28, 2007

Vida: manual de instruções?

Aprendi, para todo o sempre, que não existem caminhos únicos, pontos de vista certos ou certezas absolutas. Alguém se esqueceu de me dizer isso. Se o deveria ter dito ou não, é sempre discutível. Mas ninguém me disse, é o facto.

Houve outras coisas que não me disseram e que me surgem no caminho, das formas mais mirabolantes possíveis.
Não me disseram que não existem príncipes encantados, ou livros de reclamações para emoções não validadas. Não me disseram que eu própria poderia construir o castelo dos meus sonhos, sem esperar que me viessem buscar num cavalo branco, mas que, ainda assim, deveria ter cuidado, pois correria sempre o risco de me sentir uma prisioneira lá dentro.

Não me disseram que, mesmo quando tudo parece correr bem, o coração pode discordar e fazer-nos sentir absurdos e marginais dentro da nossa própria vida.

Não me disseram que magoar alguém pode ser mais doloroso do que ser-se magoado. Que quando estamos sós, ansiamos estar com alguém mas, quando estamos acompanhados, podemos ter saudades de nós.

Não me disseram que podemos ansiar pela tranquilidade e pela harmonia, mas que o mais importante de tudo é RESPIRAR!!!!! Que a paz de espírito pode surgir ao anoitecer, no calor de uma lareira e de um copo de vinho tinto, ou a fazer bungee-jumping no meio de sítio algum, e sem qualquer plano para o momento seguinte.

Não me disseram, talvez, para eu aprender, ou para me lembrar! Não me disseram, provavelmente, porque também não sabiam. Ou porque cada vida tem um manual único, não é universal.

"Faças o que fizeres, não desistas de ti!" Isto disseram-me hoje. Eu já sabia disto, claro. Apesar de nem sempre me lembrar. Mas, de uma forma estranha, fez toda a diferença. Será a minha primeira regra no manual de instruções.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Maior de 21 anos

Li isto e achei muito bom...

terça-feira, dezembro 18, 2007

Plágio

"Abro todos os dias a minha caixa de correio com a esperança de encontrar a tua resposta às cartas de amor que te escrevi mas que nunca tive coragem de enviar."

Sobre a entrega

Encontrei, algures, esta frase que vibrou em mim, ao ponto de a querer despir... brincar com ela...
Porque razão as mulheres têm mais dificuldade em se entregar quando nos entregamos nós a elas?

É uma probabilidade que aconteça... não me parece maior do que acontece aos homens. Mas nas mulheres, quem sabe, nota-se mais. Porque somos mais emotivas, expansivas, dramáticas, talvez... E porque a entrega tem a ver com o quê, afinal? Com o corpo, a alma, o pensamento? O medo? Às vezes a entrega dá-se onde menos se vê.

Ou porque somos loucas e não sabemos o que queremos? Porque um homem real não é tão interessante como um homem imaginário, distante, indisponível? Porque existe um arquétipo do amor romântico que, afinal, não completa a nossa vida, nem trás livro de reclamações e, por isso, a entrega dá medo da desilusão? E entregar-se-ão, alguns homens, às mulheres que se entregam a eles?

Recordo-me da altura em que entreguei tudo o que tinha a um homem em quem confiava. E quando assisti à sua não entrega, o quanto isso ruiu o meu mundo! Mas, quando fiquei pronta a olhar para trás percebi que a minha própria entrega pode não ter sido tão grandiosa, tão visível aos seus olhos. Se faria algumas coisas diferentes? Provavelmente. Se não lhe entregaria a minha alma? Claro que o faria!!!!

A verdade é que na maioria das vezes, vivemos no medo. E isso impede-nos, pura e simplesmente, de ver o outro. Somos nós que nos magoamos a nós próprios.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Amor

Começou a vomitar na sexta de manhã. Depois, foi aguardar e ver se melhorava, ligar à pediatra, ir à consulta de urgência. Gastroenterite viral. Não é um nome que se explique bem a uma criança de 3 anos, não é?

O fim de semana aterrador de vê-la chorar com dores de barriga, vomitar o pouco que comia, dormir muito pouco, passear-me pela casa com ela ao colo, cantando músicas do "Jesus Christ Superstar" que, sabe Deus porquê, ela adora.

Aconchegá-la, fazer-lhe massagens na barriguinha, convencê-la a tomar os remédios, contar-lhe histórias...

E num dos instantes de calma, estando ela ao meu colo, quieta,parecendo adormecida, chega-se perto do meu ouvido:

- Sabes, mamã, gosto tanto de ti!!!!

Existirá no mundo sentimento melhor do que aquele que me invadiu? Tenho sérias dúvidas!!!!!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Locais sagrados

Por mais anos que passem, quando procuro um lugar seguro, ainda que na minha mente; quando preciso de pensar, ou de regressar a quem eu sou é para aqui que venho.
O local onde cresci, onde brincava aos piratas no "Pouca Sorte", o mar que me trazia sempre tranquilidade, o céu mais brilhante e onde vi passar centenas de estrelas cadentes. O banco verde onde escrevi os meus primeiros poemas, onde confessei alguns dos meus segredos, onde chorei lágrimas solitárias, onde beijei a paixão da minha vida.

Há momentos em que tenho saudades, vontade de caminhar na areia, deixar passar entre os dedos os grossos grãos, sentar-me à beira-mar. Respirar o silêncio pontuado pelos aviões ali tão perto.

Olho para lá e não vejo nada de extraordinário. Já tentei replicar a experiência em milhares de outros lugares, alguns imensamente mais lindos, mas não é igual. Ali, nada é extraordinário a não ser a identificação,a sintonia, a essência que habita em mim e que pertence, também, àquele lugar.

"O nosso tesouro está onde está o nosso coração."

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Storm

Vocês não sabem, mas desde quinta feira passada, já me foi proposto um lugar de coordenação de um projecto, eu aceitei, despedi-me do lugar onde estava, preparei-me para iniciar funções, houve problemas externos a mim no novo emprego, vim-me embora, voltei atrás e recusei o lugar, fiquei, por isso, desempregada, voltaram a propor-me o mesmo lugar com melhores condições e... senti-me cansada demais para pensar!!!!!

Estou de greve mental!!!!
Se sou instável? Claro? Se o mundo é mais intenso do que a ficção? Qual é a dúvida?

Ok, era mesmo só para desabafar!!!!!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Prémio II

A Patrícia resolveu premiar-me, hoje. Não é nada mau receber um prémio pela segunda vez...

Aproveito por isso, para voltar a deixar a mensagem para os meus "antigos" premiados, que não levaram o prémio.

Olavo - http://comentariosdepassagem.blogspot.com/
Carol - http://nomeiodosbifes.blogspot.com/
Sandra -http://palavras-a-fio.blogspot.com/
Mia - http://mia-amigos-e-companhia.blogspot.com/

Direitos Humanos: um "pequeno" grande pormenor

A Ana (nome fictício) é uma filha da prostituição. Nunca soube ou saberá quem é o seu pai, uma vez que a mãe também não o sabe.
Prostituta e toxicodependente, a mãe dela deixou-a, desde os 25 dias, ao cuidado dos avós. Por isso, até aos 5 anos, a Ana conheceu o calor de uma cama, o conforto de um colo ou de um beijo, o prazer de uma refeição quentinha e saborosa.


Com um novo casamento e dois filhos, a mãe da Ana veio buscá-la com essa idade e os avós, que não tinham regulado a situação em tribunal, nada puderam fazer. Mais tarde, houve quem ouvisse a mãe da Ana justificar a presença da filha lá em casa como mais um aumento do Rendimento Social de Inserção.


Talvez a Ana a fizesse lembrar o seu passado. Talvez não gostasse dela. Talvez se portasse pior do que os irmãos. Talvez tantas coisas...


A Ana apareceu na escola muitas vezes marcada, antes de ser sinalizada à Comissão de Protecção de Menores. Às vezes, a mãe cortava-lhe o cabelo curtinho, "só porque sim". Não a deixava tomar banho de água quente, apesar de todos os outros o fazerem lá em casa. Não lhe comprava material escolar, tendo os avós que o fazer.
Os técnicos intervinham, mas o tempo passava, a mãe da Ana prometia melhorar algumas coisas e jurava que tantas outras eram mentira dela, para ir para os avós "que tinham mais dinheiro".


