sexta-feira, maio 22, 2009

Casa Branca

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

...porque me fez tanto sentido...

12 comentários:

ianita disse...

A casa da infância... seja branca, seja de que cor for... seja de frente ao mar ou de frente a nada... a casa da infância é a casa que guarda em todos os seus recantos segredos milenares... segredos nossos e de todos... casa que sussurra à nossa passagem, que nos (re)conhece. Faz todo o sentido voltar ao "milagre das coisas que eram minhas" :)

korrosiva disse...

É incrivel como há frases que nos descrevem melhor do que nós próprios

beijinhoss :)

Lita disse...

Ianita, não mudaria uma vírgula das tuas palavras. É exactamente isso!

korrosiva, sem dúvida!

izzie disse...

Sophia tem esse mesmo poder... de nos trazer de volta a casa.
Com a força das palavras, da memória e do Amor. :)

★ Aralis ★ disse...

As palavras de outros são também as nossas, pois somos humsnos com os mesmos medos, preocupações, amores e desamores!
É isso e cançoes...pelos mesmos motivos!
bjoka

Alguém disse...

Pode não fazer qualquer mossa em nós, mas fazendo em ti...é o que conta! :)

beijinho e bom fim-de-semana!!!

dinamene disse...

Belíssimo poema….
Sophia tinha uma forte e íntima ligação à praia e ao mar, como tu!
“Coincidência”???!

Curioso que não tenho memória exacta da casa da minha infância, tenho os sítios, os cheiros, as cores, as pessoas, visto que passei a infância em várias casas ;)

Se procurar na minha memória/sonho encontro assim, também, uma “Casa branca em frente ao mar enorme…”

Beijinhos

Zabour disse...

A Sophia é imortal...
o msm já não digo do parvalhão do filho, bah...


Beijinhos, lindona

Lídia Borges disse...

Que coincidência! Hoje mesmo seleccionei este poema da Sophia para postar oportunamente. É lindo!

Um beijo

Lita disse...

izzie, tem um poder imenso. Grande mulher.

Aralis, alguém disse que todas as histórias de amor são iguais. Parece que as palavras também, não é?

Alguém, beijinho grande.

dinamene, acho que todos nós temos uma, né? :)

Zabour, é, é imortal. :)

Lidia Borges, são todos maravilhosos.

dinamene disse...

Não tenho mmo "uma casa da minha infância", tenho várias ;D...

As memórias aconchegam-se nesses locais mágicos e felizes da minha infância, nos cheiros perfumados, nas cores alegres, nas pessoas próximas.

Sou uma privilegiada ;)

Lita disse...

E ainda bem... :)