sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Locais sagrados...


- Um dia vou comprar este banco!
- Um banco na Praia de Faro... com a crise que está, não ficavas nada mal...

Demos uma gargalhada e sentei-me nele, sabendo de cor qual a sensação, as visões dos diferentes ângulos, os grãos de areia que ali pousavam. Olhando para trás, tudo está diferente. Recordo que não havia a esplanada por detrás, não se viam casas, tudo o que existia eram dunas cheias de chorões... montes de areia que nos tapavam de tudo e todos, permitindo um pouco de privacidade e intimidade com o mar.
Passei ali a minha vida. Não me recordo de quando o banco surgiu, mas lembro-me de me sentar quando as brincadeiras do D. me enervavam e não me apetecia ficar na praia. Ou quando subia a passadeira para ver o por do sol e escrever poemas. Quando o A. apareceu e me arrancou o caderno das mãos, onde tinha acabado de escrever o nome dele!
De quando o D. nos tirou a foto, a mim e à Andy, de mãos dadas, equilibradas lá em cima, com o olhar sombrio da Xana sobre nós.
Da tarde em que eu, a Kayla e a Xana fizemos um pacto de amizade eterna nesse mesmo lugar.
Das lágrimas que derramei, enquanto pedia ao universo que se ele não fosse o homem da minha vida, que este nunca surgisse, porque era aquele que eu queria. Da noite em que me sentei com ele, às 3 da manhã, porque me acordou para ir ver o por da lua. Da noite em que dei por mim nos braços dele e senti que poderia morrer naquele instante.
Da tarde em que me sentei ali, depois de descobrir que já não tinha a minha casa, o meu lar secreto, o único lugar onde me senti segura. Da noite em que, depois de falar com alguém, porque antes uma certeza dolorosa, do que uma dúvida eterna, decidi que o deixaria partir de dentro de mim.
Dos anos em que não consegui subir a passadeira, devido à dor que me apertava o peito.
Da manhã em que a subi sozinha, transbordando de lágrimas, e percebi que tudo estava mudado.
Da tarde em que me sentei nele e o partilhei com o N. Em que o apresentei à minha filha. Em que fiz as pazes com ele e pude recarregar baterias....
Não posso comprar o banco. Porque sou eu que lhe pertenço, assim como à areia onde ele está, ao mar que dele se avista. Fica sempre um pedaço de mim ali.
As pessoas partiram,os pactos foram quebrados, algumas amizades ficaram. Eu estou aqui.
Desta vez, trouxe o banco comigo. Está aqui!

15 comentários:

Fenix disse...

Lita!!!
Até estou arrepiada!
Amiga..., estou sem palavras de tantas emoções...
Como estarás tu, que são as tuas emoções, a tua vida, os teus lugares, os teus sentimentos...!

Beijinhos e um grande abraço!

Andy disse...

Amiga, obg por me teres relembrado esta imagem!!! Como há lugares que contam histórias, que nos marcam tanto e falam por si. Lindo, simplesmente lindo o que sentes.
Ah! Inesquecíveis fotos tb! lool
Bjs e abraços

Devaneante disse...

De facto há locais e objectos que, apesar de aparentemente banais ou insignificantes, têm um valor excepcional. Muitas vezes são estas pequenas (grandes) coisas que dão sentido à vida.

korrosiva disse...

Até os sentimentos que nos deixam de coração apertado são belos :)

beijinhoss um dia feliz

Dawa disse...

Tão lindo!
Aí está um banco com história!
Ao ler isto lembrei-me que eu também tenho um banco parecido com o teu, mas o meu está perdido algures no meio de Lisboa.
Não tem tantos anos de história (para mim) como o teu, mas sempre que passo por lá sinto que deixei lá uma parte de mim e lembro-me de tudo o que lá passei.
Ao contrário de ti, eu não quero comprar aquele banco... preferia que o levassem dali!

Beijinho grande!

Lita disse...

Fenix, obrigada pelas palavras! Foi um recordar, uma viagem por um local que sempre me recebeu sabendo que eu ali pertencia. Quando lá vou, trago sempre rasgos desse viver! :)

Andy, looool! A tua frase trás-me à lembrança umas fotos inesquecíveis, de facto! ;)

Devaneante, concordo completamente contigo. Ah, e parabéns!!!!:D

korrosiva, é verdade! Há beleza neles! :)

Dawa, acho que todos temos, não é? Um banco, uma caixa, uma árvore, um pequeno lugar onde ficou um pedaço de nós... também desejei que o tirassem dali, muitas e muitas vezes! Hoje já não! Dou-lhe todo o valor e significado...

Patrícia disse...

são estes bocadinhos, estes recantos que fazem história e que nos constroem...

Lita disse...

:) So true...

izzie disse...

Neste momento estou dividida entre o orgulho de te "conhecer" e a "inveja" (daquela pequenina e boa) de ainda não ter reconhecido o meu "banco"...

Só por isso deixo te o meu =) e um beijinho

Lita disse...

TU... és muito linda!:)
Beijinho grande!!!!

Rice Man disse...

Estás enganada, Lita... Não foi só desta vez que trouxeste o banco contigo. Aquele banco está SEMPRE contigo mas só tu é que o vês/sentes. A diferença é que hoje também nós o pudemos ver e, através das tuas palavras, saber o quão importante é para ti! :)

Lita disse...

Rice Man, que palavras maravilhosas! Tens muita razão no que dizes... obrigada! Beijinho

Sayuri disse...

"Tudo é efémero, menos Nós" e o banco que cada um de nós traz dentro do coração...

Estrela Cadente disse...

Até me emocionei...Lindo...
Bj

Lita disse...

Sayuri,:)! É isso...

Estrela Cadente, beijos grandes...