A Ana comia restos e dormia no chão. Houve muitas outras coisas, que só se soube mais tarde, porque a Ana não contava tudo.

A Ana tem 13 anos, neste momento. Fugiu de casa aterrorizada, depois do padrasto a ter tentado violar várias vezes, e finalmente foi colocada na casa dos avós. A mãe continua a dizer que é tudo mentira. Quem olha a fundo para os seus olhos tristes sabe que não. Que é tudo verdade...


Este é um dos milhares de casos que temos entre nós. Só para recordar os direitos das crianças.



Em 20 de Novembro de 1959, a ONU fez a Declaração dos Direitos da Criança, com 10 artigos:

1- A criança deve ter condições para se desenvolver
física, mental, moral, espiritual e socialmente, com liberdade e dignidade.
2- A criança tem direito a um nome e uma
nacionalidade, desde o seu nascimento.
3- A criança tem direito à alimentação,
lazer, moradia e serviços médicos adequados.
4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de
segurança.
5- A criança prejudicada
física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.
6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.
7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.
8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.
9- As crianças devem ser protegidas contra prática de
discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.
10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e
paz entre os povos.

sábado, dezembro 08, 2007

Direitos Humanos

Dia 10 de Dezembro comemora-se o Dia dos Direitos Humanos.
O Sam deu origem à Campanha.
Tudo o que é necessário é um texto sobre o assunto e a nossa energia colectiva. No blog dele, está toda a informação.
Vamos entrar?????

sexta-feira, dezembro 07, 2007

A frase da minha vida

Eu sei que não tenho propriamente um ar frágil, nem costumo deitar a cabeça nos ombros dos outros e chorar. Só mesmo às vezes, e com "outros" muito especiais.

Eu sei que nasci com um ar confiante, que quase nunca reflecte o interior, e que o facto de olhar para a frente e não para baixo, apelida-me, muitas vezes, de arrogante.

Eu sei que olho os outros directamente nos olhos, porque gosto de encarar a alma por detrás de cada ser que encontro nestas passagens.

Eu sei que tenho alguma dificuldade em me fragilizar, embora tenha cada vez menos, e que não suporto sentir-me uma vítima. Que prefiro responsabilizar-me pela minha própria vida, ainda que por vezes seja imensamente doloroso.

Mas quando dói, quando me perco no meio das situações, quando não me apetece levantar da espada e ir em frente, e me dizem "TU SUPERAS TUDO", há um sorriso amargo no meu ser. Uma ironia por detrás desta trama,um castelo que eu construí e que não parece destruível.

Eu não supero tudo.
Eu tenho muitas vezes medo, acho que não estou à altura dos acontecimentos. Eu nem sempre sei o que quero. Desejo tantas vezes que tomem conta de mim, apesar de saber também que quando o tentam fazer, luto contra isso com todas as minhas forças.

Não sou mais forte do que ninguém. Se calhar, a diferença,é que também acho que não sou mais frágil do que ninguém.

Mas, definitivamente, não gosto que me digam "tu superas tudo".

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Grrrrrr!!!!!

"Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te"
Shakespeare

Perdida

Se alguém me encontrar por aí, pode avisar-me, por favor?

terça-feira, dezembro 04, 2007

O melhor elogio

Encontrei a E. a trabalhar numa gelataria, num final de tarde chuvoso. Olhei para ela e não pude deixar de sorrir, enquanto me vinham imagens de uma menina de 16, 17 anos, rebelde, curiosa, birrenta e difícil.

Assim que me viu, sorriu e, meio envergonhada, veio abraçar-me. Ali estava aquela mulher de 21 anos, crescida, a perguntar-me como é que eu estava e onde trabalhava, agora.

Foram dois anos especiais, aqueles em que eu e a V. criámos o "grupo de raparigas" onde, semanalmente, nos reuníamos por duas horas, para "falar da vida".

- Crescer é difícil. - disse-me enquanto limpava a bancada. - Hoje percebo que aqueles tempos não eram tão maus assim.
- Tens estado com as outras? - pergunto.
- Sim, muitas vezes. Falamos muito de como éramos e de como cada uma seguiu uma vida diferente. Mas sabes, há uma diferença entre nós e as outras raparigas da nossa idade. É que por mais difícil que a vida seja, nós conseguimos sempre saber o que é que estamos mesmo a sentir e decidir de acordo com isso, sem culpar ninguém. Isso aprendemos contigo e com a V.

Olho novamente para aquele menina-mulher com os olhos cheios de lágrimas, tentando perceber se ela tem noção de que acabou de me dar o maior elogio que eu recebi e, provavelmente, que receberei para o resto da minha vida. Sei que não tem essa noção. Mas agradeço à vida poder ter passado na vida dela, um dia, e ela na minha.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Vidas

A D. Isabel partiu ontem de manhã, depois de 77 anos de uma vida dura. Não tive muito contacto com ela. A primeira vez que a vi foi há uns 10 anos e estava bastante envergonhada, pois entrei na casa dela às 3 da manhã, depois de ter perdido todos os transportes e passei a noite com o N.

Ela não fez qualquer comentário e resolveu a dissonância dentro dela começando a tratar-me por "a noiva do N.". Depois disso, vi-a mais 4 ou 5 vezes. Sempre amável e, depois de puxar conversa, com uma lágrima no olho, fruto de uma vida que não correu como esperava.

Não casou com o homem que mais amou, depois do marido falecer começou a passar dificuldades, para além do filho toxicodependente que ela se recusava a abandonar e a quem dava todo o (pouco) dinheiro que tinha. Se não a mãe a ficar com ele, quem mais o fará? A saudade dos netos é que a desgastava.

Criou o N. como uma mãe, e por isso ele lhe chamava carinhosamente Avó Isabel. Achamos que ela finalmente está em paz. Provavelmente, esta era a única forma de o conseguir, pois o cansaço da vida que levava estava de facto a matá-la. E conseguiu fazê-lo.

Gosto de pensar que ela olhou para a sua vida e viu momentos de ternura, de amor, alegria. Que não se arrependeu das suas escolhas. Que encontrou um sentido. Dói menos.

Foi amada e não será esquecida.

segunda-feira, novembro 26, 2007

O outro lado da moeda (again)

O despertador toca e são 7 da manhã. Não quero acordar, mantenho-me na cama até às 7h20, numa ronha morna e sonolenta.
Levanto-me e, ao chegar à cozinha, a aberrante visão de uma montanha de louça para lavar!!!
"Porra!"
Enfureço-me. Discuto com o N, não para o culpar (ele nem esteve em casa ontem), mas para extravasar. Chamo o L. e dou-lhe uma descompostura das grandes. Se eu cozinho, eu não lavo a louça e este TEM de ser lavada. Entendidos? Ele começa a lavar a louça.
Saio porta fora a pensar porque é que uma pessoa acorda bem-disposta a uma segunda-feira de manhã para ter de encarar coisas destas.

Estranhamente, vem uma resposta diferente das habituais.
"Porque TENS uma família. Porque cresces dentro desse ninho, com as bençãos e responsabilidades próprias desse estado. Porque ela é a portadora dos teus maiores desafios e é por isso que se chama Família. Os teus maiores desafios estão ao teu lado, para mais facilmente os poderes ver e ultrapassar."

Resposta estranha e sábia. Algo mudou por aqui. Ainda não sei definir, mas sinto-me novamente bem-disposta. E a louça ficou lavada.

domingo, novembro 25, 2007

True Love

Foi aos 17 a primeira vez que os pais o deixaram sair à noite. E era uma noite especial,o baile do liceu.
Entusiasmado, ansioso, feliz,vestiu a sua melhor roupa e caminhou até à noite mágica.

A primeira vez que saía, nada podia ser desperdiçado. E ali estava ela. A razão da sua existência. A rapariga mais bonita da escola. Olhava-a de soslaio, envergonhado, enamorado, sonhador.

