domingo, janeiro 04, 2009

Folhas

As folhas de carta que se espalhavam pelo chão possuíam, já, o tom amarelado e gasto do tempo, o mesmo tom das folhas do plátano que se erguia do outro lado da janela. Folheei algumas, distraidamente, recordando o cheiro de quem as escrevia, o sabor do riso antes das inevitáveis despedidas. O Outono trás sempre despedidas.

Estranhamente, apesar das cartas me recordarem algumas pessoas e situações, eram aquelas que nada tinham como ancoras que me habitavam mais frequentemente. Passei a mão pelas três pequenas folhas amareladas, escritas numa letra masculina e bonita. Discreta.

"Não tenho muito medo de desilusões. Se se justificarem é porque, pura e simplesmente,não valeu a pena."

Toquei nas letras, como se sentisse a emoção por detrás das palavras. Recordar um pôr do sol, que desaparece para dar lugar à noite! Uma tarde de Verão que se vai, dando origem ao frio. Um beijo quente que termina com uma lágrima... um amor profundo, vivido intensamente, a quem alguém coloca um gélido ponto final.

Trocaria algum desses bons momentos para não viver as desilusões?

Dei um sorriso silencioso.

"Ah, meu amigo, não podia discordar mais de ti. Um dia, quando te encontrar, lembrar-me-ei de te dizer isso!"

12 comentários:

Taiyo Omura disse...

o sabor do riso
e seus pequenos pormenores
pormenores que sejam fiz
uns versos d'água
uns jatos de poesia
como pingos na janelas
celebrando pôr-do-sol

korrosiva disse...

Tenho cartas com mais de 15 anos, de algumas pessoas com quem me correspondia, adora a sensação de abrir o correio e ter uma carta à espera de ser lida :)

Já ninguém escreve cartas :/

Bom domingo
beijinhoss

Pedro Barata disse...

Quase já ninguém escreve cartas. Eu confesso que sempre fui muito desleixado com isso...
Beijinhos

Sayuri disse...

Todas as desilusões têm o seu propósito...até tenho um certo gosto por elas, tantas são as ilusões que crio!!... :)

Lita disse...

Taiyo Omura, obrigada pela visita. Pelas palavras... :)

korrosiva, eu também tenho dessas cartas. Estranhamente, lá vou recebendo duas ou três, ao longo do ano... ;)

Pedro Barata, eu adorava escrever cartas, recebê-las... às vezes, tenho algumas saudades.

Sayuri, concordo. Todas as desilusões têm o seu propósito. Concordo mesmo! :)

Kaila disse...

Cartas antigas...
Tenho saudades sim!

Lita disse...

Também eu... :)

poeta_poente disse...

Eu adoro escrever cartas. Adoro recebe-las. Adoro mesmo... é pessoal, tem calor, tem a energia de quem nos escreve. Só por teres falado nisso, amanhã mesmo vou escrever uma, ou duas, ou várias....

Monday disse...

que coisa gostosa que você escreveu, menina! tão bonita, tão singela, texto tão gostoso de ler ...

a gente aprende a saber que, vez ou outra, as coisas acabam ... e aí, a desilusão perde força e passa a ser, simplesmente, parte de tudo que ocorreu ...

mas o que vale mesmo é saber que tudo ocorreu ...

Lita disse...

poeta_poente, que bela ideia!!! Também vou escrever uma!!!! Beijos

Monday, obrigada! Também acho que quando as coisas são verdadeiramente vividas, valem a pena!

Ianita disse...

Eu adoro cartas... adoro mesmo... adoro encher linhas e linhas e linhas de coisa nenhuma... de palavras, de parvoíces, de tudo...

Tive um namorado que ia trabalhar para França nas férias de Verão... as chamadas telefónicas eram caras e eu escrevia cartas... escrevia como se falasse com ele, imaginava as respostas e escrevia escrevia escrevia...

Ele comentou comigo depois que os colegas o gozavam porque era ele quem recebia as cartas mais longas... parvos!

Continuo a gostar de escrever cartas, apesar de algumas pessoas não gostarem de as receber... mas eu persisto. :)

Kisses

Lita disse...

As cartas têm uma magia... como se trouxessem a essência de quem as escreveu. Acho que as trazem mesmo!!! :)