segunda-feira, dezembro 29, 2008

Jogos

Eu - Estou?
Ele - Tu és impressionante! Andas mesmo fugida!
Eu - G., és tu? Desculpa? Acho que não estou a perceber!
Ele - Estou farto de te telefonar e nem te dignas a atender-me o telefone!
Eu - Não ouvi. O telefone está mesmo aqui atrás de mim e não tocou uma única vez.
Ele -Sim! Farto-me de te ligar e ao teu marido e nenhum de vocês atende!!! Há dias que ando a tentar falar convosco a ver se nos encontrávamos antes do Natal.
Eu - Mas… tens estado cá?
Ele - … ahhhh… não. Pois, porque tu és sempre a mesma coisa, nunca ligas, nós é que temos de andar atrás de vocês, nunca telefonam… blá, blá, blá, blá…. Blá, blá, blá…então, não dizes nada?

Eu - Feliz Natal, G.!
Ele -Pois! Nem sequer pude dar Feliz Natal… bláblá…. Blá. Então, e quando é que nos encontramos?
Eu - Não faço ideia. Logo se vê.

E quando desliguei questionei-me porque raios é que alguém ficaria com vontade de se encontrar com uma pessoa assim? Na verdade, não havia quaisquer chamadas não atendidas, e eu sabia disso. Aquilo é dele. Iniciar uma conversa a cobrar, tentando incutir-lhe um sentimento de culpa saberá Deus porquê, uma vez que ambos ficaram o mesmo tempo sem ligar, para conseguir encontrar-se com essa pessoa… não seria mais fácil um “olá, estou com saudades, vamos encontrar-nos?” Não se conseguiria mais assim? Isto diminuí, de alguma forma, uma pessoa????

O G., como algumas pessoas que eu conheço, vive no mundo como se estivesse em combate. Tem de sair sempre a ganhar, mandar a boca mais dura, cobrar de tudo e todos, ter mais dinheiro, mais posses, mais tudo… após alguns anos a ter-me na família, parece ainda não ter percebido que as coisas nas quais ele acredita são as que menos me interessam. Não percebe o que perde da vida, ao não permitir-se ser tocado por ela. Na opinião dele, devo ser eu a perder, imagino...

Em determinada altura, entrei em confronto com ele, mas apercebi-me que nesse jogo – claramente dele – a minha energia era sugada até ao tutano. Já não o faço. Mas também já não me encontro com ele porque ele cobra. Deixo-o combater sozinho…

Um dia, a respeito de cobranças, contei-lhe uma história que, obviamente, ele não percebeu.

Era algo que eu li não sei onde, em que perguntaram a uma menina como se chamava o gato dela.
- Não tem nome. – respondeu.
-Então, como é que o chamas? – voltaram a perguntar.
- Não o chamo. Ele vem quando tem vontade.

13 comentários:

Kaila disse...

Bem!...

Alguém disse...

Humm... Nesses casos, é deixa-lo para lá. Pode ser que vá ao sitio, um dia.

A história da menina é mesmo boa :-)

beijinho

Neptuna disse...

eu desatei a rir incontrolavelmente a partir daqui: "E quando desliguei questionei-me porque raios é que alguém ficaria com vontade de se encontrar com uma pessoa assim? " ....
LOL e ainda continuo a rir... vá-se lá saber porquê.. ps: a cobrança é qualquer coisa que me tira do sério.acho que das melhores aprendizagens que tive foi aprender a reconhecer-la à distância e dizer um Não redondo, ainda ela nem chegou.

Lita disse...

Kaila, lol... é mais... mal!!!!

Alguém, sim é o melhor. Ele é grande, que cresça... eu também adoro a história da menina...:)

Neptuna... :)! A cobrança é... é isso mesmo!!! LOL

Mi disse...

Eu adorei o texto... E conheço pessoas assim, bem próximas de mim, até. Mas é interessante lidar com elas! Geralmente, confesso que me sinto mais feliz quando olho para elas... Mas fico com vontade de lhes abrir os olhos!
Às vezes, também desisto assim, de combater... Mas volto sempre à luta, não sei bem porquê.

"Ele vem quando tem vontade." - adorei, mesmo!

Lita disse...

Eu já não acho muito interessante lidar com pessoas assim...até compreendo de onde vêm os seus comportamentos, mas... não há paciência! :)
A história do gato é mesmo maravilhosa...

Salto-Alto disse...

Gostei muito da história! :) Beijinhos!

Lita disse...

:) Beijinhos.

Dawa disse...

Realmente, não me imagino a ter mta vontade de me encontrar com tal pessoa.
E gostei da história final. É isso mesmo!
Beijinhos!

Ianita disse...

A vida já é difícil o suficiente... Não precisamos mesmo de pessoas que precisam de nós para se sentirem bem, que nos sugam a nossa energia porque a deles não é boa ou não lhes chega.

Sim, as pessoas que contam vêm quando querem, não precisam de ser chamadas... e vêm sempre :)

Kisses

Lita disse...

Pois vêm! Por mais tempo que passe, vêm e continuam no ponto onde estavam... :)

Pedro Barata disse...

Grande post!
Beijinhos e um bom ano!

Lita disse...

Obrigada...
Excelente ano para ti!