"Black magic woman", a música que tanto gostava, nos Top's, na altura. Encheu-se de coragem e convidou-a para dançar. Era uma noite mágica. Ela aceitou dançar com ele.
Senti-la nos braços, ao som da sua música preferida. Cheirar o seu cabelo, sentir a maciez da sua face. Existem instantes que duram para sempre. E ainda assim são curtos demais.

A música acabou e levou-lhe a sua amada. Ele não era popular, tinha uma bicicleta. Outros tinham motas, ou carros.

E 40 anos se passaram.

Um dia, algum tempo depois do seu divórcio,trabalhava no escritório quando, na rádio, se ouve o som de "Black Magic Woman". Parou o que estava a fazer. Cada acorde trazia a sensação de a ter nos braços,o coração afogueado, o cheiro do seu pescoço. O amor puro e forte que sentia por aquela rapariga. A emoção do primeiro amor.

Resolveu ligar-lhe. Conseguiu o número através do liceu. Falaram duas horas e meia ao telefone. Combinaram encontrar-se. E, desde esse encontro, nunca mais se separaram.

Ele viaja muito a trabalho e ela acompanha-o. Quando não o faz, o reencontro é cheio de abraços, beijos e risos.

Quando olho para eles, não me é difícil ver um menino de 17 anos completamente apaixonado pela rapariga mais bonita da escola. E o olhar de admiração e amor que ela lhe oferece aquece o coração de qualquer um. Vê-los é uma prova de que tudo é possível.

sábado, novembro 24, 2007

Coaching

Ontem, fez 6 meses que fiz a minha certificação em Coaching. 10 dias tão especiais que, a cada vez que penso neles, ainda sinto um calor no coração.

Fizemos um jantar, onde só puderam estar algumas pessoas, mas com a feliz coincidência de poderem estar presentes os formadores, que não vivem no país. Senti uma alegria imensa por, naquele grupo, não existir o factor tempo (coisa que só sinto num número especial de amigos). Era como nunca nos tivéssemos afastado. Foram 5 horas de intensa alegria, conversas interessantes um verdadeiro e profundo afecto por todos.

E ouvir o Manfred, um ser humano magnífico, com um coração do tamanho do mundo. E sua simplicidade, sabedoria e alegria. Uma daquelas pessoas que, sem dúvida, causa aquele desejo... "quando for grande,quero ser como ele!"

Nele, é fácil recordar a filosofia do coaching.
O cliente tem as respostas.O coach, as perguntas.

quinta-feira, novembro 22, 2007

New Shopping in town

Na busca dos presentes de Natal para a filhota (sim,aos 3 anos já se escrevem cartas ao pai Natal... cartas muito assertivas!!!! :)), fui ao Jumbo, que agora faz parte do novíssimo Centro Comercial Allegro.

Já tinha visto coisas equivalentes, mas ainda assim, fiquei boquiaberta. A febre do Natal faz mal aos comerciantes,definitivamente. É que abriram um Centro Comercial que está, literalmente, em obras. Os elevadores ainda não funcionam, 80% das lojas está fechada, o chão está sujo de cimento, tinta e sabe Deus que mais. Polícia ali à volta,porque,com as obras na estrada, e os camiões de mercadoria à mistura, o trânsito está um caos.

No meio da minha incredulidade e sentido crítico, recordei que há um equilíbrio em tudo, só temos que o procurar.

:) Ali estava o outro lado da moeda, o lado positivo da coisa. Uma FNAC linda, enorme e cheia de coisas maravilhosas, mesmo pertinho da minha casa!!!!!

Isto de olharmos para o lado bom tem que se lhe diga!!!!!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Prémio Inesperado!!!! :)

Surpresa boa!!!! No dia em que decido mudar 99% das coisas na minha vida, recebo um prémio da Solitude, sobre uma das coisas que mais gosto de fazer: escrever!!!! O universo é rápido a dar respostas...

Agora, há que seguir as regras indicadas:

1. Indicar quem foi que atribui o prémio - Solitude - http://solitudenight.blogspot.com

2. Atribuir o prémio a 7 blogs que considere "até não são mau blogs" ... para mim são fantásticos, e uma companhia diária!
...e eles são...

Solitude - http://solitudenight.blogspot.com - é com prazer que te retribuo o prémio!!!!

3. Fazer referência ao criador deste prémio - http://nporca.blogspot.com/

Transformação


Quero que seja hoje!!!

segunda-feira, novembro 19, 2007

Animais de Palco

Uma banda de animais.
Uma girafa e um macaco apaixonados. Um leão e uma hipopótamo muito especiais. Uma gata muito sexy.
O amor, a salvação do planeta e muita música.

Finalmente fomos ao teatro com a princesa. Adorou. Os olhos brilharam do início ao fim. Batia palmas com todo o corpo, cantou com os "bichos". Quase chorou quando as personagens se zangaram.

- "Mamã, amanhã vai ser tudo "difente"!

À noite, pediu-me a história dos animais e perguntou-me se podíamos comprar o filme....

É tão fácil fazê-los felizes...
Para dizer a verdade, fez-me feliz a mim também. Valeu a pena ver a peça. Muito humor, inteligência, e a versão mais sexy de todos os tempos da canção "Ao passar a ribeirinha".

A não perder mesmo!

Manhã de Inverno

Com este frio.... e todo este sono...

... nada com uma belíssima chávena de café quentinho!!!!

sexta-feira, novembro 16, 2007

Espiritualidade humana

Li uma vez, num livro, que não somos seres humanos em busca de um caminho divino, mas sim seres divinos a caminhar por um trilho humano. Achei bonito.

Considero-me um ser espiritual, desde que se entenda que não acredito numa espiritualidade que não abarque a minha humanidade.

Procuro o melhor de mim, um ser mais sábio que me habite e me indique quais os caminhos a seguir, quais as respostas reais aos desafios que me são colocados. Mas gosto de ser humana. Gosto de ter um corpo, um rosto. Gosto de sentir a água na pele, quando tomo duche, gosto do sol que me aquece. Gosto de vivenciar emoções, confesso que não só as boas. Procuro intensidade em quase tudo.
E não, não gosto de me sentir só, desamparada, culpada ou inútil. Mas isso também sou eu, em alguns momentos, e não acredito que essa parte de nós esteja fora de Deus, tenha essa palavra o significado que tiver, para cada um.

Por isso não quero, não quero que o melhor de mim seja apenas o sorriso, a compreensão maior, a sabedoria que não abraça as lágrimas. Não quero que o exemplo de quem sou seja apenas aquilo que faço "bem", perfeito, sem mácula. Quero que o exemplo de mim seja a minha humanidade, as entregas em que dou luz e alegria, e aquelas em que me escondo, me enrolo sobre mim mesma e peço ajuda. Porque ainda assim, faço aquilo que consigo. Porque ainda assim, é o melhor de mim, naquele instante. E isso é tão espiritual como outra coisa qualquer.

segunda-feira, novembro 12, 2007

1º livro, página 161, 5ª Frase Completa

Pegando no desafio da Neptuna, cá vai:

"As etiquetas nos cestos ou caixas com um exemplar, uma figura ou uma fotografia podem ajudar as crianças mais velhas a arrumar os brinquedos naqueles dias em que esvaziaram todas as caixas."
Educação de Bebés em Infantários, Jacalyn Post e Mary Hohmann.

Formação a quanto obrigas.

Passo o desafio à Joana, à Carol e à Sayuri.

1º) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2º) Abra-o na página 161;
3º) Procurar a 5ª frase completa;
4º) Postar essa frase no seu blog;
5º) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6º) Repassar para outros 5 blogs.

Gosto...

De castanhas cozidas com erva doce.

Sabem-me a infância, a colo de mãe. A tardes passadas com a família, a histórias antigas, a inocência.

Sabem-me a quente, a barriguinha cheia, a sorrisos e brincadeira.

Sabem-me a história...

domingo, novembro 11, 2007

Mãe leoa

Tínhamos 45 minutos para chegar ao teatro. Tempo mais que suficiente.
Ontem chegámos lá e não havia bilhetes. Comprámos os últimos para hoje.

Bolinha de Sabão, o nome da peça. A filhota estava excitadíssima, era a sua estreia no teatro. A mãe e o pai não lhe ficavam atrás.

