quinta-feira, dezembro 04, 2008

Família

Com o Natal, para além de todas as queixas respeitantes ao consumismo, e afins (desculpem lá, mas EU gosto do Natal!), vem a ideia romântica de unir a família, de um jantar divertido, de conversar com aqueles primos que não se vemos há algum tempo.

Eu sou uma desterrada. É verdade, hoje penso que já não pertenço bem a lado nenhum. Ou, pela positiva, sou uma cidadã do mundo. O que quero dizer é que a minha família alargada (à excepção dos meus pais) se encontra a 300Kms de distância. Por isso, sim, no meu caso, é altura de falar com tios e primos que não vejo há meses. E isso é bom!

Mas não é do Natal que queria falar. Queria falar de família, e do conceito de família.

A minha mãe é uma entre 13 irmãos. Juntamente com as duas irmãs mais velhas, foi criada por uma tia, que não tinha filhos. Naquela altura distribuíam-se os filhos pela família... :)
O meu tio mais novo nasceu quando eu tinha 4 anos, por isso, nunca lhe chamei tio.

Enquanto vivi por perto, as minhas referências na infância sempre foram na casa daquela tia que criou a minha mãe e que vejo mais como uma avó, e com as minhas duas tias e os filhos destas, os meus primos.

Ir a casa da minha avó biológica era uma aventura, porque havia tantos tios e tias - alguns com a minha idade - e tantas outras pessoas, que nunca foi simples perceber as ligações entre eles. Sim, porque para além de tudo isto a minha avó também é uma entre nem sei bem quantos irmãos.

O grande problema é que, entretanto, mudei de casa e vim viver para Lisboa. Quando ia de férias, o meu local era a casa da praia da minha avó paterna e pouco mais. E fomos todos crescendo.

Hoje, esses 12 irmãos da minha mãe têm filhos. Alguns desses filhos, têm filhos. E eu juro que não sei o nome de quase nenhum.

No outro dia, fui almoçar a Olhão, com uma amiga, o meu marido e a minha filha. Acabámos num parque infantil, onde ela rapidamente fez amizade com algumas crianças. Qual o meu espanto quando surgem 3 tios meus, que me conheceram e me dizem que as crianças com quem a minha filha brinca, são os primos dela????

Foi divertido, conversámos, tirámos fotos, os miúdos ficaram excitadíssimos. Senti uma coisa que nunca tinha sentido antes... falta de raízes.

Sempre me habituei a considerar família os meus pais, os meus avós e primos paternos, a minha tia-avó, as tias que cresceram com a minha mãe e os seus filhos. Mais tarde, a família próxima do meu marido. E os meus amigos íntimos.

Naquele dia apercebi-me que existe uma família gigantesca que eu mal conheço, histórias que não vivi. Não é importante no dia a dia. Naquela tarde, porém, houve uma sensação estranha.

O que é, afinal, a família? O "sangue chama ao sangue"? Ou é tudo construído? Fiquei na dúvida...

4 comentários:

Sayuri disse...

Pode ser um bocadinho das duas?... :)

Lita disse...

Sim, acho que pode ser isso mesmo...

Ianita disse...

Ora...

A minha mãe tem dois irmãos e o meu pai 7. A verdade é que a maioria deles vive relativamente perto de mim. Sei quem são, os seus nomes, sei quem são os filhos (meus primos) e quem são os filhos deles (meus segundos primos). De vez em quando encontramo-nos na rua, num restaurante ou num café e falamos. O trivial. A verdade é que, embora estejam perto, nunca houve proximidade.

Os meus pais nunca tiveram o hábito de ir a casa dos irmãos connosco. Quer dizer... Íamos muito de vez em quando, mas raramente. E almoços e jantares então é coisa de que não me lembro. A família da minha mãe costumava-se juntar no aniversário da minha avó...

Bem... isto para dizer que o meu jantar de Natal vai ser igual à maioria dos almoços de Domingo: eu e os meus irmãos, os meus pais, o meu cunhado e os pais dele, a minha sobrinha. Com muita pena não vai estar a minha avó, que está doente.

Quando era miúda tinha pena que o jantar de Natal não envolvesse primos e primas e tios e tias. Hoje não tenho pena nenhuma. Aquelas pessoas são a minha família. Os outros... os outros são conhecidos que por acaso partilham connosco alguns traços genéticos.

Kisses (e desculpa)

Lita disse...

Não tens nada que pedir desculpa. Eu sou muito desligada dessas coisas, família costuma ser aqueles que estão no meu coração e o resto... é o resto.

Este texto foi somente uma deambulação por um momento na minha vida. Um só momento... e algumas questões.
Bj