Mas havia uma corrida de atletismo. Até aqui, tudo bem. O problema é que, na manhã de Domingo, para quem mora onde eu moro, não se saiu de casa. Três saídas diferentes, cortadas todas ao trânsito, deixando os carros a andar em círculos e sem poder sair. Se fomos avisados com antecedência? Não. Mesmo que fossemos, o que nos diriam? "Não saiam de casa no domingo, porque não há saídas possíveis para automóveis?"

De facto,há coisas que não entendo.

E enquanto regressávamos a pé para casa - com o carro estacionado num local qualquer, às 11h25, com a miúda a chorar desalmadamente por não ter ido ao "teato", eu rezava para que ninguém se dirigisse a mim,porque as garras estavam, definitivamente de fora. Naquele momento, se eu apanhasse um político, um polícia - ou mesmo um atleta - tinha-lhe arrancado os olhos à dentada.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Há 20 anos atrás...

... eu vibrei com isto!!!!


...

Acordei novamente com o sonho de ti.
Não senti frustração, nem fiquei irritada, nem me senti traída por mim mesma. É verdade quando disse que regressei de olhos abertos.

Ainda assim, e por te ter sonhado antes de te conhecer, e sonhar-te ainda, quando já és um desconhecido, houve um suave embalo na minha alma... conforto ou desalento?

Já não sinto a tempestade do teu ser na minha presença. Às vezes, porém, na suave brisa do vento, ainda te consigo inspirar. Curioso...

terça-feira, novembro 06, 2007

Por hoje...

Hoje não estou disposta a ser menos do que eu mesma.
És capaz de aguentar?????

segunda-feira, novembro 05, 2007

Silêncio, se faz favor!!!!

Embrenhei-me para dentro, como que enrolada sobre mim própria. A noite, a lua que diminuia pouco a pouco, a vibração da Serra e o profundo estar, apenas estar, não com o outro, nem comigo, mas apenas estar ali, respirando com a própria terra.

Permiti-me isso, a não elaboração mental (à qual, modestia à parte, sou muito boa!!!!). Abandonei por umas horas as explicações que me dizem tudo, me enquadram cada instante da existência, sem no entanto mostrar nada, pois o que se sente não tem explicação.

Fácil? É fácil abandonar a cana com a qual se apanha mais peixes? Não foi.
Ainda assim, silenciei-me com intenção.

E não sei se regressei mais inteira. Julgo que sim. Sei que regressei com os olhos abertos. Não me tinha apercebido, sequer, que os tinha fechados....

sexta-feira, novembro 02, 2007

Retiro

Ás vezes preciso de sair de mim para me encontrar.

Distanciar-me do mundo e dar-me tempo, espaço para pensar, sentir, respirar.

Fugi para aqui. Volto na segunda. Espero que um pouco mais inteira....

segunda-feira, outubro 29, 2007

O Poço das Sombras

Eu sei, eu sei... mas pura e simplesmente não consigo resistir.
Saiu ainda há pouco, mais um daqueles livros que me leva para fora do tempo e do espaço, me faz esquecer do mundo lá fora e me acende uma pequena e (des)conhecida chama.

Memórias de fada? Alma de adolescente?
Talvez, mas faz-me sonhar e sorrir... e eu não resisto a nenhuma das duas coisas.... :)

sexta-feira, outubro 26, 2007

O elo quebrado

Conheciam-se há 20 anos. Viviam juntos há 11.
Se era fácil? Não. Ele tivera sempre o dom de viver perigosamente. Onde havia sarilhos, ele seguia o rumo.

Ela não. Era mais calma, serena. Abria-lhe os braços e escondia-o do mundo, quando tudo parecia dolorosamente insano.

Ela conhecia-lhe os pesadelos nocturnos, os pensamentos mais obscuros. Sabia ler-lhe as entrelinhas, os silêncios profundos, as fugas à realidade. Estava com ele. Amava-o. Sabia que o amor era construído assim, entre risos e lágrimas, entre sonhos conjuntos, degrau a degrau.

Existia um elo. Invisível para os outros? Talvez, mas ela sentia-o em cada instante em que os seus olhos pousavam nele.

Um dia ele partiu. Outro amor, outra aventura, outro perigo. Ela ficou. Só, destroçada. Irreconhecível.

Levantou-se. Mudou de casa. Mudou de vida. Ainda o sentia na pele, no bater do seu coração. Esperava que ele regressasse, como nos dias em que lhe abria os braços. Existia um elo invisível. Conheciam-se há 20 anos. Conheciam-se.

Ela fez anos. Passara os últimos 11 aniversários junto a ele. Só a ele. Existia um elo que era só dos dois. O telemóvel foi dando os apitos das habituais mensagens de parabéns. Agarrava cada uma delas como uma esperança, que se convertia em desilusão. O dia passou.

Despertou no dia seguinte com um "bip". Agarrou o telemóvel. Mensagem dele.
"Preciso que vás ao tribunal. Há lá qualquer coisa marcada, mas não consigo perceber o que é. Agradeço imenso. Adeus."

Fechou os olhos, rindo, para não chorar. Às vezes, não existia absolutamente nada.

Quase perfeito...

Beber café num local desconhecido, com o dia todo pela frente e sem compromissos.
Passear pela Baixa de Lisboa.
Comprar um livro.
Ir ver o rio.
Ouvir-me.
Receber um elogio.
Ir beber um copo à noite, mesmo que seja a meio da semana.
Dormir depois de uma conversa intemporal.
Levantar-me com um sorriso.
Passar a manhã na Serra de Sintra, respirar a vida, re-criar-me.
Almoçar a salada mais deliciosa do mundo...
Encontrar uma amiga que não via há muito.
Deitar-me cansada e feliz.

...
E voltar hoje para o trabalho....

terça-feira, outubro 23, 2007

Parabéns!!!

Há pessoas que encontramos por acaso e que ficam colados à nossa existência como se fizessem parte dela.
Assim foi contigo. Tínhamos... quê? 12 anos? Faltámos à aula de educação musical porque tu estavas a chorar... e desde então nunca mais deixámos de chorar ou rir juntas...

Iniciámos uma conversa, nesse dia, e tenho a sensação de que quando nos encontramos pura e simplesmente a retomamos, ainda que por carta, telefone, ainda que não nos tenhamos visto nos últimos meses. Acho que os melhores amigos se reconhecem assim... :)

De qualquer modo, sei que foi um ano difícil... sei que perdeste tudo... sei que te tentas reerguer com uma dignidade que causaria inveja a muitos. A mim causa-me admiração e alegria por partilhar contigo esta história.

Sei que o sabes, minha amiga, mas as pessoas têm o estranho hábito de poupar nas palavras e nas emoções. Por isso, o quero dizer... GOSTO MUITO DE TI!!!!!!!

Parabéns e que os 32 sejam o princípio de uma nova e esplendorosa vida!

segunda-feira, outubro 22, 2007

Estou viciada nesta música!!!!!

Cansaço

Sabes... quando andas 24h por dia a pensar em tudo o que dizes, tudo o que fazes, a forma como sorris, quando medes a força do toque no outro, controlas quantas vezes te aproximas, para não negligenciar, nem sufocar e começas a acreditar que, se tiveres força, tudo corre bem... e há aquele momento em que tens sono, o dia foi demasiado longo, o corpo está demasiado cansado, tudo está calmo e, por uns escassos momentos, relaxas... e tudo desaba num ápice?!!!!

Ando a sentir isso demasiadas vezes....

sexta-feira, outubro 19, 2007

Sobras

Há momentos que nos ficam na memória pura e simplesmente por aquilo que são. Eis um deles.

Durante um jogo de King, 2h00 a.m.

P -Épá, já é tarde. Estou com fome...
S - Queres sobras do jantar?
P - O que é que foi o jantar?
S - Sobras de almoço com arroz.
...

Indefinições

A Neptuna falava de definições, no outro dia. Essas correntes ilusórias de segurança, às quais nos agarramos na tentativa de não afundar no mar da indefinição.

Ao longo dos anos apercebi-me, porém (e talvez seja defeito de profissão) de que nada é definitivo, muito menos as definições. Nada é absolutamente bom, ou absolutamente mau. Não existem escolhas certas ou erradas,mas sim pesos na balança de cada um de nós, que pendem para um lado ou para outro.

Apercebi-me de que as coisas que pedimos nem sempre estão alinhadas com as que queremos. E mesmo as que queremos, podem ser fruto do anseio do coração do adulto, ou da carência profunda da criança em nós. Tão ténue é a linha da separação. Julgo-me tantas vezes por não a conseguir discernir.

Faço o que posso para respeitar a alma em mim. Permito-a sentir, expressar-se, ainda que, por vezes, sem voz. Hoje,não me apetecia fazer isso. Apetecia-me não me preocupar com os anseios ou as carências, as ilusões ou as mentiras. Viver como se não existisse amanhã. Será que me daria ao trabalho de pensar tanto?

quinta-feira, outubro 18, 2007

Às vezes...

Às vezes queria que a alma se esvaziasse da dor, da expectativa, dos sonhos desvanecidos pela onda de realidade que nos abana.

Às vezes queria abrir a boca para deixar sair o chorrilho de palavras não ditas, emoções não assumidas, gritos presos no fundo de mim.

Mas não chega.

Às vezes precisava que o outro me ouvisse, mais do que qualquer outra coisa. Precisava de ser validade pela presença de quem me dissesse: "Estou aqui. Também lá estive. Foi real."

Precisava que as minhas fantasias tivessem ecoado em alguém. Que o sonho fosse partilhado, para poder deixá-lo partir...

O sacana do Neptuno anda aí, tenho a certeza!!!!!!

O "poblema"

Mãe deita a princesinha, dá-lhe um beijo e diz:
- Se precisares de alguma coisa, estou mesmo aqui ao lado.
30 segundos depois.
- Mamã, se eu tiver um "poblema", posso ir para a tua cama?
- ... Sim, podes. Até amanhã.
30 segundos depois.
- Mãe... tenho um "poblema". Ainda não consegui dormir nada.

Sem comentários.

quarta-feira, outubro 17, 2007

O pescador

Com a infância regada pelo cheiro da maresia, de peixe fresquinho ainda a saltar no fundo dos barcos e do cheiro rude e salgado dos homens do Mar, Vicente inchava de orgulho a cada elogio tecido ao seu padrinho,de quem herdara o nome.

- O ti Vicente tem mão d'ouro, para onde manda a cana, é onde eles fazem a festa.

Aqueles homens, enfiados nos gorros de lã, camisas de xadrez em flanela e botas de borracha até ao joelho, pareciam-lhe mais fortes do que os herois dos quadradinhos. Todos os dias enfrentavam o gigante azul, em busca de sustento para a família. Onde existiria maior nobreza?

Foi numa tarde ventosa de Novembro que o barco encalhou na rocha e se virou, jogando os homens ao Mar e, juntamente com eles, o pequeno Vicente, que decidira acompanhá-los.

Não houve perdas, nem feridos. No entanto, os segundos sentidos como anos, passados a esbracejar, para depois vir ao de cima e encontrar o barco virado sobre a sua cabeça, enclausurando-o na mais completa escuridão, encheram de terror o pequeno, que se convenceu de que morrera, antes dos braços fortes do ti Vicente o resgatarem da água e do pesadelo.

A partir desse dia jurou que não morreria no mar e não mais se aproximou deste, dos barcos de pesca ou das camisolas do padrinho. Ouvia as histórias dos homens,mas longe da praia.

A pesca era agora um sonho longínquo, como aqueles dos colegas de escola, que queriam ser astronautas, sabendo de antemão que não passariam do 6º ano.

Passaram-se os anos e Vicente tornou-se um homem. Saiu da escola e foi trabalhar com o pai, na loja de ferragens,seguindo as pisadas dos dois irmãos mais velhos. Era um bom trabalho, honesto, simples, sem a instabilidade da pesca ou dos mares de Inverno. Então, porque é que o seu coração, às vezes, parecia tão vazio que quase não o sentia?

Visitou o ti Vicente, que já não ia ao Mar há muito, num Verão quente e seco, daqueles em que a chuva viaja para longe sem bilhete de regresso. E o pedido do velhinho comoveu-o.

- Leva-me a ver o Mar, filho. Sabes que sozinho já não consigo.

Vicente agarrou no padrinho cambaleante, envolveu-o nos seus braços fortes e, em curtos passos, caminharam até à rocha,de onde se via o Mar.

Foi um instante em que ele olhou para cima, seguindo o voo das gaivotas. Baixou a cabeça e o ti Vicente desaparecera. Caíra, atirara-se, voara? Debruçou-se e viu o velhote esbracejando, a cabeça surgindo entre a espuma branca, numa busca desesperada de ar.

Vicente jogou-se de cabeça, sem se preocupar com nada que não aquele velho ti Vicente, que lhe iluminara a infância.

Ajudou-o o chegar à areia. Vinham os dois sorrindo. Teria o velho feito de propósito? Vicente não o poderia saber? Aquele mergulho, porém, trouxera de volta os seus sonhos.

Hoje sinto-me assim...


However far away I will always love you
However long I stay I will always love you
Whatever words I say I will always love you
I will always love you


(The Cure - Lovesong)

segunda-feira, outubro 15, 2007

terça-feira, outubro 09, 2007

Revolvio

Porque fue suficiente
hablarle con los ojos desde allí.
Si en ese mismo instante
su vida era tranquila y feliz,
la vino a revolver con bollitos y miel

Mareas en la tierra,
el cielo iba cubriéndose de gris.
Porque salió el torrente,
el miedo y las ganas de sentir.
Y quiso saborear la masa de su pan.

Revolvió su calor con su voz,
con leche y azúcar se lo dio a beber.
Bordeó el corazón la razón con unos besos de ron y miel.
Horneó con su aliento su pelo,
y caramelo parecía al terminar.
Y quiso saborear la masa de su pan.

Escríbele canciones,
envíale tu voz donde él esté.
Vagando por su almohada
le vino a visitar en sueños él.
La vino a revolver y se dejo hacer.

Estampidas en la tierra,
el cielo iba tiñéndose marfil.
Porque brotó el torrente,
el verbo y las ganas de sentir.
Y pudo saborear la masa de su pan

Él revolvió su calor con su voz,
con leche y azúcar se lo dio a beber.
Bordeó el corazón la razón con unos besos de ron y miel.
Horneó con su aliento su pelo,
y caramelo parecía al terminar.
Y pudo saborear la masa de su pan

Vida

"A vida é um conceito com numerosas faces. Pode-se referir ao processo em curso do qual os seres vivos são uma parte; ao espaço de tempo entre o nascimento e a morte de um organismo; a condição duma entidade que nasceu e ainda não morreu; e aquilo que faz com que um ser vivo esteja… vivo. Metafisicamente, a vida é um processo constante de relacionamentos." (Wikipédia)

Dito assim, até parece simples, não é? :)

quinta-feira, outubro 04, 2007

Ai, Portugal, Portugal...

Eu JURO que sou dos raros seres que não gosta de falar mal do país, que tem a ingenuidade (para muitos) ou a cegueira (para outros tantos) de acreditar que faz-se o melhor que se pode com o que se tem e que não é assim tão mau.

Mas quando temos a filha pequena doente, acordamos de madrugada para marcar a estúpida consulta no Centro de Saúde (se é uma urgência,porque raio temos de nos levantar de madrugada para marcar a consulta ao longo do dia? É uma urgência!!!!!) e nos dizem que, como não sabem se o médico vem ou não (ele tem o hábito de faltar ao trabalho sem avisar!!!!????) não marcam consultas, até porque não há outros médicos para urgências....

- Ligue por volta das 13h30 e já sabemos se ele veio ou não. Depois,se houver vaga, marca.

???? O que raios é isto?
E pedem-nos para ir ao Centro de Saúde antes de ir ao hospital....

O mais triste é que um telefonema para a pediatra (aquela a quem pagamos 70 euros por consulta) resolveu a coisa em 10 minutos. Consulta marcada, conselhos dados, problema resolvido.

O que nos vale é que o sistema de saúde em Portugal continua em grande!!!!! Para quê pensar nos milhares de pessoas que não têm 70 euros para pagar e ficam com as crianças doentes,ou rumam para o hospital para esperar horas até serem atendidas, pois não tinham a cartinha do Centro de Saúde????

segunda-feira, outubro 01, 2007

Ser Criança

Para quem, como eu, alega um aproveitar intenso do presente, um auto-conhecimento consciente como forma consistente de atravessar esta existência, tenho em casa um ser com 3 anos de existência que é uma verdadeira mestra do AQUI e do AGORA.

Depois de uma noite de febre, acordámos para um dia em que - pensava eu – tudo iria melhorar! Então vieram as dores de ouvidos, as fantásticas dores que surgem nos piores momentos e para as quais basicamente NADA ajuda.
Ligar à pediatra, continuar o antibiótico,não esquecer o benuron. Enfim, encher a criança de porcaria e a mãe de preocupação.
A diferença é que, enquanto a mãe mal consegue respirar o tempo todo, perante a sensação de impotência, a preocupação e a ansiedade, há um momento, a meio de toda esta “tragédia”, em que as dores acalmam e começa a dar no Canal Panda (canal exclusivo cá da casa) a música do “Viky, o pequeno golfinho” – não, não precisam de saber qual é!!!!.

- Mãe, podes dar-me os meus sapatos?
- Porquê, meu amor?
- Quero dançar!!!

E eu fui calçar-lhe os sapatos, fitando-a atónita enquanto ela cantava e dançava até a música acabar. Em seguida, voltou a deitar-se no sofá, tranquila. Não há dores, não há stress.

De facto, ser criança é um estado de graça. Elas SABEM aproveitar a vida.

quarta-feira, setembro 26, 2007

The Police

Inesquecível!!!!

Fantástico. Um serão único,cheio de boa música e boa energia, num ambiente em que a banda se diverte tanto quanto nós, um público entre os 7 e os 77 anos.

Obrigada pelos momentos em que fizeram renascer (e recordar) a essência dentro de nós!

Absolutamente LIIIINDO!!!!!

segunda-feira, setembro 24, 2007

A caixa



Soube imediatamente o que tinha nas mãos, quando agarrei aquela caixa antiga e gasta pelo tempo, perdida entre albuns de fotografias repletos de teias de aranha e pó, no velho sotão revestido a madeira da casa grande, como lhe chamávamos.

Não era como eu imaginava, em veludo vermelho, reluzente, como o esplendor do seu conteúdo, contado tantas vezes pela voz da minha avó, cujos olhos cansados regressavam ao brilho dos 17 anos, sempre que falava nessa história.

Era uma história igual a todas as histórias que fazem as meninas sonhar. Um amor antigo, único, perfeito, que não se concretizara, perdido nas desventuras habituais do coração. E que, antes de se desvanecer,tivera os sumarentes beijos escondidos, bilhetinhos secretos, abraços quentes nas noites de luar e, claro, as rosas vermelhas.

Apertando a caixa, que afinal era em metal, com desenhos antigos de dois amantes, apagados pela ferrugem, eu fechei os olhos, relembrando as palavras da minha avó.

- Com ele partiu o meu coração e a minha juventude. Ficou uma caixa, com um retrato que me fez, 2 cartas de amor, e 6 rosas vermelhas. E a vida continuou.

Cresci com a lembrança daquele amor único, que não era o meu, mas que me arrebatava o coração para a fuga nas noites de luar, como se os beijos escondidos debaixo da janela fossem para mim.

Agora, com aquele tesouro nas mãos, sabia que tudo fora verdade e não mais um devaneio de uma velhota senil que, segundo o meu pai, nada mais fazia que não encher-me a cabeça com ideias aparvalhadas que me paravam o cérebro.

Quis abri-la. Cheirar o perfume do amor, nas rosas vermelhas, e ler cada carta como se a doce carícia das palavras ardentes fossem dirigidas a mim. Olhar o retrato da minha avó, cujos traços haviam sido desenhados pela mão da paixão avassaladora e deleitar-me no encanto das memórias.

Mas não era a minha história. Não eram os meus segredos, as minhas fugas da cama para os braços do meu amante. Não era o meu rosto desenhado. Não eram as minhas rosas.

Eu abriria uma caixa velha e encontraria, provavelmente, um rolo de papeis amarelados e baços, comidos pelas traças e pelos anos. Encontraria um retrato cujos contornos teriam sido esquecidos no papel. E encontraria rosas secas, sem a cor e a frescura do amor.

Abrir a caixa? Não. Mantê-la assim, fechada entre as minhas mãos, de olhos fechados, ouvindo as ternas palavras da minha avó e inspirando o aroma das rosas. Nessa memória,estaria a essência do seu amor.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Stress e dores de garganta


Parece um título de um livro, mas não...

... é MESMO como me sinto hoje!!!!

sexta-feira, setembro 14, 2007

Perspectivas...

A do Benjamim...
A da Clara...
Clara encostou-se à porta entreaberta, levando as mãos à boca, num gesto de assombro e estupefacção.
- Não posso acreditar que me fez uma maldade dessas, avó Chica!!!! - exclamou zangada.
A anciã, que já era velha quando Clara nascera, encolheu os ombros. Baixou o olhar, embaraçada, enquanto sacudia pó inexistente do avental gasto.
- O que é que queres, filha? O rapaz anda desesperado,não pensa em mais nada senão em ti.
- E por isso encomenda-lhe feitiços!!!! - resmungou a jovem. - Se ele pensa que isso muda alguma coisa...
A avó Chica olhou-a com expressão reprovadora e continuou o seu caminho.
Clara voltou para dentro, ainda furiosa e triste com a situação. Porque é que todos a recriminavam? Não poderia ser ela a dona do seu destino?
Benjamim era uma pedra no seu sapato. Desde a escola primária que a seguia para todo o lado. Nessa altura, não parecera tão mau. Fazia-lhe companhia no caminho para casa, levava-lhe os livros, ajudava-a nos trabalhos de casa e até a levara às cavalitas naquelas três semanas de pé engessado, depois da queda no riacho.
Porém, ao longo dos anos, a obsessão de Benjamim tornara-se cada vez mais incómoda.
A carta que lhe enviara, semanas antes, perfumada e bonita, cheia de elogios e palavras quentes, fora respondida por Clara com um simples e caustico "Não".
Bem lá no fundo gostara de a receber,pois Benjamim sabia usar as palavras e o fogo ardente da sua paixão enchia de vaidade Clara. Sobretudo quando as amigas se roíam de inveja por não terem,também, um tal pretendente. Mas não podia encher o rapaz de esperança.
Benjamim continuara a sua luta fogosa com um cartão, todo engraçadote, onde a resposta Sim ou Não estavam à distância de uma simples dobragem nos cantos. Clara riu-se com o atrevimento mas, ainda assim, reenviou a carta com mais uma desilusão para o pretendente.
Depois, chegaram os recados. E, com eles, os conselhos dos seus mensageiros.
- Toma tento, rapariga. Olha que nunca encontrarás outro assim.
- Quando é que vais dar uma oportunidade ao desgraçado?
- Não sei como é que podes ser tão insensível...
Quanto mais a recriminavam, mais resoluta Clara se sentia. Ninguém se meteria na sua vida. E mais zangada ficava com Benjamim.
"Quando o encontrar, digo-lhe das boas."
Mas ele desapareceu como por encanto. Ninguém o via. Ninguém sabia dele. A raiva de Clara foi-se diluindo com o tempo, e a ausência das cartas, dos recados,dos olhares de Benjamim trouxeram-lhe uma estranha ansiedade. Onde andaria ele?
"Talvez metido noutra paixão louca!!!!" - e este pensamento trazia a raiva de volta.
Foi no Baile de Verão que o encontrou.
Contava às amigas as peripécias que Benjamim lhe fizera, rindo-se como se a sua ausência não lhe pesasse a alma. E ele apareceu. Mais magro, os olhos escuros profundos e o mesmo olhar encantado pousando nela.
Veio a Rumba. E Benjamim, dirigiu-se a ela.
"Vai convidar-me para dançar. Oh, que se lixe, vou aceitar, assim tenho oportunidade de lhe dizer o que me está entalado..."
A mão dele na sua cintura,uma carícia fugaz. O olhar escuro mergulhado no seu. A sala que rodopiava como se não estivesse lá ninguém. Nunca reparara como era fácil perder-se naquele olhar. Nunca se apercebera das saudades que sentira dele. Nunca reparara o quão fácil era corresponder àquele sorriso.
- Dá-me um beijo, Clara.
- ... sim.
E, ao tocar a suavidade dos lábios do jovem, Clara pensou que, afinal, talvez o feitiço da Avó Chica tivesse dado certo....

... cheiro de caramelo

Tresandava a peixe, ainda não tinham batido as sete. Lá ia eu, passadeira acima,com a minha avó,a caminho da Lota,procurar entre as sardinhas, carapáus, polvo, conquilha e berbigão, algo que se transformasse num almoço saboroso e em conta. Só depois o peixe seguia para o Mercado, em caixas de madeira transportadas pelos pescadores que discutiam numa literal algarviada incompreensível.

Era assim o Verão na Ilha de Faro. Nada de silêncio,maresia e paz. Ali, ouviam-se os 718 aviões diários, que levantavam vôo à distância de 3 km, o roncar ensurdecedor dos carros,à hora do almoço, com lisboetas de férias à cata do famoso arroz de lingueirão e os gritos incessantes dos meus amigos, surgindo na porta de entrada, a cada 15 minutos.

Só à noite, quando o resto do mundo se recolhia, ficava eu e a minha avó, o som da novela da televisão a preto e branco e o cheiro do caramelo que serviria de cobertura à tarde de amêndoas. Que saudade da tarte de amêndoas!!!!

quarta-feira, setembro 12, 2007

Filhota....

À despedida, do rosto dela surgiu uma tristeza que logo foi substituída pela distracção das outras crianças e pela alegria da brincadeira.

O meu coração é que se manteve triste o dia todo....

sexta-feira, setembro 07, 2007

Loucura

Abriu os olhos, com as cortinas ainda fechadas e a suave penumbra do quarto a inundar-lhe os sentidos com pequenos pontos luminosos. Olhou para o lado onde, na pequenina mesa de cabeceira redonda, repousavam os poucos comprimidos que restavam, velhos companheiros de viagem. Pegou na caixa de cartão e ficou imóvel, a mão no ar, estática, perante o pensamento que lhe trespassou a mente. Não, nesse dia não os tomaria.

Como seria voltar a pensar por si mesma? Sorriu, perante a ideia de se passear pelas ruas da cidade, com as meias de vidro rendadas a surgir por baixo do minúsculo vestido azul, dizendo tudo o que lhe surgia na mente.

Provavelmente, todos se afastariam, franzindo o nariz. Sim, porque ouvir a loucura pela manhã faz, por certo, comichão no nariz. Mas estava plenamente decidido.

Tomou um duche e aprontou-se como se para uma festa. Abriu a janela, permintindo ao vento fazer-lhe festas no cabelo.

As nuvens cinzentas anunciavam um dia instável e escuro. Dia de guarda-chuva, diriam os outros. Sorriu novamente. Ela, se levasse algum, seria um guarda-chuva de chocolate. Nessa manhã, a vida sabia-lhe bem...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Palavras a cores?...

Colocava sempre a saia de folhos amarela. Penteava os sedosos caracois e prendia-os com ganchos coloridos. Só depois de se olhar ao espelho subia para o telhado. Sentava-se entre as telhas laranja, com o seu sumo de frutas gelado e ficava a observar o campo verdejante e fresco, cheio de papoilas.

Por vezes,a música na igreja fazia-a sorrir,imaginando o casal de noivos a sair ao som dos sinos, juntamente com os alegres convidados, num rebuliço total.

Era uma festa, poder deitar-se ao sol e sentir a pele bronzeada a aquecer e os folhos da sua saia dançando com o vento. Se fechasse os olhos e imaginasse um sonho, ainda assim não seria mais belo do que a sua realidade.

...ou a preto e branco????

A noite começava a surgir e o cinzento escuro e frio da tarde enregelava-lhe os ossos velhos e cansados de uma vida de trabalho duro.

Saiu para a rua,com o casaco russo e as botas enlameadas,embrenhando-se na rua alcatroada e suja,iluminada pelo fraco e único candeeiro existente.

Os prédios em obras inacabadas,cheios de lixo e solidão, pareciam caveiras naquela cidade fantasma.

segunda-feira, setembro 03, 2007

O Ludo

Era sempre uma viagem quente. Essa era a minha mais forte lembrança, ao recordar-me daquelas intermináveis viagens ao Ludo.

Um bando de miúdos irrequietos,descalços e meio despidos, a desbravar caminho por entre aquilo que mais nos pareciam pântanos.

Íamos ver a vegetação e as aves da Reserva, costumava dizer o Zé. Mas tudo o que eu de facto me lembrava era da sensação do pó acumulado à transpiração de Agosto às três da tarde, uma mistura barrenta e pegajosa, que fazia o corpo parecer mais áspero e quente.

Caminhávamos quilómetros por entre a densa vegetação da Reserva. As pernas robustas e fortes dos rapazes aguentavam a distância e o calor. Porém, as raparigas acabavam inevitavelmente por se deixar cair, logo que avistavam a mais pequena sombra.

- Fracas! - gritava o Zé, líder do grupo e o meu melhor amigo. - Deviam ter ficado em casa, que é o vosso lugar.

E com o orgulho ferido e a raiva a espumar pela boca, elas lá se levantavam, continuando aquele eterno caminho,na esperança de chegar à praia antes do entardecer.

sábado, setembro 01, 2007

Com um pedaço...

Com um pedaço de nada brinquei.
Olhei-o, toquei-o, cheirei. Mole e suave. Odor? Não tinha cheiro, ou seria eu incapaz de o respirar? Senti-me, insegura, menina assustada. Ainda assim, brinquei. Peguei-lhe, num suave embalo de vida e cor.

Moldei-o nas minhas mãos, pintei-o com as cores da minha tela. E, por fim, adormeci, na maciez efémera da minha imaginação.

Despertei mais tarde, acordando para um nada que agora era algo. Modelei-o eu, mas surgia em si mesmo como uma única forma, uma ideia, um universo ao meu redor.
Senti-me fechada num universo que tinha sido construido por mim.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Vem!



Vem ver-me, vá! Como podes ver, pela imagem, não é tão mau assim. Tens a Serra mesmo ali, a um piscar de olhos.

Sabes, aqui o céu não é tão escuro e as estrelas não são tão brilhantes. Mas se te aventurasses a sair do teu cantinho seguro verias que, aqui, as pessoas sorriem da mesma maneira e que o aroma do café, pela manhã, trás sempre um trago de boa conversa. Não queres experimentar?

segunda-feira, agosto 27, 2007

Sonho

De todos os cantos do mundo, nos quais sonhara aventuras sem fim, foi encontrá-lo ali,naquele canto, em frente ao mar.

A beleza é relativa e efémera,mas naquele único segundo não houve inseguranças ou questões de opinião. Olhar para ele era pura contemplação. Poderá um olhar mudar uma vida? Ela não podia saber,mas como a imaginação não aceita limites, acreditou naquele instante, naquele segundo de harmonia, vida, cor.

Mergulhou no olhar verde daquela estranha criatura surgida do mais insólito dos seus sonhos. Viu-se no mar, rodeada de sereias e tritões, de castelos submersos e música celestial. Viu-se a si mesma Senhora do Mar, dona do mais belo vestido existente no reino do amor.

E, por fim, veio à à superfície respirando a brisa leve que a trazia de volta à realidade. Mas o que é que isso importava? Enfeitou-se com o seu mais belo sorriso e deu por si a dançar, diante daqueles maravilhosos olhos verdes.

Escrita Criativa

Um cursinho de Verão, enquanto o Agosto permite as semi-férias perante tudo o que ainda não começou.

Estou a gostar! Muito...
Vão ficando aqui alguns textos nascidos dessas pequenas horas.
Se quiserem experimentar, passem por aqui.

Back...

Voltei...

... mas estava-se lá bem!!!!

quinta-feira, julho 19, 2007

Férias!!!!!

Finalmente, as tão ansiadas férias.
Pois é, a Lita vai tirar 3 maravilhosas semanas de descanso, para recuperar energias, apanhar um sol maravilhoso e divertir-se muito.

Vou ao encontro da Neptuna, da Bisturi e de quem se encontrar pelas terras do sul.
Até daqui a umas semanas!!!!
Have fun!!!!

segunda-feira, julho 16, 2007

sexta-feira, julho 13, 2007

5

13. Julho.2002
11h30. O toque de mensagem no telemóvel.

"Amo-te tanto que dói." Uma mensagem que ficou guardada no telemóvel e no meu coração tanto e tanto tempo.

Era um dia especial aquele. Fazíamos 5 anos de namoro. Um dia ideal para casar.
Incrivelmente, eu estava calma. Mais calma do que tu. A minha alma transbordava de certezas e sentia-me poderosa e feliz. Sabia que casar contigo era parte daquilo que sempre tinha sentido, desde o primeiro momento. Não estava errado.

Lembro-me de falar com um amigo, uns meses antes, dizendo que ia casar-me.
"Não achas precipitado?" - perguntou-me.
"Não." - respondi. - "Acho que o mais importante é que, nos piores momentos, nos lembremos de que não somos inimigos."

... quantas vezes nos esquecemos disso nos últimos anos!!! O tempo e a rotina têm o estranho hábito de nos fazer esquecer dos motivos pelos quais escolhemos determinado caminho. Se calhar os aniversários servem para isso mesmo... para nos fazer recordar.

De qualquer maneira, que caminho intenso e atribulado!...
Gosto de quando nos unimos inseparavelmente, quando há uma crise que nos deita abaixo. Gosto que lutes por mim quando eu não sinto vontade de lutar. Gosto de admires quem eu sou, mesmo que essas qualidades te irritem no que diz respeito a ti. Gosto de quando tens paciência para aturar as minhas birras e percebes que elas não são contra ti. Gosto de quando me dás a mão, de sentir o toque do teu pé entre os lençois. Gosto de te ver sorrir, da forma como te encantas com a nossa filha, das tuas gargalhadas fortes. Gosto da cor da tua pele, do teu cabelo...
No final do nosso dia de casamento, lembro-me de me virar para ti e dizer-te:
- Se um dia isto correr tudo mal, quero dizer-te já que valeu tudo a pena!"
Subscrevo.
Feliz aniversário.

quarta-feira, julho 11, 2007

Pé descalço!!!!

O que nós, mulheres, não gostamos que nos aconteça....

Sair de casa todas apresentadinhas para a consulta que vamos dar.

Ir com alguma antecedência, afinal não quermos que o trânsito nos surpreenda.

Chegar 20 minutos antes, e pensar, com um sorriso, se passeamos um pouco pela baixa de Lisboa, se repensamos a consulta, ou simplesmente nos presenteamos com um belo instante de não fazer nada.

Ao sair do estacionamento subterraneo, pisar a sandália e parti-la! Partir a tira onde se enfia o dedo!!!!
Entrar em pânico, voltar para trás, verificar que o pé não fica preso. Não conseguir arranjar a sandália.
Caminhar ao longo da Rua Augusta, arrastando um pé, até localizar a primeira sapataria onde se possam comprar QUAISQUER sapatos.

Imaginar, no meio da vergonha, que se fosse descalça, provavelmente, daria menos nas vistas.

Enfim, mais um final de tarde calmo e rotineiro!!!!

O escritor

Ontem, em deambulações cibernéticas, encontrei-me perante um blog de um dos nossos escritores portugueses, Hugo Gonçalves, onde encontrei o seguinte texto:

O romance que escrevi chama-se “O maior espectáculo do mundo”, publicado pela Oficina do Livro. Vi-o hoje, antes de ir para as livrarias. Já suspeitava que a publicação de um livro seria uma experiência contrária à sua execução. Terminar um livro, acabar o trabalho e publicá-lo é o fim de um processo, é algo que se opõe à luta de pensar, de estruturar, de escrever, de corrigir, de apagar. O objecto com capa, foto, excertos, é outra coisa qualquer, necessária, lógica e inevitável. É certo que quero publicar, que quero que as pessoas leiam, mas sempre que olho para esse objecto apetece-me mudar palavras. Não posso.

Perdi-me nas suas palavras, talvez por já as ter pensado muitas vezes. Quando escrevemos, a alma exprime o que sente e nada mais do que isso é possível (como se fosse pouco!!!!).

Mas, invariavelmente, é um processo, um contínuo... nunca termina, nunca está acabado. Cada vez que releio o que escrevi, sinto a incansável vontade de mudar palavras, acrescentar texto, especificar pormenores. Porque a minha alma já viveu mais um pouco e precisa, novamente, de alimento.

Um contador de estórias desenrola um fio que não tem ponta....

Imagino a alegria e a dor do escritor que edita o seu livro. O orgulho da sua obra finalizada e partilhada com os outros. A dor da alma, por não mais se poder expressar por ali...

terça-feira, julho 10, 2007

A perfeição


É a mais feliz rotina que já vivi.

Todas as manhãs a mesma. Entro no seu quarto, abrindo suavemente as cortinas, para deixar passar um pouco de luz. (como se a sua existência não fosse já luminosa!!!!!:))

Ajoelho-me aos pés da cama, fazendo-lhe algumas festas nos caracois suaves.

- Está na hora de acordar, princesa!!!!

Ela vira-se e resmunga algumas vezes, mas acaba invariavelmente por sorrir, muitas vezes ainda antes de abrir os olhos. Há dias em que me murmura:
- Mamã, canta-me uma canção de acordar...

E eu canto. É impressionante a quantidade de canções que sou capaz de improvisar, para a ver olhar-me com aquele ar sonhador.

Ela estica os braços pequeninos e abraça-me. É nesse instante que sinto - SEMPRE - a magia da existência, a perfeição das coisas, a alegria de viver, a gratidão por me ser permitido experienciar o amor desta forma.

Depois o dia continua, com todas as suas simplicidades e desafios. Mas a minha alma permanece com os braços da minha princesa enroscados ao meu pescoço, como uma carícia....

segunda-feira, junho 18, 2007

O administrativo




Como é hábito em trabalho social, somos praticamente só mulheres a trabalhar. Muitas mulheres a trabalhar. Muito trabalho. Faz-se sempre um bocadinho de tudo. Muita confusão. Para três espaços físicos, uma administrativa - quase à beira de um esgotamento nervoso.
Enchemo-nos de coragem - e porque não pedir mais uma administrativa?
Depois de várias tentativas, a direcção aceitou. Mas... tinha de haver um mas!!!! Seria um homem. Um administrativo.
E começaram as buscas. Muitos currículos de mulheres, poucos de homens. Currículos excelentes... mas não eram homens.
Quando parecíamos prestes a ultrapassar as dificuldades... mais um mas! Não podia ser um homem qualquer. Teria de ser licenciado em gestão.
Vejamos... um homem, licenciado em gestão, que quisesse trabalhar como administrativo num local de trabalho comunitário e só com mulheres.... não vos parece canja?
Novas buscas. Dias de buscas... semanas... meses!!!
Chegaram dois candidatos. Recém licenciados, à procura do primeiro emprego, portanto.
Mais uma directriz. Estágio profissional. Estágio profissional de gestão para trabalhar como administrativo. AH!!!! A coordenadora de estágio seria uma Educadora de Infância, claro!!!!
Bem, os rapazes lá vieram à entrevista. ELES ficaram de pensar e dar uma resposta se viriam à segunda entrevista.
Um deles veio. Perguntou logo onde seria o seu gabinete. Acrescentou que teria muito trabalho e não poderia atender telefones, nem abrir a porta aos utentes. (????) Com certeza, foi a resposta da Direcção.
NOTA: Ele não sabia que ia ser administrativo.
Ficou mais uma vez de pensar. Se aceitar, vamos ter na instituição um gestor a fazer um estágio profissional sob a coordenação de uma Educadora de Infância. E, claro, ele não faz trabalho de administrativo.
ISTO FAZ ALGUMA LÓGICA PARA ALGUÉM?????